30 de janeiro de 2015

ATUANDO NO PLANO DAS CAUSAS

Por Que os Teosofistas
Não Dão Demasiada Atenção aos Efeitos

Carlos Cardoso Aveline





Tanto no mundo material como no plano da realidade sutil, tudo o que ocorre de modo perceptível já aconteceu antes, necessariamente, no plano das causas.

Cada evento que é percebido por alguém teve a sua cadeia de causação colocada em movimento antes de se tornar um fato consumado.

As causas, em si mesmas, são invisíveis.  Os fatos externos podem ser detectados pelos cinco sentidos, mas quando os mesmos fatos se transformam em Causas e geram consequências, a sua ação já não é tão fácil de perceber, a menos que haja uma atenção e um exame adequados por parte do observador. Aquele que busca a verdade deve ter uma estrutura de consciência que não fique presa à vasta rede cármica dos efeitos que interagem entre si.

As causas dos fenômenos são Ocultas à visão externa, e o Ocultismo ou teosofia é uma ciência das Causas. Ela estuda o que está além dos aspectos aparentes dos seres, das ações e das situações.  

Os estudantes atentos de teosofia buscam as Fontes dos acontecimentos.  Eles combatem os Alicerces, e não apenas os sintomas, do Sofrimento e da Ignorância.  Eles produzem e estimulam as Causas de libertação interior. Preferindo agir no plano Causal, frequentemente deixam que os efeitos cuidem de si mesmos. Este é um sentido oculto da famosa frase “Que os mortos enterrem os seus mortos” (Mateus, 7: 22).

De fato, a vida está sobretudo nas causas. Os pequenos fatos são a origem dos grandes acontecimentos. A vitalidade flui desde o plano oculto - a dimensão da semente - para o plano da germinação, isto é, dos pequenos resultados. Em seguida, o que é pequeno se transforma no que é grande.  Finalmente, as grandes estruturas tendem a desaparecer, de acordo com a Lei dos Ciclos. Deste modo elas abrem espaço para que novas sementes germinem e novas formas de vida cresçam, tornando visíveis outros aspectos da Vida Oculta e Infinita.

O Desejo de cada indivíduo tem uma relação preferencial com os efeitos, assim como a sua Vontade ativa está relacionada com o mundo das Causas.  Os Sábios e os Ocultistas seguem a lei da conservação da energia e focam seu esforço central nas Causas, para não perder demasiado tempo com aquilo que dificilmente pode ser mudado ou evitado - os efeitos.

Dirigindo as Causas, o indivíduo pode influenciar melhor o mundo dos efeitos. Geralmente a recíproca não é verdadeira. É bem mais difícil influenciar o mundo das Causas agindo desde o mundo dos efeitos. No entanto, causa e efeito não podem ser separados. Cada efeito é também uma causa, e cada causa, um efeito.  No Tripitaka, o cânone budista, o “Sutra dos Preceitos do Discípulo” afirma:

“Meu filho, se o bodhisattva pode contemplar causa e efeito, o efeito da causa e a causa do efeito, ele pode deste modo romper as causas e os efeitos, e obter causas e efeitos. Se o bodhisattva pode romper e obter causas e efeitos, isso é chamado de  ‘o  efeito do Dharma’ [1], o rei de todos os dharmas, e o autocontrole de todos eles.” [2]

Nas “Cartas dos Mahatmas” encontramos a seguinte definição sobre o que é filosofia esotérica:

“Nossa filosofia se encaixa na definição de Hobbes. Ela é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas suas causas e das causas por seus efeitos (...).” [3]

De acordo com o budismo, os doze Nidanas formam a “cadeia de causação” da vida e do sofrimento dos seres humanos.  Os nomes tradicionais dos Nidanas [4] servem como exemplos para estimular o estudo e a observação da cadeia de causação presente em cada aspecto da vida. Tal cadeia de causação é, naturalmente, a cadeia do carma. Ela é a rede simétrica de apegos e rejeições, desejos e medos, formas de prazer e formas de dor.  É esta cadeia que transforma os seres humanos em prisioneiros cegos do ciclo desconfortável de nascimento e morte.

