30 de junho de 2015

MINHA MENTE PARA MIM É UM REINO

Um Poema Filosófico de Quatrocentos Anos Atrás


Sir Edward Dyer



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Sir Edward Dyer (1543-1607) foi um poeta
inglês cuja reputação está estabelecida, segundo
a Encyclopaedia Britannica (1967) “por
um pequeno número de poemas que são
atribuídos a ele com segurança, e foram
feitos com grande destreza e musicalidade”.

Considera-se que Sir Edward foi um alquimista.
Em seu livro “O Iluminismo Rosa-Cruz”
(Ed. Cultrix-Pensamento),  capítulo três, Frances
Yates diz que ele era discípulo de John Dee.
Ocultista bem conhecido, John Dee é mencionado em
“Cartas dos Mahatmas Para A. P. Sinnett”, Carta 01.

Durante quatro séculos, “Minha Mente Para
Mim é um Reino” tem  sido  o mais famoso
dos poemas de  Sir  Edward  Dyer.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Minha mente para mim é um reino;
Encontro nela um bem-estar tão perfeito
Que supera qualquer outra bênção,
Venha de Deus ou da natureza.
Por mais que eu queira o que a maioria busca,
Minha mente proíbe e afasta a ambição.

Nenhum porto principesco, nenhum estoque de riquezas,
Coisa alguma para forçar a vitória;
Tampouco sagaz destreza para atenuar uma ferida,
Nem aparências para atrair um olhar afetuoso.
Não sou escravo de nada disso. 
Por quê? Minha consciência despreza esse tipo de coisas.  

Vejo que muitos com frequência se excedem;
E os que escalam rapidamente -  logo vão despencar.
Vejo aqueles que estão no alto serem
Mais ameaçados que os outros, por desgraças.
Eles conquistam com esforço e guardam com medo;
E tais preocupações minha mente não quer tolerar.

Prefiro não adotar uma atitude de orgulho;
Não desejo mais que o suficiente,
E nada faço além do que posso fazer bem.
Tudo que necessito, minha mente me garante. 
Veja! Assim triunfo como um rei,
Com qualquer coisa tenho a mente contente. 

Eu não rio da perda que o outro sofre,
Nem invejo o ganho do outro;
Nenhuma onda do mundo pode agitar minha mente;
Eu tolero bem o que é a ruína de muita gente.
Não temo o inimigo, e nem bajulo o amigo,
Não detesto a vida, nem temo o meu fim.

Minha riqueza é a saúde, e uma perfeita calma;
E a consciência limpa é minha principal defesa;
Não uso suborno ou sedução para agradar,
Nem me afasto de alguém para ofender e ferir.
Assim eu vivo, assim irei morrer,
E gostaria que todos tivessem - esse jeito de ser!

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Traduzido de “A Book of English Poetry”, Collected by G.B. Harrison, Penguin Books, London, 1950, 416 pp., ver  pp. 53-54.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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O ELOGIO E A CRÍTICA

Examinando o Processo da Autoilusão

John Garrigues



Imagem do Buddha esculpida na montanha Mengshan, na China




“Também é meu amado servidor (….) aquele
para quem o elogio e a acusação são mesma coisa.”

Bhagavad-Gita [1]



O que são o elogio e a acusação, exceto um par de opostos que podemos encontrar por todo lado?  Estas são duas maneiras pelas quais os eus inferiores das outras pessoas reagem diante das nossas personalidades e das nossas ações, quer elas sejam espontâneas ou resultem de uma decisão interna.

Desejar que os nossos esforços recebam louvor e não sejam criticados é o mesmo que esperar resultados. E isso não deve ocorrer, se estivermos tentando viver à altura daquilo que conhecemos de mais nobre. Quem teme a censura alheia pode descobrir que age como um covarde moral em tempos de crise. Aquele que corre atrás de elogios pode estar disposto a trair a confiança depositada nele, para justificar as suas ações ou para vangloriar-se de boas ações que deveriam permanecer em silêncio.

Alguém pode pensar que só uma pessoa extremamente egoísta, fechada em sua admiração por si mesma e indiferente à opinião de todos os outros, poderia enxergar o elogio e a crítica com completa equanimidade.

Mas frequentemente a pessoa mais satisfeita consigo mesma é a mais suscetível à lisonja. Convencido do seu próprio valor, este tipo de indivíduo considera automaticamente verdadeiro todo  testemunho que confirme sua opinião. Ele se expande com elogios, e em geral aumenta generosamente a esfera da sua estima para que fique incluído nela o lisonjeador.

