1 de Setembro de 2014

AS SETE CLÁUSULAS DE UM COMPROMISSO

Examinando o Voto Original da Escola
Esotérica Fundada por Helena Blavatsky


Carlos Cardoso Aveline
  


A sétima cláusula do compromisso esotérico corresponde ao
centro da estrela de seis pontas das tradições judaica e oriental.


Um artigo de 1888, publicado por H. P. Blavatsky e reproduzido mais tarde em publicações ligadas à Loja Unida de Teosofistas [1], revela o conteúdo do voto feito pelos membros da Escola Esotérica fundada em Londres por H. P. B.

Assinado por “Alguém que Assumiu o Compromisso”, o artigo é especialmente importante para quem busca compreender o processo da aspiração ao discipulado e não pretende aderir às fraudes esotéricas criadas depois de 1895 pela sra. Annie Besant - que rompeu seu compromisso de ser leal à verdade. Annie Besant não falhou isoladamente. Diversos outros líderes cegos adotaram o caminho da fantasia, e vários deles fazem ou fizeram parte do movimento teosófico.

Quando visto desde um ponto de vista não-burocrático, o compromisso original de 1888 continua cada dia mais válido no século 21,  e permanecerá inspiradoramente vivo no futuro. Ele nunca teve validade desde uma perspectiva de letra-morta.

O breve texto possui sete cláusulas, das quais a sétima permaneceu não-numerada. [2]

Para compreender o ponto de vista adotado no presente artigo, o leitor deve levar em conta um fato essencial, esquecido por muitos e lembrado por poucos. De acordo com o ensinado por Helena Blavatsky e pelos Mahatmas dos Himalaias, o estudante só pode obter as qualificações necessárias ao discipulado leigo através da autopreparação e do mérito individual, e não por aderir externamente a qualquer “escola esotérica”.  

Em outras palavras, dizer “amém” é inútil. Antes de desejar, é preciso merecer.

O único templo válido para os teosofistas dotados de bom senso está localizado no coração e na consciência de cada estudante. Este é o santuário em que podem ser feitos votos e assumidos compromissos. Por outro lado, os estudantes sinceros que perseveram estão invisivelmente  ligados a um contexto mais amplo e mais elevado. Este ponto é esclarecido pelos Mestres em diversos trechos das “Cartas dos Mahatmas”.

Apresentamos a seguir as sete cláusulas do compromisso da escola esotérica de 1888, com comentários.

1. Eu me comprometo a me esforçar para fazer da Teosofia um fator vivo em minha vida.

No primeiro item, cabe examinar o que é a teosofia. Ela não consiste apenas dos seus ensinamentos escritos, embora tais ensinamentos apontem para ela e - quando são estudados da maneira correta - sejam um mapa eficaz do caminho até ela.

A teosofia é a sabedoria viva e universal presente sob várias formas em todas as nações e tradições culturais. É também a filosofia do altruísmo e do amor à vida eterna, ilimitada.

A nossa capacidade de compreender a teosofia depende da nossa eficácia ao renunciar a metas inferiores e ao perceber como se desdobra na prática nossa unidade essencial com o Universo. O primeiro compromisso esotérico é portanto o de fazer uma tentativa constante de viver o ensinamento na existência diária.

O esforço não deve estar limitado ao curto prazo. Nada de espetacular ocorre quando um estudante toma uma decisão séria e profunda em relação à sua vida espiritual. Testes grandes e pequenos surgirão a seu tempo, assim como virá a ajuda do seu próprio eu superior, sempre de acordo com as possibilidades cármicas do momento em que ele vive.

