19 de maio de 2015

A TEOSOFIA DO NAMASTÊ

Okeidade Mútua: a Análise Transacional e a
Construção de uma Psicologia da Fraternidade


Carlos Cardoso Aveline




A vida de um livro é tão imprevisível como a de uma pessoa, e o seu valor interno não pode ser medido pelo sucesso aparente.

Grande best-seller nas décadas finais do século vinte, o livro “Eu estou OK, você está OK” é uma obra admirável e expressa o ideal teosófico da fraternidade e do equilíbrio.[1]

Vista por alguns como um lema pessoal e um axioma, a ideia de “okeidade mútua” ressoa em harmonia com a tradicional saudação “Namastê”, que significa:

“O que há de melhor em mim saúda o que há de melhor em você.”

A saudação é dita geralmente com as palmas das mãos unidas diante do peito e uma leve inclinação da cabeça.

As relações humanas baseadas no princípio do equilíbrio e da reciprocidade são um ideal decisivo para os teosofistas. Embora a prática da fraternidade seja desafiante e envolva um profundo renascimento e a perda de um sentido prévio de identidade, ela é também algo inevitável. Não há necessidade de postergar este ideal. A fantasia de um sentido individualista de identidade, baseado na separação, já não funciona mais como proteção diante da vida.

O primeiro objetivo do movimento teosófico é a formação de um núcleo de fraternidade universal que transcenda os atributos do eu inferior, tais como raça, classe social, sexo, casta, nacionalidade, e apego pessoal a esta ou aquela religião e filosofia.

A fraternidade sem fronteiras deve incluir em última instância os seres do mundo natural e os seres do mundo divino. A construção da fraternidade é silenciosa e tem lugar no coração de cada um. O indivíduo deve enfrentar os fantasmas todos do passado. É preciso vencer o apego à ignorância e ao sofrimento, a soma dos receios e raivas humanos, o medo de abandono e outras formas de “não-okeidade” que dificultam o progresso na direção da sabedoria.

A frase “eu estou OK, você está OK” significa que o eu superior em mim reconhece a existência de um eu superior em você.  A vida é probatória, todos os seres são incompletos e a dor faz parte da existência; mas a alma imortal em mim percebe a presença da alma imortal nos outros seres, e isso é bom. A transcendência cura. A universalidade abençoa, a confiança protege, e a coragem nos permite ser maiores que a dor.

Os Três Aspectos da Consciência Emocional

Evitando teorizações excessivas, a Análise Transacional simplifica a equação das relações humanas para trabalhar com o que é decisivo. Ela vê três níveis fundamentais de autoconsciência na personalidade do indivíduo durante o processo de interação com os outros:

PAI - A partir do núcleo mais elevado de identidade emocional, o indivíduo se relaciona com os outros desempenhando (em seu próprio mundo subjetivo) o papel de um pai, ou mãe, uma autoridade, um conselheiro, protetor, aquele que sabe mais ou é mais poderoso. No entanto ele pode ser um pai-mãe amável ou não, e pode ver coisas boas nos outros ou talvez não veja.

ADULTO - O segundo nível de autoconsciência na interação humana visa estabelecer relações baseadas no respeito mútuo e na independência individual. A autonomia do aprendiz cumpre neste caso um papel central. É a posição de equilíbrio. Há um “Adulto” a ser respeitado no mundo psicológico de toda criança. É o Adulto interior que faz com que a criança tenha autorrespeito e se relacione amigavelmente com os outros. A criatividade é outra função do Adulto.

CRIANÇA - No terceiro nível de autoconsciência, o ser humano vê a si mesmo como frágil, como necessitado de ajuda, dependente, como alguém que absorve as situações e fatos e não toma decisões, porque é incapaz de assumir responsabilidades.

Independentemente da sua idade, todo ser humano vive ao mesmo tempo em seu próprio mundo emocional os papéis de Pai, de Adulto e de Criança. Este é o chamado “esquema PAC” da Análise Transacional, entre cujos pensadores estão Eric Berne e Thomas A. Harris. Cabe ao indivíduo ser um melhor Pai, um melhor Adulto, e uma melhor Criança. Isso começa pela observação e pela decisão de melhorar. 

Quatro Atitudes Básicas em Relação aos Outros

Uma vez que a natureza tríplice da autoconsciência emocional tenha sido compreendida, devemos examinar os modos como a energia da “okeidade”  ou “capacidade de estar OK” é atribuída e distribuída pelo indivíduo nas diferentes formas de interação.