Nas Cartas dos Mahatmas, depois de descrever o mundo nidânico dos apegos humanos, um Mestre de Sabedoria faz uma pergunta difícil a um discípulo leigo que queria ter um diálogo mais de perto com os sábios dos Himalaias. O Mestre escreveu, referindo-se aos homens e mulheres comuns:

“Irá você tentar - para diminuir a distância entre nós - libertar-se da rede da vida e da morte em que todos eles estão presos (.....) ?” [5]

De fato, tudo depende de cada indivíduo. A libertação só pode ser verdadeira se for autolibertação.

O Carma é o grande professor, e a Vida nos dá valiosas oportunidades para que aprendamos.

No início de cada novo ciclo do tempo - um novo ano, uma nova década ou um novo dia de 24 horas - nós temos condições mais propícias para focar nossa consciência em uma compreensão adequada das Causas da ignorância, para evitá-las; e das Causas da obtenção da Sabedoria, para colocá-las em movimento de modo mais intenso, definido e eficaz.

NOTAS:

[1] Dharma: Do sânscrito, dever, lei, doutrina, ensinamento.

[2] “The Sutra on Upasaka Precepts”, BDK English Tripitaka, Translated from the Chinese of Darmaraksa, Numata Center for Buddhist Translation and Research, 1994, 225 pp., ver p. 38.

[3] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Brasília, 2001, edição em dois volumes, Carta 88, volume II, p. 54.

[4] Veja a lista dos doze Nidanas no item correspondente do “Glossário Teosófico” de H. P. Blavatsky, Ed. Ground,  SP.

[5] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Carta 47, volume I, p. 214. 

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O artigo acima foi publicado pela primeira vez em inglês nos websites   www.TheosophyOnline.com , www.Esoteric-Philosophy.com  e www.FilosofiaEsoterica.com .  Título original: “Setting Causes in Motion”.  A presente  tradução foi feita pelo próprio autor e, portanto,  não é necessariamente literal em todos os parágrafos.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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26 de janeiro de 2015

SETE IDEIAS PARA UMA VIDA TEOSÓFICA

Há Uma Paz Incondicional ao Longo do Caminho


 Carlos Cardoso Aveline



           

Viver como os sábios vivem. Agir corretamente, e assim conhecer as possibilidades ilimitadas do nosso eu superior, nossa alma imortal. Esta ciência deveria ser estudada desde as escolas de primeiro grau até os níveis de pós-graduação das universidades.

No ensino convencional, os estudantes aprendem uma combinação de coisas boas com coisas inúteis. Grande parte do aprendizado é superficial. São obrigados a colocar informações na sua memória para passar de ano. Enquanto estudam algo novo, esquecem aquilo que haviam memorizado no mês passado.

A capacidade de atenção e concentração dos alunos é baixa porque seus problemas emocionais são grandes. A mesma desorientação marca mais tarde a vida profissional e familiar. Como se pode viver da maneira mais correta possível?

A Teosofia não é uma disciplina como História ou Geografia, em que se tem êxito apenas acumulando dados e informações. O aprendizado da vida precisa recomeçar sempre a cada dia. Você nunca pode afastar-se do nível básico. Se pensar que sabe muito, é porque esqueceu o fundamental.

Para viver a filosofia esotérica é preciso não aprender certas coisas, como a mentira, e desaprender outras, como o egoísmo. Você terá de ser um autodidata. Deve ser seu próprio mestre, decidindo o que incorpora e o que não incorpora ao seu universo pessoal.