A segunda cláusula do Compromisso feito pelo estudante perante sua própria consciência diz o seguinte:

2. Eu me comprometo a apoiar, diante do mundo, o movimento teosófico, os seus líderes e os seus membros.

O movimento teosófico não é uma corporação ou estrutura burocrática. Tal como definido por William Q. Judge [3], ele é a comunidade dos seres que buscam construir um futuro melhor e mais fraterno para a atual humanidade. O movimento inclui os estudantes sinceros e dedicados da teosofia moderna, mas não está limitado a eles. Um axioma afirma que há verdadeiros teosofistas que não são membros do movimento teosófico visível, e há membros do movimento teosófico organizado que não são verdadeiramente teosofistas.

Por que motivo eu deveria, então, para buscar um aprendizado ético mais elevado, fazer o que está a meu alcance para ajudar a comunidade parcialmente invisível das almas sábias que ajudam a humanidade?

A resposta é epistemológica: relaciona-se com a natureza do conhecimento que estou buscando. A substância do conhecimento teosófico não está nas palavras. O território onde ele existe e vive é o altruísmo. O discipulado só pode ocorrer numa dimensão universal ou planetária de altruísmo.

Discipulado implica provação. Devo apoiar diante do mundo o real movimento teosófico e seus verdadeiros ensinamentos. Talvez seja necessário combater ilusões ritualísticas e outras formas de ignorância organizada. Ao fazer isso, enfrentarei um determinado número de perigos e obstáculos. Graças a eles, purificarei minhas motivações. Gradualmente eliminarei minha própria ignorância espiritual enquanto ajudo outros a avançar na mesma direção.

O caminho para a sabedoria é naturalmente íngreme e cheio de desafios. Os caminhos confortáveis levam a outros lugares. O autossacrifício inteligente por uma causa nobre expande a influência do eu superior na vida diária do indivíduo. Ele também capacita o estudante para merecer ajuda interna e alcançar conhecimento direto sobre as leis do universo.

A terceira cláusula aprofunda o compromisso, tornando obrigatório o autotreinamento em coragem moral. Agora o estudante afirma:

3. Eu me comprometo a nunca escutar sem protestos alguma coisa má ser dita sobre um irmão teosofista, e a me abster de condenar outros.

Cabe examinar o que, exatamente, é uma “coisa má”, dita sobre um irmão ou irmã.  

Uma coisa má é uma falsidade ou uma crítica inverdadeira. A intenção das palavras é destrutiva, e a pessoa que comete esta ação não assume responsabilidade pelo que falou. A falsidade pode ser dita de modo ostensivo ou pode ser insinuada de modo venenoso, sob a aparência de um comentário inocente e feito de passagem. A crítica venenosa não está fundamentada e não é submetida a uma análise racional. A crítica sincera, por outro lado, é aberta, fundamentada, e dá direito à defesa.

A terceira cláusula não proíbe a diversidade de opiniões. Se um companheiro de caminhada está errado, ele será decisivamente ajudado pela minha sinceridade.

O diálogo livre e a abertura do grupo para a honestidade mútua impedem a hipocrisia. A sinceridade deve ser administrada com cuidado. Ela não é um sinal verde para críticas pessoais, que devem ser evitadas.

Cada estudante tem aspectos mais claros e mais escuros em seu carma pessoal. Em uma associação de buscadores da verdade, as pessoas devem admitir que são humanas. É correto o exercício da humildade a respeito das suas falhas: o movimento teosófico não precisa de sepulcros caiados. Por outro lado, a mira constante no ideal de progresso e perfeição humanos [4] constitui um fator essencial.

Pensar excessivamente nos erros dos outros - que às vezes são imaginários - é resultado de uma dificuldade de cumprir o nosso próprio dever e de desenvolver as nossas potencialidades criativas.  

Toda crítica deve estar limitada a questões filosóficas. Enquanto houver boa vontade e honestidade em um estudante, ele está OK e suas qualidades positivas devem ser estimuladas, ainda que o processo probatório torne alguns dos seus defeitos bastante visíveis durante algum tempo.