Há quatro formas centrais de postura nas interações. Elas funcionam como premissas e como estruturas:

* Eu não sou OK - você é OK.

* Eu não sou OK - você não é OK.

* Eu sou OK - você não é OK.

* Eu sou OK - você é OK.

Estas quatro atitudes “espontâneas” são produzidas pelo carma e podem ser mudadas pelo carma. As causas de sofrimento desnecessário estão subconscientemente presentes nas quatro posturas. É preciso identificá-las e desmascará-las antes que possamos substituir a dor pela sabedoria  através da prática da ação correta e do plantio de bom carma.

Façamos agora um breve exame das quatro premissas básicas na interação humana, segundo o esquema proposto pela Análise Transacional.

1) Eu não sou OK - você é OK.

Se opto por ver qualidades no outro e não ver qualidades em mim, é porque alguém me ensinou a não ter autoconfiança.  Provavelmente tive que ouvir ou fizeram com que eu sentisse muitas vezes na infância que sou errado, faço coisas erradas, e que este ou aquele é muito melhor e “mais poderoso” que eu. Penso então que só posso pedir ajuda, solicitar perdão, conseguir que alguém tenha piedade de mim, fazer-me de vítima para mim próprio e para os outros. Limito-me a invejar o outro ou pedir seu apoio, ou faço as duas coisas.

A cura desta premissa subconsciente está no autoconhecimento e na autotranscendência. Cabe observar o padrão cego e repetitivo da falta de autoestima. Quando cansarmos deste jogo de cartas marcadas, passaremos a construir um padrão correto de relacionamento com nós mesmos e com os outros.

2) Eu não sou OK - você não é OK.

Um falso começo de autoconfiança consiste em desconfiar dos outros tanto quanto de si mesmo. O indivíduo desinformado pensa que “o mundo é todo mau”. Desenvolvendo uma forte fé cega no ceticismo, ele afirma:

“Eu não presto e os outros não prestam. Ninguém é melhor do que eu. Todos estão errados e ninguém está certo.”

Com esta atitude, pode surgir grande quantidade de ações negativas e carregadas de rancor.  A cura está em abrir os olhos e perceber a mentira e a ilusão presentes na ideia de que “Eu não estou OK e os outros não estão OK”. A verdade é  outra. A natureza cura a si mesma.

Posso estar sentindo que “não sou OK e você não é OK”. Devo investigar a origem desta sensação. Nem todas as minhas avaliações da vida são necessariamente verdadeiras. Cabe perguntar qual é o desejo absurdo que, sendo contrariado pelos fatos, me levou a adotar uma atitude desanimada ou de desrespeito pela vida.  

O realismo impessoal é um bálsamo para as feridas da alma. Curo a mim mesmo através da modéstia. A humildade me permite desenvolver autoestima, e da autoestima surge a confiança nos outros.  

3) Eu sou OK - você não é OK.

A terceira forma de cegueira emocional na interação com as pessoas leva a um egoísmo ativo e a uma vontade definida de dominar os outros como forma de supostamente gostar de mim mesmo. No entanto, o orgulho e a arrogância não conseguem substituir o autorrespeito. A terceira atitude faz com que eu crie um carma difícil para mim mesmo e avance por um beco sem saída, do qual (se não abrir os olhos) acabarei tendo que voltar para um dos modos de cegueira descritos mais acima.

4) Eu sou OK - você é OK.

A quarta forma básica de postura emocional estabelece um equilíbrio criativo e permite ver tanto no outro como em mim mesmo a presença da alma espiritual.

À medida que percebo a legitimidade da vida fora de mim, permaneço em contato com a minha própria legitimidade. O outro é quase sempre um espelho psicológico do meu ser.

Um contato mais forte com a sabedoria esotérica demonstra a ilusão dos sentimentos que tornam difícil para mim reconhecer a okeidade fundamental dos outros. Eles são humanos e cometem erros. Posso inclusive pensar que fazem mais erros que eu; mas eles são espelhos de diferentes aspectos do meu ser, e têm um eu superior assim como eu tenho. São secundariamente falhos, e fundamentalmente OK. São aprendizes.

Quando a quarta atitude diante de nós mesmos e dos outros surge como algo natural, passamos a compreender melhor o aforismo presente em Marco, 12, 31:

“Amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Um realismo saudável nos faz reconhecer que os seres humanos são essencialmente bons. Suas almas espirituais são divinas; os seus eus inferiores têm muito por aprender.