Há incontáveis caminhos e disciplinas ensinando a ciência da vida a milhões de pessoas com diferentes temperamentos, idades e formações culturais. Não existe uma fórmula dogmática e única para todos em qualquer momento da vida. O caminho se faz ao andar, como diz o poeta espanhol Antonio Machado. Quando ficamos presos a um pedaço limitado da sabedoria humana, nosso horizonte se estreita e a falsa sensação de segurança causada pela rotina mental logo passa a asfixiar-nos. “Há doutrinas que são como a vidraça da janela”, escreveu Gibran Khalil Gibran. “Vemos através delas, mas elas nos separam da verdade.”[1] Por isso é sábio pensar por nós próprios e incorporar à nossa vida o que vemos de melhor em cada religião, ciência e filosofia.

A seguir trago para reexame do leitor algumas ideias básicas da antiga ciência de viver.  O método de aprendizagem é experimental: o laboratório prático é a existência diária de cada um.

1) Estar de bem com a vida só depende de você

“Você é a fonte de todas as suas emoções”, diz Anthony Robbins. “A qualquer momento você pode criá-las ou modificá-las. Para muitos sentir-se mal é ‘natural’, e precisamos de ‘um motivo’ para nos sentirmos bem. Mas você não precisa de desculpa para sentir-se bem. Pode decidir que vai se sentir bem agora mesmo, simplesmente porque está vivo, simplesmente porque quer estar bem. Não precisa esperar nada, nem ninguém.”[2]

Pare sua leitura agora por um instante.  Feche os olhos. Respire fundo e relaxe. Lembre que no cosmo inteiro reina a paz, a mesma paz que há no fundo do seu coração. Experimente, por um momento, profundamente, esta verdade: “Só o fato de estar vivo é motivo mais do que suficiente para estar de bem com a vida.”

O compromisso com nossa própria alma merece ser renovado regularmente. Ele é o primeiro passo para viver com sabedoria.

2) Defina a meta da sua existência

“Trabalho é amor feito visível”, escreveu Khalil Gibran. “Se você não pode trabalhar com amor, mas só com desgosto, é melhor deixar seu trabalho, sentar-se na porta do templo e pedir esmola àqueles que trabalham com alegria.” [3]

O objetivo da nossa vida não pode ser alcançado sem esforço. Precisamos trabalhar para obtê-lo.  Mas será que ele está bem claro diante de nós? Foi bem escolhido? Tire um momento para examinar a sua consciência. Defina ou redefina claramente sua meta, antes de trabalhar por ela. Lembre que:

A) Quanto mais nobre for sua meta, menos você correrá o risco de sofrer decepções, porque estará livre da ilusão de esperar recompensas; e

B) Um dos maiores prazeres que o ser humano conhece é a alegria do dever cumprido.

3) Tenha fé em si mesmo e no seu futuro

A confiança em si mesmo decorre inevitavelmente do contato com a alma imortal.

O estudante sincero de teosofia não perde energia com inveja porque tem fé em si mesmo, no seu eu superior e na lei universal. Tendo autoconfiança, sua atitude diante da vida é positiva, e está pronto a ajudar outros.

Uma das maiores desgraças que podem ocorrer a um ser humano é a perda do ânimo e da alegria de construir um futuro saudável. Mas toda desgraça é provisória: permanente é a nossa conexão com a luz. O autorrespeito provoca um sentimento de respeito pelos outros: o respeito pelos outros expande nossa autoestima. 

4) Integre a palavra, a emoção, a intenção e o gesto  

“Aquilo que pode ser dito, mas não praticado, é melhor não dizer. Aquilo que pode ser praticado, mas não dito, é melhor não fazer”, disse o sábio zen Baiyun.[4]  Viver eficientemente significa viver com integridade. É recomendável pensar o que sentimos e sentir o que pensamos. Deve haver harmonia entre ação, sentimento e pensamento. O sábio é feito de uma peça só - embora possa ser visto sob ângulos diferentes. É exatamente por sua integridade que ele vive em paz. “Viver é algo que não depende de nós, mas viver corretamente, sim”, disse Sextus, o pitagórico.[5]   

Desenvolvendo a força da alma, o peregrino resiste às pressões do mundo externo. Ele alcança esta meta pelo velho método da tentativa, do erro, e da correção do erro.