Até gente cuja aparência é de grande humildade pode ter uma ânsia por louvores. Com frequência, é praticado um excesso de desprezo verbal por si mesmo, com o objetivo subconsciente de que alguém contrarie as autocríticas. Os elogios são então recebidos com uma “discordância” aparente e uma satisfação interior.

O elogio é uma substância tóxica sutil, e preservá-lo na consciência é abrir espaço para a autoilusão. Os sábios denunciam o sistema competitivo em que vivemos e no qual as  disputas, declaradas ou não, marcam nossa trajetória desde a infância até a velhice. A objeção que eles fazem à disputa não se deve principalmente à humilhação daqueles que “participaram da competição” e perderam, mas à tensão acumulada sobre os vencedores. 

Já se disse, com razão, que para cada mil pessoas que conseguem suportar a adversidade, uma, apenas, é capaz de administrar corretamente a prosperidade. Com facilidade a cabeça perde o bom senso e o vencedor aceita como sua melhor avaliação de si mesmo a opinião momentânea da multidão volúvel. “Nunca houve, nem haverá, nem existe agora alguém que seja totalmente elogiado ou inteiramente condenado.” [2]

Cedo ou tarde os aplausos da multidão silenciam ou se transformam em ondas de ridículo e crítica; mas a autoestima de um indivíduo, uma vez inflada, não desinfla facilmente.

É o eu inferior que as pessoas elogiam, em noventa por cento dos casos; a beleza do rosto e da aparência e alguma proeza física; ou o “temperamento”, isto é, o fato de controlar os sentimentos; ou as emoções amigáveis, ou um intelecto capaz de vencer os desafios que ameaçam o ser humano no plano físico. O que é que o verdadeiro ser tem a ver com estas coisas, exceto como ferramentas cuja utilidade depende de elas estarem a serviço do que é verdadeiro?  Enquanto o domínio das coisas inferiores não for completo, o elogio fortalecerá a resistência enfrentada pela vontade do verdadeiro ser humano e tornará a sua tarefa mais difícil, e mais longa.  E o que dizer da crítica? 

Só alguém de uma retidão consciente, que vê a si próprio como uma gota no vasto oceano da vida e que se considera tão importante quanto o mais humilde dos seres humanos, é capaz de suportar as críticas sem sentir-se perturbado. O Buddha perguntou:

“Haverá neste mundo algum homem suficientemente modesto, suficientemente humilde, para não dar importância ao fato de ser criticado, assim como um cavalo bem treinado não perde o controle quando atingido pelo açoite?” [3]

Uma variedade de hipocrisia consiste em tentar esconder dos outros as falhas que ainda nos distanciam do ser humano que queremos ser. Todos nós admitimos, em momentos de calma, que estamos longe da perfeição buscada; mas não gostamos que os outros percebam isso.  Gostaríamos de impressionar aqueles a quem conhecemos com as nossas boas qualidades, e enfrentar sem testemunhas, se é que realmente enfrentamos, os inimigos situados dentro da nossa casa.

Sábio é o homem que examina imparcialmente a acusação feita contra si. Ele busca nela alguma possível porção de verdade, mesmo pequena, e, tendo-a encontrado, faz um esforço mais intenso por corrigir-se. Enquanto isso, ele afasta dos seus pensamentos a crítica e todo  sentimento de rancor. Quando damos demasiada importância à acusação, ficamos sem iniciativa ou desenvolvemos um sentimento de inferioridade que corresponde ao “complexo de pecador miserável” estimulado pela teologia cristã.

Considerar que o elogio e a crítica têm a mesma substância não significa, portanto, ignorá-los. Como qualquer outra experiência, o louvor e a acusação oferecem lições úteis para o homem sábio. Ambos exigem uma avaliação crítica e uma análise isenta, com as quais podemos aprender muitas coisas sobre a natureza humana, sobre o caráter do crítico, e sobre nós próprios.  O elogio vindo de uma fonte ilegítima pode ser um sinal de perigo e será percebido como tal pelos sábios. Por outro lado, críticas podem ser feitas contra uma conduta nobre, cujo valor é impossível de apreciar do ponto de vista do iludido e daquele que possui uma mente inferior.  

Cabe lembrar  que, quando damos demasiada importância ao elogio ou à acusação, situamos nossas ideias no plano da personalidade, estimulando as tendências que devemos eliminar. 