O “instinto” de fraternidade universal está presente em todas as situações e faixas etárias e não tem fronteiras limitadas ao mundo humano. Piotr Kropotkin e outros mostraram que entre os habitantes do mundo vegetal e do mundo animal a ajuda mútua ou fraternidade é o princípio orientador central da evolução das espécies. A competição é um fator secundário. 

Para quem busca a sabedoria, as críticas devem ser bem-vindas como ferramentas para o autoaprimoramento e o aperfeiçoamento recíproco. Sendo espelho, o outro produz imagens de potencialidades sagradas. Ele mostra os erros que devo evitar, as lições que posso aprender e a sabedoria que existe em meu interior. 

NOTA:

[1] “Eu estou OK, você está OK”, de Dr. Thomas A. Harris, Ed. Artenova, Rio de Janeiro, 307 pp., 1977. A obra é dedicada à Análise Transacional.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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18 de maio de 2015

A RELIGIÃO AQUARIANA

Um Sonho Antigo Pode Florescer no Século 21

Carlos Cardoso Aveline 



Como será a religiosidade do futuro? E qual será o papel do país em que vivemos no processo do seu surgimento?

Não há uma resposta pronta para a segunda pergunta, mas o tema é oportuno. Deve ser investigado e debatido pelos pioneiros.

Em relação à primeira questão, a teosofia clássica ensina que a religião do futuro será planetária. Ela não terá dogmas ou rituais. Será desburocratizada. Estará aberta à livre expressão individual  e isenta de sacerdotes assalariados.

A religião do futuro será uma religião-filosofia. Sem donos ou papas, ela respeitará a diversidade cultural dos povos e será uma religião da natureza. Levando em conta que a vida está dinamicamente presente em tudo o que existe, ela ensinará a unidade e a harmonia entre o espírito e a matéria. Ela também ensinará que a consciência dirige a matéria e não o contrário. A  base desta religião será a compreensão prática do fato da fraternidade universal.

Nas obras de Helena Blavatsky e nas Cartas dos Mahatmas encontramos uma formulação moderna e abrangente da religião do futuro. Pouco antes de Blavatsky, Eliphas Levi ajudou a preparar o seu enunciado. E também é verdade que as bases da religião do futuro vêm sendo construídas há milênios. A ideia da cidadania planetária era proposta por Pitágoras e  Demócrito na Grécia antiga, e defendida por Lúcio Sêneca no império romano. Demócrito afirmava que a pátria da boa alma é todo o universo.[1]  O imperador romano Marco Aurélio agia conforme a religião do futuro. E muito antes de Marco Aurélio, o imperador  Ashoka fez o mesmo na Índia.
À medida que passa o tempo, o sonho se torna mais concreto. O iluminismo do final do século 18 foi um ponto forte do processo. Em 1795, Immanuel Kant propôs a religião do futuro ao escrever o seu tratado sobre a paz perpétua. Este foi o primeiro rascunho e a concepção inicial do que é hoje a Organização das Nações Unidas.[2

Karl Dietrich Krause, o filósofo kantiano alemão, aprofundou a proposta da fraternidade universal.  Inúmeros pensadores e ativistas  trabalharam nesta linha ao longo do tempo; mas, para florescer, a religião do futuro ainda terá que derrubar o muro separatista dos dogmas sustentados pelas igrejas e seitas das diversas religiões. Será preciso fazer isso de modo fraterno. As chaves para o cumprimento desta tarefa foram estabelecidas no século 18.

O livro “História da Civilização Ocidental”, de Edward McNall Burns [3], descreve da seguinte maneira o Deísmo, uma das principais correntes filosóficas do iluminismo:

 “A mais notável filosofia religiosa [do Iluminismo] foi o deísmo. Parece que quem deu origem a esta filosofia foi um inglês de nome Lord Herbert of Cherbury (1583-1648). No século XVIII, as doutrinas deístas foram propagadas por homens como Voltaire, Diderot e Rousseau, na França; Alexander Pope, Lord Bolingbroke e Lord Shaftesbury, na Inglaterra; e Thomas Paine, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, na América. Não satisfeitos em condenar os elementos irracionais da religião, os deístas chegaram à denúncia de qualquer forma de fé organizada. O cristianismo não foi mais poupado que as outras religiões. As religiões instituídas eram estigmatizadas como instrumentos de exploração, que velhacos espertos tinham inventado para possibilitar-lhes a manipulação das massas ignorantes. Voltaire dizia: ‘O primeiro teólogo foi o primeiro espertalhão que encontrou o primeiro tolo’.” [4