A ajuda mútua ao longo do caminho exige bom senso.  Os estudantes devem concentrar-se na filosofia da verdade e da compaixão universais e pensar bem uns dos outros, enquanto  mantêm um olhar severo diante das falhas humanas, usando tal severidade com cautela.

É correto exercer especial vigilância quando surgem pensamentos amargos em relação aos erros e defeitos que enxergamos em nossos colegas de caminhada. Se há mais amargura que serenidade em meu pensamento, devo perguntar-me qual é a minha própria frustração pessoal que estimula a perda da atitude construtiva. Em que aspectos devo aumentar meu próprio autorrespeito, de modo a respeitar mais os outros?  Como posso estimular o melhor em cada um dos meus colegas? Os erros são superados através do fortalecimento daquilo que é saudável. Um fator altamente salutar é o espírito crítico que resulta da confiança na vida.

Nenhum ataque injusto e inverdadeiro contra os fundadores do movimento teosófico pode ser aceito, nem sequer indiretamente, em circunstância alguma. Sejam disfarçados ou não, tais ataques prejudicam diretamente o centro da aura magnética do movimento, tirando-o do rumo correto e fazendo com que os seus líderes absorvam o carma indescritivelmente infeliz da deslealdade para com a verdade, para com seus próprios eus superiores, e para com instrutores sagrados.

Uma lealdade sincera e inteligente em relação às nossas fontes de inspiração mantém a aura do movimento equilibrada e cria uma atmosfera favorável para uma boa aprendizagem. O sentimento de gratidão produz harmonia entre colegas de estudo. Agradecer de coração é um privilégio cármico e uma bênção no plano individual. Desta forma, o aspirante à sabedoria esotérica passa a estar à altura da próxima cláusula do compromisso.

4. Eu me comprometo a manter uma luta constante contra minha natureza inferior, e a ter compaixão pelas fraquezas dos outros.

Não há necessidade de acentuar conflitos neuróticos ao longo do caminho teosófico. Nossa natureza inferior ou “eu instintivo” merece respeito. Trata-se de um instrumento valioso na vida física e emocional.

Devo assumir o compromisso de manter uma luta constante contra os impulsos pouco sábios e os maus hábitos que haja em minha natureza inferior. A meta não é “aniquilar”, desrespeitar nem agredir o meu eu inferior ou corpo físico através de ascetismos exagerados. [5] Sadomasoquismo não é uma atitude filosófica.

A teosofia e o budismo ensinam o caminho do meio e da moderação. Um calmo processo de autopurificação permite que a luta seja constante. O progresso gradual constrói vitórias sustentáveis.

Se vejo minha autopurificação como prioridade, terei tarefas suficientes para fazer na busca desta meta, e interferir com a vida de outras pessoas não será um objetivo central. Posso tentar ajudar meus colegas, assim como eles estão convidados a ajudar-me.

O estudante deve ter compaixão, portanto, pelas fraquezas dos outros. Por outro lado, é seu dever lutar contra todo abuso de seres inocentes. O nazismo, o antissemitismo e outras formas de comportamento criminoso não poderão ser aceitas sob o pretexto da compaixão mencionada na quarta cláusula.

Ter compaixão pelas fraquezas dos outros significa que cada estudante irá estimular neles as suas melhores potencialidades. Isso inclui estimulá-los a ver seus próprios erros. Ao defender a ética, o estudante deve deixar claro que a sua própria perspectiva está em desenvolvimento e necessita ser constantemente melhorada. Um diálogo honesto e construtivo é essencial entre amigos sinceros e co-discípulos, à medida que eles aprendem uns com os outros de várias formas. E isso nos leva à próxima cláusula.

5. Eu me comprometo a fazer tudo o que estiver ao meu alcance, através de estudo e de outros meios, para preparar-me de modo que possa ajudar e ensinar a outros.

Este nível do compromisso aborda a pedagogia da aprendizagem teosófica. Devo expandir meus conhecimentos e preparar-me para ensinar outras pessoas com eficácia, inclusive através do meu exemplo.