Aquele que esquece de si mesmo no trabalho dos Mestres pela humanidade não tem tempo  a perder com as avaliações positivas ou negativas daqueles que o rodeiam.  “A rocha sólida não se abala por causa de um vento forte. O sábio não se abala por causa de elogios ou acusações.” [4]

NOTAS:

[1] Veja o capítulo XII de “Bhagavad-Gita”, versão de William Q. Judge, Theosophy Co., Los Angeles, 1986, 133 pp., ver pp. 91-92. Traduzida, a frase completa diz: “Também é meu amado servidor aquele que tem a mesma atitude diante de amigo e inimigo, diante da homenagem e da desonra, diante do frio e do calor, na dor e no prazer; aquele para quem o elogio e a acusação são a mesma coisa, aquele que fala pouco, que permanece contente com quaisquer acontecimentos, que não possui moradia fixa e cujo coração, cheio de devoção, é firmemente estável.”  (CCA)

[2] Capítulo 17 de “O Dhammapada”, edição online de www.FilosofiaEsoterica.com. Ver parágrafo 228. (CCA)

[3] “O Dhammapada”, Capítulo 10, edição de www.FilosofiaEsoterica.com, parágrafo 143. (CCA)

[4] “O Dhammapada”, Capítulo 6, edição de www.FilosofiaEsoterica.com, parágrafo 81. (CCA)

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O artigo “O Elogio e a Crítica” foi traduzido da edição de maio de 2015 de “The Aquarian Theosophist”. Título em inglês: “On Praise and Blame”. O texto foi publicado pela primeira vez em março de 1932 na revista “Theosophy”, em Los Angeles (pp. 206-207), sob o título “Praise and Blame”.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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29 de junho de 2015

AMOR, SEXO E AUTOTRANSCENDÊNCIA

Por Que a Felicidade Surge Pela Devoção Altruísta  

Viktor E. Frankl



“Se o desejo de ser honesto for maior que
o desejo de ser ‘bom’ ou ‘mau’, então o poder
terrível dos nossos erros revelar-se-á. E atrás do
erro surgirá o temor (o temor de ser excluído da
vida) e atrás do temor, a dor (a dor de não ser amado)
e atrás desta dor do isolamento, o mais íntimo, o mais
recôndito, o mais secreto de todos os desejos humanos:
o desejo de amar e entregar-se em amor e fazer parte
da corrente viva que chamamos de fraternidade. E
no momento em que o amor é descoberto por
detrás do ódio, todo ódio desaparece.”

(Fritz Kunkel, “In Search of Maturity”)



Quando falamos e pensamos no amor, devemos lembrar que ele é um fenômeno especificamente humano. Devemos cuidar para que ele seja preservado em sua humanidade, ao invés de ser tratado de forma reducionista. O reducionismo é um procedimento pseudocientífico que toma os fenômenos humanos e, ou os reduz, ou os deduz a partir de fenômenos inferiores ao homem. O amor, por exemplo, é frequentemente  interpretado de maneira reducionista, como mera sublimação dos impulsos e instintos sexuais que o homem compartilha com todos os outros animais. Tal interpretação bloqueia o real entendimento de todos os diversos fenômenos humanos.

Na verdade, o amor é aspecto de um fenômeno humano mais abrangente que vim a chamar de autotranscendência.[1] Com este termo desejo expressar que o ser humano sempre se relaciona e está orientado em direção a algo externo a si. O homem não está, como algumas teorias motivadoras da atualidade gostariam de nos fazer crer, preocupado basicamente em gratificar necessidades e satisfazer impulsos e instintos e, em assim procedendo, manter ou recuperar a homeostase, isto é, o equilíbrio interior, um estado sem tensões. Por mérito da qualidade de autotranscendência da realidade humana, o homem está preocupado basicamente em ir além de si mesmo, seja na direção de um significado que ele queira preencher, ou na direção de um outro ser humano a quem ele deseje encontrar no plano amoroso. Em outras palavras, a autotranscendência manifesta-se através do serviço a uma causa ou pelo amor a uma outra pessoa.

O encontro amoroso, no entanto, impede que se considere e se utilize outro ser humano  como um meio para atingir um fim. Ele impede, por exemplo, que usemos alguém como um mero instrumento para reduzir as tensões provocadas e criadas pelos impulsos e instintos libidinosos ou agressivos. Tal atitude para com o parceiro é, de qualquer modo, uma distorção do sexo humano.