Voltaire é conhecido por sua maneira irreverente de escrever. Os deístas acreditavam em “Deus”. Porém o seu conceito de Deus correspondia ao que a teosofia universal chama de Lei Universal ou Princípio Supremo.  Trata-se de algo impessoal, destituído de atributos,  e sobre o qual é inútil especular verbalmente ou com o raciocínio convencional do hemisfério cerebral esquerdo. Este mesmo princípio abstrato é chamado de Tao no primeiro verso do clássico chinês “Tao Te King”.

Edward Burns prossegue:

“Os objetivos dos deístas não eram porém todos destrutivos. Não se interessavam somente em destruir o cristianismo, mas em construir uma religião mais simples e mais natural para substituí-la. Os dogmas fundamentais dessa nova religião eram mais ou menos os que se seguem: 1) Há um Deus que criou o universo e ordenou as leis naturais que o controlam; 2) Deus não intervém nos negócios do homem, neste mundo: ele não é um Deus caprichoso, como o deus dos cristãos e judeus, que dá  ‘uma oportunidade para o bem e outra para o mal’, segundo seus caprichos momentâneos; 3) Oração, sacramento e ritual são meros absurdos inúteis; Deus não pode ser enganado ou subornado para violar as leis naturais em benefício dos indivíduos particulares; o homem é dotado de livre arbítrio para escolher entre o bem e o mal; não há predestinação para alguns serem salvos e outros serem condenados, mas as recompensas e as punições (….) são determinadas unicamente pela conduta terrena do indivíduo.” 

O deísmo defendido por Thomas Paine,  Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Denis Diderot e Jean-Jacques Rousseau  propunha claramente  uma religião universal.  Edward Burns  escreveu:

“.... O deísmo era bastante diferente do supernaturalismo racionalista. Enquanto os expoentes deste último ainda adotavam a crença na revelação,  em milagres e na racionalidade do cristianismo,  os deístas desfizeram-se de tudo que não concordava com suas ideias de religião naturalAfirmavam que todo mortal inteligente que seguisse a orientação da razão chegaria por fim a acreditar num Deus criador, em futuras recompensas e punições e em leis naturais e morais.  Desse modo, o deísmo era tido como uma religião universal aplicável a todas as condições e climas e passível de ser descoberta tanto pelo sábio chinês como pelo nativo astuto da floresta virgem. O cristianismo era desprezado como não sendo melhor que o islamismo e, mesmo, como sendo um pouco pior, dada a malícia do seu clero e sua maior carga de dogmas místicos. Por outro lado, muitos dos deístas dedicavam profunda admiração ao nobre caráter de Jesus e alguns até tentaram provar que também ele era um deísta. Voltaire pensava ser um insulto chamar Jesus de cristão.”

A proposta de uma religião da ética universal foi enriquecida ao longo dos séculos 19 e 20. Albert Einstein, Teillard de Chardin, Mahatma Gandhi e inúmeros cidadãos de boa vontade ajudaram a prepará-la. 

Quanto falta para que  seja concluída a tarefa da sua construção? Não sabemos exatamente, mas segundo Helena Blavatsky é possível que o sonho não tenha que esperar até o século 22 para ser realizado. Cabe a cada um fazer o melhor no instante presente. No tempo certo, quando a humanidade merecer, nascerá a civilização da fraternidade.  

NOTAS:

[1] “Los Filósofos Presocráticos”, Leucipo y Demócrito,  Planeta deAgostini, Editorial Gredós, España, 1998, 308 pp., ver p. 247. 

[2] “À Paz Perpétua”, Immanuel Kant, L & PM Pocket, Porto Alegre, 2008, 85 pp.

[3] “História da Civilização Ocidental”, de Edward McNall Burns, Editora Globo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, São Paulo, 1948, 958 pp., ver pp. 552-553.

[4] “Dicionário Filosófico”, Voltaire, verbete “Religião”. (Nota de Edward McNall Burns)

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O texto acima foi publicado inicialmente na edição de maio de 2009 de “O Teosofista”, sem indicação do nome do autor.