Como todos os seres estão em unidade cármica, é ajudando os meus semelhantes que posso realmente ajudar a mim mesmo. O progresso individual é obtido à medida que eu tenho como meta de longo prazo ajudar os outros em suas tentativas de encontrar a felicidade.  

Se desejo alcançar a bem-aventurança, devo deixar de lado o sentido de “eu” separado. A consciência em mim que alcança a libertação é impessoal. Este nível de percepção da vida já é a própria liberdade: meu eu inferior deve apenas colocar-se em harmonia com ele.

Um aspecto importante da cláusula cinco está no fato de que, ao preparar-me para ajudar outros, devo fazer “tudo o que estiver ao meu alcance”. Necessito, portanto, calcular bem as minhas forças: é preciso decidir o que está ao meu alcance, e o que não está.

A qualidade da concentração deve ser fortalecida. Uma mente dividida tem pouca utilidade. Os aspectos autocontraditórios da minha mente devem ser compreendidos e alquimicamente transmutados. Desenvolver a concentração significa abandonar ou adaptar o que é de importância secundária e dificulta a realização da meta central.

Enquanto buscamos a luz, pontos obscuros surgirão. É quando tentamos enxergar que os pontos cegos são direta ou indiretamente revelados. Inicialmente os obstáculos podem parecer invencíveis, mas a ideia é falsa.

A paciência de fazer sempre o melhor que podemos a cada instante constitui uma das chaves decisivas da vitória. O verdadeiro progresso ocorre no longo prazo e de maneira frequentemente invisível.

O penúltimo aspecto do compromisso é um desdobramento natural dos itens anteriores.

6. Eu me comprometo a dar todo o apoio que puder ao movimento em tempo, dinheiro e trabalho.

A cláusula número seis se refere ao fato de que a vida concreta do aspirante à sabedoria deve estar dedicada a uma causa nobre. Muitos dedicam as suas vidas a metas pessoais e sentem o preço asfixiantemente alto de estar preso a horizontes estreitos.

Há uma relação direta entre a substância da nossa alma e a natureza das nossas metas na vida. Os objetivos generosos expandem e libertam a mente. Eles mostram que nossas possibilidades espirituais são ilimitadas. E nisso uma boa dose de realismo é indispensável.  

Em qualquer encarnação, há muitos tipos e níveis de objetivos a serem buscados. O eu inferior tem uma importância decisiva. Os seus horizontes são legítimos, na medida em que a minha alma for honesta. O valor das metas do meu eu inferior aumenta na medida em que elas se tornam parte de uma visão maior da vida e se colocam em harmonia com um propósito nobre e impessoal.

Não basta tomar a decisão de “dar todo o apoio que puder” ao projeto de ajudar a humanidade a dar novos passos na direção da fraternidade universal. Como vimos na cláusula anterior,  eu preciso também decidir o que é exatamente que eu posso e não posso fazer nesta direção. A decisão é complexa, por causa da natureza intangível do meu potencial ilimitado. 

No começo, as possibilidades práticas serão pequenas. Isso não importa. Ações pontuais de cooperação sincera são seguras e dão bons resultados. Devemos usar nosso discernimento quanto às ações a serem desenvolvidas.

Apoiando calmamente um projeto altruísta que consideramos eficaz, as nossas potencialidades se desenvolvem. Aos poucos o horizonte se expande. O bom carma da ação correta nos protege cada vez mais, e o processo vivo da paz incondicional se expande, assim como aumenta a necessidade de vigilância.

O sétimo item do Compromisso feito pelo estudante perante sua própria consciência não está numerado no texto de 1888.  Referindo-se às seis cláusulas anteriores, ele diz o seguinte:

7. Que Assim Me Ajude o Meu Eu Superior.

A cláusula final estabelece a natureza interna do compromisso e indica “na presença de quem” ele é selado.