Isto se deve ao fato de que o sexo humano é sempre mais do que simples sexo, e é mais do que simples sexo precisamente na medida em que serve e funciona como a expressão física de algo metassexual, a saber, a expressão física do amor. E somente na medida em que o sexo desempenha esta função de corporificação, de encarnação do amor - apenas  então ele também atinge o clímax de uma experiência verdadeiramente recompensadora. Assim, Maslow estava certo ao ter salientado que as pessoas que não sabem amar nunca extraem do sexo a mesma emoção como as que amam. E dentre aqueles fatores que mais contribuíram para enaltecer a potência ao grau mais elevado, segundo 20.000 leitores de uma revista americana de psicologia que responderam a um questionário sobre o assunto, estava o romantismo, quer dizer, algo que se aproxima do amor.

É claro que não há muita precisão em dizer que somente o sexo humano é mais do que mero sexo. Conforme Irenaeus Eibl-Eibesfeldt [2] evidenciou, em alguns vertebrados, o comportamento sexual serve à coesão grupal, e este é particularmente o caso dos primatas que vivem em bandos: assim, em determinados símios, a relação sexual às vezes supre de forma exclusiva uma finalidade social. Nos humanos, afirma Eibl-Eibesfeldt, não há dúvida de que a relação sexual serve à propagação da espécie, mas também à relação monogâmica entre os parceiros.

Porém, embora o amor seja um fenômeno humano por sua própria natureza, a humanidade do sexo é apenas o resultado de um processo de desenvolvimento - é o produto do amadurecimento progressivo.[3] Comecemos com a diferenciação feita por Sigmund Freud entre a finalidade dos impulsos e instintos e o seu objeto: poder-se-ia dizer que a finalidade do sexo é a redução das tensões sexuais, ao passo que o seu objeto é o parceiro sexual. Porém, no meu modo de ver, isto só se aplica à sexualidade neurótica. Para a pessoa madura, o parceiro não é de forma alguma um “objeto”; a pessoa madura, ao contrário, vê nele um outro sujeito, um outro ser humano, em sua própria humanidade; e, se realmente o amar, até mesmo percebe nele uma outra pessoa, o que significa que o vê em sua singularidade - e só o amor capacita uma pessoa a captar outra pessoa nessa mesma singularidade que constitui a pessoalidade de um ser humano.[4]

A promiscuidade é, por definição, exatamente o oposto de uma relação monogâmica. Um indivíduo que cede à promiscuidade não precisa considerar a singularidade de um parceiro e, portanto, não pode amá-lo. Uma vez que somente o sexo que esteja embutido no amor pode ser realmente recompensador e satisfatório, a qualidade da vida sexual de um tal indivíduo é inferior. Não é de admirar, então, que ele tente compensar esta falta de qualidade com a quantidade de atividade sexual. Isto, a seu turno, exige uma estimulação sempre mais variada e crescente, como a que é fornecida, por exemplo, pela pornografia.

Disto se poderia depreender que não somos perdoados de modo algum por glorificarmos tal fenômeno de massa como a promiscuidade e a pornografia, considerando-os algo progressivos; eles são antes regressivos; afinal, são sintomas de um retardamento que deve ter ocorrido na maturação sexual da pessoa.

Não devemos esquecer que o mito do sexo-pelo-prazer-do-sexo (ao invés de permitir que o sexo se torne a expressão física de  algo metassexual), enquanto algo progressivo, é vendido e difundido pelas pessoas que sabem que isto é um negócio lucrativo.

O que me intriga é o fato de a nova geração comprar não só o mito, mas também a hipocrisia que ele oculta. Em uma época como a nossa, em que a hipocrisia nos assuntos relativos a sexo é tão condenada, é estranho ver a hipocrisia daqueles que propagam uma certa liberação de qualquer censura passar despercebida. Será assim tão difícil reconhecer que sua real preocupação é a liberdade ilimitada para ganhar dinheiro? [5]

Mas não pode haver negócio bem sucedido a menos que exista uma necessidade substancial a ser atendida por este mesmo negócio. E, de fato, estamos presenciando, em nossa cultura atual, o que se poderia chamar de “inflação do sexo”. Só podemos entender este fenômeno em oposição a um fundo muito amplo. Hoje em dia somos confrontados com um número sempre crescente de clientes que reclamam de uma sensação de ausência de significação, de vazio, vácuo interior, vazio existencial, como eu costumo chamá-lo. Isto se deve a dois fatos: em contraste com o animal, o homem não é informado pelos impulsos e instintos quanto ao que deve fazer; e, em contraste com o homem de tempos atrás, as tradições e os valores não lhe dizem mais o que deveria ser feito. Em nossos dias, ele, às vezes, não sabe mais o que realmente deseja.[6]