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Sobre a missão do movimento teosófico, que envolve o despertar da humanidade para a vivência da fraternidade universal, veja o livro “The Fire and Light of Theosophical Literature”, de Carlos Cardoso Aveline.

 

A obra tem 255 páginas e foi publicada em outubro de  2013 por “The Aquarian Theosophist”. O volume pode ser comprado através de Amazon Books. 


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17 de maio de 2015

A TEOSOFIA E O MOVIMENTO TEOSÓFICO

 A Sabedoria Universal e o seu Campo de Aprendizado

Carlos Cardoso Aveline

Helena Blavatsky (1831-1891)


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O texto a seguir reexamina as  fontes
e as bases reais da sabedoria teosófica.

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termo “Teosofia” existe há milhares de anos e é uma herança dos filósofos do Egito antigo. 

Foi  no século três da era cristã que Amônio Saccas batizou de Teosofia Eclética a sua filosofia platônica universalista. 

Literalmente, “Theos-sofia” significa  Ciência ou Sabedoria Divina, conforme explica Helena Blavatsky.  Porém, cabe perguntar: “Como é que funciona e se expressa no mundo a sabedoria divina?”  

A verdade é que não pode haver um conhecimento sem uma prática.  Nenhuma filosofia sobrevive se não houver uma escola em que ela seja ensinada, testada e praticada. Em Alexandria, há 17 séculos, Amônio Saccas criou uma escola neoplatônica de Teosofia. Em Nova Iorque, em 1875, Helena Blavatsky  fundou a escola moderna de Teosofia, o chamado “movimento teosófico”. 

Tanto hoje como na antiguidade,   “Teosofia”  é aquela  sabedoria universal e eterna que está presente nas grandes religiões e filosofias  e nas principais ciências da humanidade.   A Teosofia é, portanto,  uma ponte entre as culturas. É um conhecimento interdisciplinar.  Ela requer uma abertura mental, um espírito crítico  e um constante desafio a dogmas, rotinas  e burocracias de todo tipo. Inclusive religiosas. 

A  Teosofia abre as portas do conhecimento para que cada estudante possa ver e compreender uma verdade revolucionária: o fato de que sua alma  é uma parte viva do todo universal. 

Em outras palavras, a Teosofia faz com que se amplie no estudante  “Antahkarana”, a ponte -  a relação dinâmica -  entre a alma mortal e a alma imortal.  Assim, o cidadão passa a ver a evolução do universo como uma fotografia ampliada da sua própria evolução individual. Ele percebe que todo ser humano é, em si mesmo um resumo do universo, assim como cada átomo de matéria física é uma miniatura do sistema solar.  A Lei da Unidade e do Equilíbrio determina que as coisas ocorram “assim na terra como no céu; assim em pequena escala como em grande escala”. 

Que linhas sagradas, então,  guiam o tempo todo a evolução humana?  Nosso aprendizado segue inevitavelmente as leis do Carma e da Reencarnação. Estas são, respectivamente,  as leis da “responsabilidade” e da “segunda chance”.  Com o tempo,  porém, o estudante  acaba descobrindo que a  lei da reencarnação é na realidade uma parte da boa lei do Carma.  O conceito ainda é pouco compreendido, mas -  superstições e fatalismos à parte - a lei do carma  é o princípio eterno da  justiça universal e da harmonização constante de todos os seres e coisas do universo. 

O que se planta, se colhe, e deste modo aprendemos a plantar o que é bom, justo e verdadeiro.  

Carma e reencarnação são dois aspectos absolutamente essenciais  da filosofia esotérica.  Aquele que ignora esses dois temas dificilmente pode ser considerado teosofista. Cabe perguntar, porém: “O que é, exatamente, que reencarna em nós?”  A resposta é desafiadora. Não é o corpo.  Não é a alma mortal.  É apenas a alma imortal, a mônada,  o Espírito elevado, e não o eu inferior, que  reencarna.  A cada renascimento, a alma imortal está associada a um novo corpo e uma nova alma mortal. 

Ao final de uma vida, não há apenas uma morte física; algum tempo depois dela, ocorre a morte astral, do  eu inferior. E então a alma imortal segue, livre, para o “Devachan”, o “local dos deuses”, de onde só despertará para uma nova existência.  As encarnações se sucedem durante um tempo quase inimaginavelmente longo, até que um dia a Alma  se liberta afinal da roda da reencarnação e alcança a condição de um Buddha, um Adepto, um Mahatma -  um Mestre. Esses seres trabalham sempre em silêncio e anonimamente.  