O voto não é uma promessa feita a este ou aquele líder, guru ou deus. Não é um compromisso com o diretor de alguma escola esotérica.

Trata-se de uma decisão individual, feita pelo estudante perante sua própria consciência, o seu eu superior, sua alma espiritual.

Os seus companheiros de caminhada podem ser testemunhas desta decisão. Mas o templo diante do qual o voto é feito está no seu próprio coração. É o antigo e sagrado Templo da Autorresponsabilidade. [6]

A sétima cláusula evoca Antahkarana, a ponte viva entre o eu inferior e o eu superior de cada ser humano. O contato com o mais alto é ampliado com maior rapidez através da prática diária dos seis itens anteriores. [7]

Em geometria, este compromisso de sete cláusulas tem uma relação com a estrela de seis pontas das tradições oriental e judaica.

A sétima cláusula do compromisso é oculta, ou essencial. Ela permanece não-numerada nos textos teosóficos. Do mesmo modo, a sétima e invisível ponta da estrela de seis pontas está no seu centro, e não pode ser percebida nem compreendida através da lógica comum.

Assim como o dinamismo da estrela oriental-judaica contém a roda da vida, cujo centro está por toda parte,  o dinamismo das seis cláusulas numeradas do compromisso teosófico é garantido pela sua sétima cláusula, a cláusula central, que evoca o eu superior do estudante.

Nossa alma espiritual transcende locais geográficos ou situações particulares no tempo. Ela é universal, impessoal, e não tem sentido de separação. Ela é a luz divina em nossa consciência. Tentar escutá-la é uma decisão correta.

O processo de ampliação do contato com o nosso próprio eu superior é inseparável de uma longa série de testes que desafiarão o nosso discernimento e a nossa determinação. Em outras palavras, devemos aprender, e avançar, enquanto enfrentamos provações. Ao longo da caminhada, morrerá em nós apenas aquilo que não é imortal.


NOTAS:

[1] O texto “O Significado de um Compromisso” foi publicado pela primeira vez por H. P. Blavatsky em setembro de 1888. Foi reproduzido na revista “Theosophy”, de Los Angeles, nas edições de novembro de 1914 (pp. 25-29) e dezembro de 1953 (pp. 53-58); e por “The Aquarian Theosophist”, em janeiro de 2013. O artigo está disponível em www.FilosofiaEsoterica.com  e seus websites associados.

[2] Sobre a aspiração ao verdadeiro discipulado, veja em  www.FilosofiaEsoterica.com  a seção temática “Mahatmas, Discípulos e a Busca do Discipulado”.  

[3] O artigo “O Movimento Teosófico”, de William Q. Judge, está disponível em nossos websites.

[4] Leia o artigo “Comentários à Escada de Ouro”, de Carlos Cardoso Aveline, que está disponível em nossos websites.

[5] Leia sobre este tema o artigo “O Respeito Pelo Eu Inferior”, de Carlos Cardoso Aveline, que pode ser encontrado em www.FilosofiaEsoterica.com  e seus websites associados.

[6] Leia o artigo “A Força de um Compromisso Sagrado”, de Carlos Cardoso Aveline, que pode ser encontrado em www.FilosofiaEsoterica.com  e seus websites associados.

[7] A velocidade aumentada acentua os desafios do caminho.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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30 de Agosto de 2014

O PROGRESSO DO TRABALHO DOCENTE

Notas Sobre a Pedagogia do Autoconhecimento

Regina Maria Pimentel de Caux





O anseio por milagres é cultural, e é um gesto que mostra ignorância. Muitos educadores dizem: - eu gostaria que a escola fosse assim!  A atitude mostra desconhecimento e também impotência. As transformações ocorrem através de uma aspiração consciente rumo de uma ação contínua, num eterno desdobrar-se. O progresso educacional advém do trabalho por um ideal.