É precisamente dentro deste vazio existencial que a libido sexual está se hipertrofiando. E é esta hipertrofia que provoca a “inflação do sexo”. Como em qualquer espécie de inflação - por exemplo, a do mercado financeiro - a inflação sexual está associada à desvalorização. E o sexo está tão desvalorizado quanto está desumanizado. Assim, observamos a tendência atual de levar uma vida sexual que não esteja integrada na vida particular da pessoa, mas, ao contrário, orientada pelo prazer. A despersonalização do sexo é compreensível uma vez que a diagnostiquemos como sintoma daquilo que denomino frustração existencial: a  frustração da procura de um sentido pelo homem. [7]

Essas são as causas; mas o que dizer dos efeitos? Quanto mais a procura de sentido de alguém for frustrada, mais o indivíduo embarca no que, desde a Declaração de Independência da América, tem sido chamado de “busca da felicidade”. Em última análise, a busca pretende servir ao propósito da intoxicação e da estupefação. Mas, que tristeza, é a própria busca da felicidade que a condena ao fracasso. A felicidade não pode ser perseguida porque ela deve seguir-se ao natural, e ela só pode vir como resultado do viver a autotranscendência, a dedicação e a devoção para com a causa a ser servida, ou a pessoa a ser amada.

Em nenhum outro lugar esta verdade é mais perceptível do que no campo da felicidade sexual. Quanto mais a transformarmos em um objetivo, tanto mais nos escapará. Quanto mais um homem tentar demonstrar sua potência, mais propenso estará a tornar-se impotente; e quanto mais uma mulher tentar demonstrar a si mesma que é capaz de obter gozo completo, maior tendência terá a ser vítima de frigidez. E a maior parte dos casos de neurose sexual de que tomei conhecimento nas minhas muitas décadas de prática como psiquiatra pode ser facilmente atribuída a este estado de coisas.

Assim, a tentativa de curar tais casos tem de começar pela eliminação do caráter de exigência que o neurótico sexual geralmente imputa e atribui à realização sexual. Elaborei a técnica por meio da qual este tratamento pode ser implementado, em artigo publicado no International Journal of Sexology, em 1952.[8] O que desejo afirmar aqui, contudo, é o fato de que nossa cultura atual - que, devido à motivação delineada acima, idolatra a realização sexual - contribui ainda mais com o caráter de exigência experimentado pelo neurótico sexual e, assim, com a sua neurose.

O uso da pílula, que permitiu maior exigência e espontaneidade às parceiras, encorajou involuntariamente esta tendência. Autores americanos observam que o movimento de liberação feminina, por ter libertado as mulheres de antigos tabus e inibições, trouxe como uma de suas consequências que até mesmo as colegiais se tornaram muito mais exigentes quanto à sua satisfação sexual, reclamando-a de seus colegas de escola.[9] O resultado paradoxal foi uma nova série de problemas chamados de “impotência colegial” ou “a nova impotência”.[10]

Os tabus e inibições vitorianos estão desaparecendo, e, à medida em que essa liberdade verdadeira vai sendo obtida, um passo à frente está sendo dado. Porém, a liberdade ameaça degenerar em mera permissão e arbitrariedade, a menos que seja vivenciada em termos de responsabilidade. É por isso que não canso de recomendar que a Estátua da Liberdade da Costa Leste seja complementada por uma Estátua da Responsabilidade na Costa Oeste.


NOTAS:

[1] Frankl, V.E., “Psychotherapy and Existentialism”, Washington Square Press, Nova Iorque, 1967.

[2] Eibl-Eibesfeldt, I., “Frankfurter Allgemeine Zeitung”, 28 de fevereiro de 1970.

[3] Frankl, V.E., “The Doctor and the Soul”, Vintage Books, Nova Iorque, 1973.

[4] Frankl, V.E., “Man’s Search for Meaning”, Pocket Books, Nova Iorque, 1963.

[5] Frankl, V.E., “Encounter: The Concept and Its Vulgarization”, The Journal of the American Academy of Psychoanalysis, 1 (1973), p. 73.