Helena Blavatsky não criou,  e não pretendeu ter criado,  a sabedoria.

Auxiliada  e orientada por Mahatmas,  ela  apenas colocou à nossa disposição elementos para que a sabedoria universal possa ser mais facilmente percebida e vivida.  Esse conhecimento do mundo divino é uma tradição global e intercultural, milenar e também moderna, cuja descoberta gradual fará com que  todos os dogmas religiosos, nacionalistas e ideológicos  se desfaçam, e as guerras e o fanatismo comecem a perder sentido.

Todo conhecimento implica necessariamente testes e responsabilidade.  E testes mostram tanto erros como acertos, e avanços, e fracassos. A  Teosofia,  como filosofia abstrata e universal,  se desdobra na prática e no dia-a-dia  através de um amplo Movimento Teosófico onde não faltam desafios e limitações humanas.  

Não há hoje uma instituição que detenha o monopólio da filosofia esotérica. A maior instituição é a Sociedade Teosófica de Adyar, que tem sede na Índia e existe em cerca de 60 países, inclusive o Brasil.  Há também a Sociedade Teosófica de Pasadena, com sede internacional nos Estados Unidos e presença em cerca de 10 países. Uma terceira força presente internacionalmente preferiu  organizar-se como uma  rede de estudantes autônomos, e não como uma corporação. Trata-se da influente Loja Unida de Teosofistas, L.U.T., que existe em cerca de 16 países e que desde novembro de 2009 possui uma loja luso-brasileira. Enquanto a Sociedade de Adyar dá grande importância a crenças e rituais ilegítimos, deixando de lado a Teosofia original, a S.T. de Pasadena e a Loja Unida de Teosofistas priorizam a proposta filosófica autêntica, formulada por H.P. Blavatsky.

Além dessas três escolas maiores de Teosofia, há uma grande variedade de grupos e iniciativas teosóficas independentes, que seguem a teosofia autêntica de Blavatsky e dos Mestres, e que são influentes internacionalmente.  Dois bons exemplos são a Sociedade Teosófica de Edmonton, no Canadá, e a Fundação Blavatsky, no México. 

Não se deve esquecer, tampouco, a presença de segmentos importantes do movimento esotérico mais amplo, que  tiveram origem no movimento fundado por H.P. Blavatsky. Entre eles estão a Escola Arcana e Boa Vontade Mundial,  fundados por Alice Bailey; a Agni Yoga, de Nicholas e Helena Roerich;  e a Sociedade Antroposófica, de Rudolf Steiner.  Estes três segmentos tiveram a Teosofia como inspiração inicial e original e contribuem positivamente para a formação de uma ampla base de fraternidade universal e de filosofia interdisciplinar,  no mundo de hoje. 

Inevitavelmente, a filosofia esotérica mais autêntica trabalha para que a humanidade se liberte de  crenças cegas e automáticas. Ela dá elementos para que cada indivíduo possa desenvolver  uma compreensão autônoma e solidária da vida e do Universo. 

O movimento teosófico, com suas  diversas escolas de pensamento, oferece um vasto campo de testes e aprendizado. Sendo humano, o movimento tem dentro de si o joio e o trigo, verdades e  ilusões, a letra morta e o espírito que vivifica. A busca sincera dos objetivos do movimento permite a cada aprendiz desenvolver o seu discernimento e ver além das aparências -  sem cair no dogma, na rotina ou no ritual.   

Os objetivos do movimento são três:   

1) Formar o núcleo de uma Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor;

2) O estudo das religiões, filosofias e ciências  antigas e modernas, e a demonstração da importância de tal estudo; e

3) A investigação das leis inexplicadas da Natureza e dos poderes psíquicos latentes no homem. 

É fácil perceber que a   tarefa teosófica não é de curto prazo, e que vale a pena.  “Tudo que é  humano me diz respeito”, afirmou um dia o pensador romano Terêncio. Um teosofista moderno poderia ampliar a frase,  dizendo: 

“Tudo que é mineral, vegetal, animal, humano e divino, e tudo que é eterno e infinito,  me diz respeito, essencialmente”.

De fato, a Teosofia abarca a essência (não a casca externa) de tudo o que há;  e por isso  o movimento teosófico é necessariamente complexo.  Uma longa caminhada começa com o primeiro passo, e  William Judge escreveu em “O Oceano da Teosofia” [1]:

“A Teosofia é um oceano de conhecimento que se estende de um extremo a outro da evolução dos seres sensíveis.  Insondável nas suas partes mais profundas, ele exige das mentes mais poderosas o máximo de seu alcance, embora seja suficientemente raso em suas margens para ser entendido por uma criança.” 