Se a educação é um processo contínuo de busca de um saber ampliado e aprofundado, de um viver inteiro, é preciso que os indivíduos estejam inteiros nessa busca. Iluminar o espaço desse trabalho e buscar o seu sentido, bem como estimular seu desenvolvimento fundamentado dos valores humanos e da perspectiva ética, é descobrir rumos na direção de uma vida mais justa e feliz.

Aderir ao novo paradigma educacional significa aceitar que alguns princípios aparentemente certos já não são mais válidos. Cabe ver e sentir com força a unidade de tudo e todos. John Garrigues afirma que nossas ações estão sempre de acordo com as visões que temos da vida, do tempo e da lei divina. E acrescenta:

 “A crença governa a conduta. (...)  Se nós reconhecermos a unidade da vida que se estende por todo o universo, nós teremos cuidado para não agredir a nenhuma das suas manifestações, e reconheceremos que a fraternidade [universal] não é apenas um sentimento, mas uma lei em vigor e que não pode ser evitada.” [1]

A preocupação ética se constitui na preocupação com o outro e tem a ver com sua aceitação. A indiferença é uma atitude de distanciamento e anula totalmente o outro em sua humanidade. No espaço escolar verdadeiramente democrático as ações e relações sustentam-se em princípios éticos, as identidades se afirmam no diálogo, na justiça, no respeito mútuo e na fraternidade.

O artigo 6º das Diretrizes Curriculares Nacionais afirma que “na Educação Básica, é necessário considerar as dimensões do educar e do cuidar, em sua inseparabilidade, buscando recuperar, para a função social desse nível da educação, a sua centralidade, que é o educando, pessoa em formação na sua essência humana.” O reconhecimento do outro e o respeito a ele devem coexistir com o autoconhecimento e a exigência de respeito da parte dele. Isto vale para todas as instâncias da vida.

Antônio J. Severino escreveu:

“A escola é o lugar do entrecruzamento do projeto coletivo e político da sociedade com os projetos pessoais e existenciais dos educadores. É ela que viabiliza a possibilidade de as ações pedagógicas dos educadores tornarem-se educacionais, na medida em que as impregna das finalidades políticas da cidadania que interessa aos educandos. Se, de um lado, a sociedade precisa da ação dos educadores para a concretização de seus fins, de outro, os educadores precisam do dimensionamento político do projeto social para que sua ação tenha real significado enquanto mediação da humanização dos educandos.” [2]

Quantas vezes já não se ouviu um aluno dizer que o professor deu uma ótima aula? Certamente ele trouxe contribuições à descoberta do mundo pelos alunos, proporcionou a interação, a criatividade, a cooperação, a valorização do progresso, a alegria na construção do conhecimento.

Ensinar à luz destas contribuições traz todo dia o desafio de olhar para a experiência do ensinante-aprendiz. Esse trabalho serve para expandir a visão de nós mesmos como seres autoconscientes em evolução.

A teosofia abre espaço para a forma de aprendizado ensinada e estimulada pelos Mestres orientais de Sabedoria. O conhecimento pode, e deve, ser testado diretamente pelo aprendiz, que confirma por si próprio sua veracidade. Além de crescer em conhecimento, o estudante, à medida que avança, também cresce em capacidade de aprender.  Helena P. Blavatsky escreveu em “A Chave Para a Teosofia”:

“Se tivéssemos dinheiro, fundaríamos escolas que não produzissem candidatos alfabetizados à miséria. Deveríamos ensinar às crianças, acima de tudo, a autoconfiança, o amor por todos os homens, o altruísmo, a caridade mútua e, mais do que qualquer outra coisa, a pensar e raciocinar por si mesmas. Reduziríamos o trabalho puramente mecânico da memória a um mínimo absoluto e dedicaríamos todo o tempo ao desenvolvimento e treinamento dos sentidos internos, das faculdades e das capacidades latentes.”[3]

O progresso do trabalho docente está em superar a opressão, a fragmentação do conhecimento e possibilitar o diálogo dos saberes e práticas, promover o autoconhecimento, o autodesenvolvimento e superar a massificação que se revela decorrente da globalização.