[6] Frankl, V.E., “The Feeling of Meaninglessness: A Challenge to Psychotherapy”, The American Journal of Psychoanalysis, 32 (1972), p. 85.

[7] Frankl, V.E., “Sede de Sentido”, Quadrante, 087706-9 (código do catálogo).

[8] Frankl, V.E., “The Pleasure Principle and Sexual Neurosis”, The International Journal of Sexology, 5 (1952), p. 128.

[9] Ginsberg, G.L., Frosch, W.A. and Shapiro, T., “The New Impotence”, Arch. Gen. Psychiat., 26 (1972), p. 218.

[10] Konrad Lorenz mostrou não ser somente entre os humanos que o caráter de exigência ou, no que diz respeito ao assunto, a agressividade sexual por parte da fêmea pode resultar na impotência do macho; isto ocorre também entre os animais. Existe uma espécie de peixe cujas fêmeas costumam nadar “de modo faceiro” para longe dos machos em busca de acasalamento. Todavia, Lorenz conseguiu treinar uma fêmea a fazer o oposto - aproximar-se à força do macho. A reação deste? Exatamente a que suspeitaríamos que um colegial demonstrasse: completa incapacidade de concluir a relação sexual!

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Nota Editorial:

Na citação de abertura do texto acima, com palavras de Fritz Kunkel,  substituímos a palavra “vícios”, que em português tem uma conotação extremamente negativa e específica, pela palavra “erros”,  mais ampla e comum a todos. 

O artigo é reproduzido da obra “A Visão Espiritual da Relação Homem & Mulher”, Compilação de Scott Miners,  Editora Teosófica, 1992, Brasília, 257 pp., pp. 69-75. Reprodução autorizada pela Editora Teosófica. O texto foi escrito no século 20, mas a sua atualidade durante o século 21 continua sendo revolucionária. Título original: “A  Despersonalização do Sexo”.

(CCA)

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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26 de junho de 2015

AS MEDICINAS ALTERNATIVAS

Uma Visão Teosófica de Certos Métodos de Curar

Carlos Cardoso Aveline

  




Existem várias formas de medicina alternativa e outras tantas práticas que podem preservar e melhorar a saúde. Serão todas elas eficientes? O uso do discernimento é necessário em cada aspecto da vida, e convém examinar quantas destas medicinas e práticas são, de fato, confiáveis.

Há numerosas referências favoráveis em relação aos Florais de Bach.  Os vários tipos de alimentação vegetariana melhoram a saúde. A alimentação macrobiótica tem curado, em alguns casos, doenças graves.  A natação e o Tai-Chi-Chuan são outras práticas que possuem efeitos benéficos.  A aromaterapia, a fitoterapia, a acupuntura, a medicina chinesa antiga e a medicina homeopática são altamente recomendáveis, quando bem exercidas. H.P. Blavatsky escreveu, por exemplo, que cada loja teosófica deveria ter um pequeno dispensário homeopático. [1]

O que dizer, porém, de práticas como reiki, cura prânica, passes magnéticos e coisas semelhantes, hoje relativamente populares em meios chamados “esotéricos”?  Em torno de reiki, por exemplo, circulam frequentemente altas somas de dinheiro. Há  perigo em tais práticas? Qual o seu real significado?  E até que ponto a mistura de interesses econômicos pessoais com práticas de “cura espiritual” constitui um agravante em relação a procedimentos que, em si mesmos, já são arriscados?

Helena P. Blavatsky viveu no século 19, mas o seu pensamento parece estar mais atual do que nunca no século 21. E ela tem algo a dizer sobre este tema.  Ela chama atenção para o fato de que a diferença entre a magia altruísta e a magia egoísta está, sobretudo, na meta, na motivação e na ética. O objetivo determina os meios.  Eis a advertência feita por H.P.B. no ano de 1890:

“À medida que a preparação para o novo ciclo avança e os pioneiros da nova sub-raça aparecem no continente americano, os poderes psíquicos e ocultos latentes no homem começam a germinar e a crescer. Disso surge o rápido crescimento de movimentos tais como Ciência Cristã, Cura Mental, Cura Metafísica, Cura Espiritual, e assim por diante. Todos estes movimentos representam apenas diferentes aspectos do exercício destes crescentes poderes - que até agora não foram compreendidos, e portanto são com muita frequência mal usados, sem que haja qualquer conhecimento. Entendam, de uma vez por todas, que não há nada ‘espiritual’ ou ‘divino’ em qualquer uma destas manifestações. As curas realizadas por elas se devem simplesmente ao exercício inconsciente de poder oculto nos planos inferiores da natureza - normalmente no plano do prana ou corrente vital. As teorias contraditórias de todas estas escolas estão baseadas em uma  metafísica mal compreendida e mal aplicada, e frequentemente em falácias lógicas grotescamente absurdas.”