NOTA:

[1] A obra “O Oceano da Teosofia”, William Q. Judge, está publicada e disponível em www.FilosofiaEsoterica.com. Veja o início do capítulo I. 


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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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13 de maio de 2015

O PAPEL DA AUTODISCIPLINA

Abandono do Supérfluo Fortalece a Vontade Interna


Carlos Cardoso Aveline

  




O autodisciplinado se contenta com
pouco, mas o preguiçoso é insaciável.



O estudante de filosofia esotérica deve agradecer todos os dias à vida,  se enfrenta dificuldades e obstáculos, porque estes são sinais seguros de que ele está sendo capaz de deixar de  lado o caminho da falsidade.  Em compensação, quando  sua  vida estiver demasiado cômoda, ele deve lamentar o fato.  

Nenhum praticante da filosofia teosófica pode saber de que substância é feito  se não enfrentar momentos que considera “difíceis”. 

A preguiça, a indulgência e o despreparo surgem como problemas que podem e devem ser corrigidos quando a rotina cômoda é rompida e surge um teste desafiador.  

A autodisciplina é o abandono voluntário do que é supérfluo, e produz o fortalecimento da vontade própria. Ela antecipa e suaviza as dificuldades externas. Acostumado com uma vida menos cômoda,  o estudante passa a ver como algo fácil de superar aquilo que, para outros, pode ser uma grande dificuldade.  

O autodisciplinado se contenta com pouco, mas o preguiçoso é insaciável. Quando alguém não limita a si mesmo, será limitado pela vida.  Se as dificuldades da vida nos parecem demasiado duras, talvez estejamos sendo demasiado moles com nós mesmos. A autodisciplina é fonte de humildade e  paz.  Graças a ela, o ser humano sensato pode abraçar a simplicidade voluntária.

Naturalmente, a autorrestrição da vida simples só faz sentido se formos capazes de escutar a voz da nossa própria consciência.  Para isto, é necessário obter níveis crescentes de autoconhecimento, isto é, de conhecimento do nosso Verdadeiro Eu.  Dele resultam a ação correta e a harmonia.   

Estes dois processos produzem uma mente aberta e um coração honesto, que fazem nascer a autolibertação interior.  Em última análise, portanto, a autodisciplina leva à liberdade, mas a não-disciplina leva à prisão.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada no boletim eletrônico “O Teosofista” de agosto de 2008.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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12 de maio de 2015

O TEOSOFISTA, Maio 2015

 


O pensamento de abertura desta edição é o seguinte:     

“Todos os aspectos do tempo pertencem à eternidade, e também ao momento presente.”

A capa apresenta o artigo “Enfrentando a Crítica e o Ridículo: a Sabedoria Teosófica Deve Romper Rotinas”. Na página dois o leitor encontra “O Respeito Derrota Agressões”, cujo subtítulo é “Psicologia Humanista Ensina a Valorizar a Diversidade da Vida”.

À página quatro publicamos uma breve nota sobre o movimento esotérico desde o ponto de vista dos Irmãos Metralha.

Nas pp. 5 e 6, um artigo de John Garrigues intitulado “A Vida Silenciosa da Alma”. Ainda na p. 6, uma brevíssima reflexão sobre a origem do cristianismo. Nas páginas 7 e 8, “A Verdadeira Confiança: Autorrespeito e Responsabilidade”.

Outros temas abordados na edição de maio:

* A Nossa Maior Força (texto de Joana Maria Pinho);

* Ciclo da Ação Correta Inclui o Tempo de Repouso;

* O Mistério do Foco Central;

* A Escuta, o Pensamento e a Fala (artigo de Arnalene Passos do Carmo);

* A Perfeita Vitória: através do autocontrole encontramos a paz e podemos agir construtivamente;

* Ideias ao Longo do Caminho: Observando a Presença do Sagrado na Vida Cotidiana; e

* Formando Bons Hábitos (artigo de Joaquim Soares).

A edição tem 19 páginas e conclui com a lista dos textos publicados recentemente em nossos websites associados.


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A coleção completa de “O Teosofista” pode ser encontrada em sua própria seção temática no website www.FilosofiaEsoterica.com .

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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