O conhecimento de si mesmo não é fácil de obter e só pode ser alcançado gradualmente. É necessário obter níveis crescentes de autoconhecimento, isto é, de conhecimento do nosso Verdadeiro Eu.  Blavatsky apresenta o modo de alcançar o autoconhecimento:

“A primeira condição necessária para obter autoconhecimento é tornar-se profundamente consciente da ignorância; sentir com  cada fibra do seu coração que se é incessantemente autoiludido. O segundo requisito é uma convicção ainda mais profunda de que tal conhecimento - um conhecimento intuitivo e seguro - pode ser obtido por  esforço próprio. A terceira condição, a mais importante, é uma determinação indômita de obter e enfrentar  aquele conhecimento.”[4]

O professor deve se transformar no conhecedor de si mesmo, da sua própria cotidianidade e da cotidianidade dos alunos, já que ensinar é também aprender. Neste sentido as dúvidas, a indiferença, a curiosidade, a falta de interesse dos alunos, devem ser assumidas como desafios pelo professor.

NOTAS:

[1] “Consciência Ética ou Interesse Pessoal”, de John Garrigues, artigo disponível em www.FilosofiaEsoterica.com.

[2] “Compreender e Ensinar, Por uma Docência da Melhor Qualidade”, Terezinha Azeredo Rios, Cortez Editora, p. 127.

[3] “A Chave da Teosofia”, H. P. Blavatsky, Ed. Teosófica, Brasília, 2004, pp. 233-234.

[4]Como Alcançar o Autoconhecimento”, de Helena P. Blavatsky, texto publicado em  www.FilosofiaEsoterica.com .

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A educadora mineira Regina Maria Pimentel de Caux é licenciada em Pedagogia, com Pós-graduação em Processo Ensino-Aprendizagem e Psicopedagogia.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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FELICIDADE AQUI E AGORA

O Bem-Estar Como Uma Questão Prática


Carlos Cardoso Aveline




A felicidade é uma meta central na vida. Mas ela não deve ser confundida com satisfação passageira ou com prazeres de curto prazo. A busca de prazer egoísta gera, isto sim, mais sofrimento para si e para os outros, a médio e longo prazo. A felicidade também não pode ser alcançada por tabela, nem indiretamente. É impossível conseguir carona no caminho da tranqüilidade interior.

Os filósofos gregos e romanos estudaram profundamente a arte, e a ciência, de ser feliz. A filosofia antiga vê teoria e prática como inseparáveis e  por isso está construída em torno da busca concreta da  plenitude do ser humano. Na nova era, a filosofia antiga deve ser retomada porque ela ensina o caminho da felicidade.

Hiparchus  escreveu:

“Já que os homens vivem apenas um período muito curto, se sua vida for comparada ao tempo eterno, eles farão, digamos, uma viagem mais bonita se passarem pela vida com tranquilidade.”  O paradoxo é: “já que a vida é curta, devemos viver com calma”.

A corajosa aceitação das dificuldades é um ponto comum de pitagóricos, socráticos, estóicos e neoplatônicos.  Quando você finge para si mesmo que a vida deve ser uma coisa mole e fácil, está plantando sofrimento. Mas quando você não falsifica a realidade e aceita os fatos duros da vida, está colocando em ação as causas da liberdade interior, da grandeza de alma e da sabedoria.

Felicidade é algo que ocorre aqui agora, quando deixamos de lado a pressa, o medo e a ambição pessoais, mergulhando na tranqüilidade incondicional para escutar a voz do silêncio.[1]  


NOTA:

[1]  Leia mais sobre felicidade prática no livro “O Poder da Sabedoria”, de Carlos Cardoso Aveline, Editora Teosófica, Brasília, terceira edição.