H.P.B. prossegue:

“Mas uma característica comum à maior parte delas, uma característica que atrai um grande perigo, é a seguinte. Em quase todos os casos os ensinamentos destas escolas levam as pessoas a pensar que o processo de cura é aplicado à mente do paciente.  Aqui está o perigo, porque qualquer processo deste tipo - por mais astuciosamente disfarçado que seja com palavras e escondido por expressões faciais inocentes - significa simplesmente a dominação mental do paciente. Em outras palavras, sempre que o curador interfere - consciente ou inconscientemente - na livre ação mental da pessoa que ele está tratando, isto constitui - Magia Negra.  As chamadas ciências da ‘cura’ já estão sendo usadas como meio de vida. Não vai demorar para que algum esperto descubra que pelo mesmo processo as mentes das pessoas podem ser influenciadas em muitas direções diferentes.  Como a motivação egoísta de obter ganhos pessoais e dinheiro já se misturou com tais práticas, aquele que era ‘curador’ pode ser levado insensivelmente a usar o seu poder para adquirir riqueza material ou algum outro objeto do seu desejo.”

E ainda:

“Este é um dos perigos do novo ciclo, agravado enormemente pela pressão da competição e da luta pela existência. Felizmente, novas tendências também estão aparecendo, e elas estimulam a mudança da base da vida diária das pessoas desde o egoísmo para o altruísmo. (.....) O que eu disse no ano passado permanece verdade, isto é, que a Ética da Teosofia é muito mais importante do que qualquer divulgação de leis e fatos psíquicos.  Estas leis e fatos se referem inteiramente à parte material e passageira do homem setenário, mas a Ética  é absorvida e guia o homem real - o eu superior reencarnante.  Nós somos, externamente, criaturas de um único dia; por dentro, somos eternos.” [2]

É preciso levar em conta também as causas das doenças e as lições que elas trazem ao indivíduo. Em seus Escritos Reunidos, H.P. Blavatsky nos dá um argumento ainda pouco conhecido contra as chamadas “curas mentais”, e a favor das curas iniciadas por processos físicos.  Ela explica que as doenças físicas não surgem por acaso.  Elas são efeitos de fatos sutis. O ato de enfrentar as doenças físicas por métodos comuns, com auxílio de processos curativos iniciados no plano físico, produz um aprendizado. Nosso organismo aprende a reagir e a defender-se, e podemos refletir, durante o processo,  sobre como nos relacionamos com a saúde, com a doença, e com a vida física como algo que é transitório.  Quem já não percebeu que uma gripe forte é uma ocasião para que o corpo e a alma se renovem e aprendam algo com o período de recolhimento forçado?  As curas “milagrosas”, ocorridas de fora para dentro, removem apenas os efeitos e os sintomas da verdadeira doença e da verdadeira imperfeição. O carma que deveria ser enfrentado e transmutado através da doença continuará sem solução, sendo apenas adiado para outro momento, talvez para outra vida. No final da década de 1880 a srta. Susie Clark, praticante de curas mentais, escreveu que não havia necessidade de os líderes teosóficos tomarem remédios, porque os recursos da cura mental eram infinitos. Em resposta, H.P.B. foi clara e abordou o conceito de “carma postergado”:

“Evidentemente, a srta. Clark não pensou que ‘os teosofistas notáveis’ usam remédios por causa de alguns efeitos do Carma sobre suas vidas, e devido às propriedades ocultas destes remédios. Aparentemente, ela tampouco pensou no que se chama de  ‘Carma postergado’; nem que, talvez, devido a um excesso de atenção dada ao seu corpo, ela esteja colhendo um efeito agradável pelo qual, em vidas futuras, ela terá de pagar; e nem que, ao usar sua mente de modo tão estranho para curar seu corpo, ela pode ter removido suas enfermidades do plano material para o plano da mente...” [3]

Em seguida, H.P.B. menciona a arrogância e o orgulho como os primeiros sinais da transferência de uma doença física para o plano moral e mental.  Desta afirmativa podemos deduzir que, entre outras coisas, certos desafios na área da saúde são necessárias lições de humildade em relação à vida física. Os cuidados com a saúde ensinam a alma a viver com mais atenção e simplicidade.   