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Sobre a missão do movimento teosófico, que envolve o despertar da humanidade para a vivência da fraternidade universal, veja o livro “The Fire and Light of Theosophical Literature”, de Carlos Cardoso Aveline. 


A obra tem 255 páginas e foi publicada em outubro de  2013 por “The Aquarian Theosophist”. O volume pode ser comprado através de Amazon Books.

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ONZE AFORISMOS DA TRADIÇÃO JUDAICA

Refletindo Sobre
Fragmentos da Teosofia Universal

Carlos Cardoso Aveline




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Uma versão inicial do texto a seguir
foi  publicada anonimamente na edição
de março de 2008 do boletim “O Teosofista”.

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Há  milênios diferentes povos e nações registram a sabedoria eterna em frases e pensamentos curtos, que são memorizados e passados de geração em geração por tradição oral.

Séculos antes da era cristã, começaram a ser popularizados os documentos escritos.  Até hoje a tradição oral da filosofia prossegue ao lado da tradição escrita, e são freqüentes os “ditados populares” carregados de conhecimento profundo.  

Escritos ou falados, tais fragmentos trazem em poucas palavras a sabedoria das idades.  Sua brevidade os torna eloqüentes.  Eles produzem paz interior naquele que reflete com calma sobre eles. 

No espírito desta tradição,  reproduzimos, com comentários, uma pequena seleção de aforismos clássicos dos rabinos Maimônides e Tibban, originalmente publicados por Helena Blavatsky em sua revista mensal  “The Theosophist”.[1] Os aforismos estão em negrito. Os nossos comentários se seguem em linhas independentes.

1) Nunca morre aquele que vive pela sabedoria.  

É imortal aquela  parte do ser humano que vivencia o conhecimento eterno.

2) O coração é o tesouro oculto do ser humano.

Está no coração o único templo verdadeiro. 

3) A sabedoria é uma árvore que cresce no coração.

E esta árvore deve crescer até que, como é da sua natureza,  dê frutos sem nada esperar em troca.

4) Reduzir o alimento prejudicial é melhor do que comer alimentos que fazem bem. 

Este princípio vale tanto para os alimentos físicos como para os alimentos emocionais e mentais.

5) Se você não pode obter o que deseja, fique satisfeito com aquilo que não precisa desejar. 

Uma  vida simples elimina as fontes de preocupação e sofrimento.

6) Não há riqueza comparável ao contentamento.

A felicidade está em nada desejar pessoalmente.

7) Um herói só se mostra em época de desgraças.

É diante das dificuldades que se revela o verdadeiro caráter de alguém.

8) O caminho para o Éden é difícil, mas os caminhos para Tope (o inferno) são fáceis.

 Muitas vezes o que é bom não é agradável e, freqüentemente, o que é agradável não é bom. O Éden e o inferno são imagens simbólicas: indicam estados de espírito vividos pela alma humana durante a vida física, e também entre duas encarnações.

9) Nenhuma crítica surtirá efeito sobre aquele que não critica a si mesmo. 

Sábio é aquele que aprende com seus erros.

10) Não é correto que um homem lamente o que perdeu. Ao invés disso,  deve cuidar bem daquilo que ainda permanece com ele.

O desapego, a perseverança e a responsabilidade são três princípios básicos para levar uma vida correta.

11) Se quiser associar-se a alguém, mostre ao indivíduo um erro cometido por ele. Se reconhecer o erro, ele é confiável. Caso contrário, deixe-o de lado.  

A verdadeira amizade só pode ocorrer quando não há uma casca externa feita de orgulho e aparências. Como destacou Marco Túlio Cícero, a amizade não pode ser uma cumplicidade visando beneficiar interesses egoístas.

NOTA:

[1] Os onze aforismos foram selecionados do texto “Aphorisms of the Sages”, em  “The Theosophist”, Madras/Chennai, Índia,  Janeiro de 1885, p. 85.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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