Assim, o conhecimento da lei do carma e da reencarnação nos permite lembrar que não há efeito sem causa, nem doença física sem uma imperfeição que a originou. A filosofia esotérica ensina a combater também a origem, e não só os efeitos do sofrimento. A medicina correta responde ao sofrimento físico no nível físico e vital, sem pretender eliminar artificialmente este sofrimento, o que faria apenas com que ele retornasse para o plano sutil de onde surgiu.   

O mais correto é aplicar as medicinas físicas para combater os efeitos, e usar a teosofia - a medicina da alma -, para eliminar as causas do sofrimento. Para a filosofia esotérica, toda prática de “magia” com fins de ganho pessoal é pior do que inútil. Tampouco se admite, em teosofia, a busca do desenvolvimento artificial de siddhis inferiores.  Só quando a arte de curar é um dom natural do indivíduo, e quando este dom é utilizado com total altruísmo, não existe um veto.  Na carta 111 de “Cartas dos Mahatmas” (Editora Teosófica), um Mestre aprova em 1883 a realização de uma experiência de cura mesmérica. Nos primeiros anos do movimento teosófico, Henry Olcott, um colega de H.P.B., realizou curas magnéticas durante algum tempo, até receber ordens de interromper a prática.  Estes eram os tempos pioneiros, e tais práticas eram feitas sob a supervisão de raja-iogues proficientes em ocultismo. Mais tarde começou a mistura de dinheiro e de interesses pessoais com tais curas.  Em 1890, aproximava-se o final da missão de H.P.B. Era necessário alertar para o fato de que tais práticas começavam a cair nas mãos de pessoas espiritualmente ignorantes, e o conhecimento passava a ser usado de um modo que acabava por aumentar o sofrimento.  

Hoje o que se faz na área das medicinas alternativas “sutis” está amplamente comercializado. E também parece inexistir um sistema estabelecido e eficaz de verificação da ética e da eficácia, especialmente nos casos de curas prânicas, reiki, passes magnéticos e práticas semelhantes. Por estes e outros motivos, a teosofia original recomenda evitar as “curas mentais” e demais formas de uso de poderes psíquicos inferiores. A filosofia esotérica autêntica ignora os “siddhis inferiores” - aqueles “poderes” que respondem a motivações do eu pessoal e dos seus interesses de curto prazo.  A meta do estudante da filosofia teosófica é o contato ampliado com o seu próprio eu superior. Ele se concentra na calma expansão da sua consciência individual em direção à unidade consciente com as leis do universo. Este é o tesouro que está nos céus, e o resto lhe será dado por acréscimo.

A clara distinção entre as coisas ocultas que na realidade pertencem ao mundo inferior e as realidades ocultas que pertencem de fato ao mundo espiritual, constitui um ponto decisivo em teosofia. Em seu nível inferior, o mundo oculto ilude; em seu nível superior, ele liberta. 

NOTAS:

[1] Veja o antepenúltimo parágrafo do texto de HPB “O Progresso Espiritual”, na seção “Helena Blavatsky” de www.FilosofiaEsoterica.com .   HPB  também abordou com simpatia e respeito o tema da homeopatia em outros textos, estabelecendo uma relação entre esta prática medicinal e a alquimia.

[2] Traduzido do livreto “Five Messages From H.P. Blavatsky To The American Theosophists”, Theosophy Company, Los Angeles, 1922, 32 pp., ver pp. 26 e 26. O livreto reúne cinco mensagens mandadas por HPB aos teosofistas norte-americanos em quatro das suas reuniões anuais, em 1888, 1889, 1890 e 1891. “Five Messages está disponível em PDF em www.FilosofiaEsoterica.com ,  www.TheosophyOnline.com e outros dos nossos websites associados. Uma edição em papel dos mesmos textos (com ilustrações e um estudo histórico) é “H.P. Blavatsky to the American Conventions - 1888-1891”, T.U.P., Pasadena, Califórnia, 1979, 74 pp.

[3] Veja o volume X de “Collected Writings of H.P. Blavastsky” (TPH, Adyar, Índia,1988), texto The Empty Vessel Makes the Greatest Sound”, pp. 285-288, especialmente p. 287.

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O texto acima foi publicado pela primeira vez, sem indicação de nome de autor, no boletim “O Teosofista”, edição de julho de 2009.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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