5) Abra espaço no cotidiano para a busca da sabedoria

A luta contra as causas do sofrimento ocorre dentro do ciclo de 24 horas. O discernimento é fundamental.  Como se pode diferenciar o real do ilusório, o verdadeiro do falso?

Um mestre de sabedoria responde:

“Primeiro, precavendo-se contra as causas do autoengano. E isso você pode fazer dedicando-se, em determinada hora ou horas fixas, a cada dia, totalmente só, à autocontemplação, a escrever, a ler, a purificar suas motivações, a estudar e corrigir seus erros, ao planejamento do seu trabalho na vida externa. Estas horas deveriam ser reservadas como algo sagrado para este propósito, e ninguém, nem mesmo o seu amigo ou seus amigos mais íntimos, deveriam estar com você naquele momento. Pouco a pouco sua visão ficará clara, você descobrirá que as névoas se dissipam, que suas faculdades interiores se fortalecem... e a certeza toma o lugar das dúvidas.”[6] 

Você pode, e merece, dedicar algum tempo para si mesmo todos os dias. Cabe dividir esse tempo entre várias atividades, como ler, meditar, registrar seus pensamentos em um diário e observar os avanços e recuos em seu esforço por viver com sabedoria.

Lembre-se: quanto mais você descobrir a luz dentro de si, menos encontrará luz fora. É preciso aprender a dar apoio aos outros sem esperar apoio deles. Não é realista agir corretamente só porque a outra pessoa age corretamente.  Fazer o melhor deve ser uma decisão incondicional: caso contrário não teria mérito.

6) Saiba esperar; avance lentamente; evite todo excesso

“A paciência é a sabedoria da espera”, afirma um ditado chinês. E ainda: “A paciência é uma árvore com raízes amargas e frutos doces.” Freud escreveu que saber esperar é essencial para viver bem. A paciência é tão importante quanto o entusiasmo e a decisão de agir intensamente. Todas as virtudes são diferentes formas da mesma sabedoria: elas andam em grupo e se  complementam umas às outras. Não devemos sintonizar apenas com uma delas, portanto, mas com todas, se quisermos desenvolver a sabedoria. É correto trabalhar com tanta intensidade como se buscássemos um resultado imediato e total, mas tendo a paciência de quem não espera ver o resultado desse esforço. Para saber esperar é preciso aprender a calar. Os chineses têm vários provérbios a respeito:

“Pense antes de falar, mas não fale tudo o que pensa”;
“O coração do tolo está na boca”; e
“Quem passa o tempo todo falando não tem tempo para pensar”.

Por outro lado, a virtude da paciência não é apenas a capacidade de conter ou reprimir ansiedade. Ela brota de um estado interior de paz.

No portal do oráculo de Delfos, na Grécia antiga, havia duas inscrições. Uma era “Conhece a ti mesmo”; a outra, “Nada em excesso”. A moderação, como o bom senso, é a pedra de toque da busca espiritual e da ciência de viver. Quando se adota uma meta elevada e nobre, surgem logo os perigos da ansiedade e do exagero. “Para viver bem e por muito tempo, seja moderado”, diz um ditado chinês. “A ganância entra no coração para roubar a paz de espírito”, acrescenta outro ditado.  

Buddha desenvolveu a doutrina do Caminho do Meio, que evita os dois extremos da indulgência e do ascetismo exagerado. O sábio dá tempo ao tempo e guarda sua energia para agir com toda força no momento mais adequado. Muitas vezes a ação do sábio é imperceptível, porque ele é capaz de inspirar silenciosamente a ação correta nas outras pessoas. “Só sei que nada sei”, dizia humildemente Sócrates, o maior sábio grego. O bom governo, diz o taoísmo, ordena as coisas de modo tão natural que ninguém percebe a presença do governante. A função do líder não é ser o centro das atenções, mas dar atenção aos liderados.

7) Faça exercícios físicos moderados diariamente, ao ar livre  

Em todo sistema magnético ampliado, o fio-terra é fonte indispensável de segurança. Caminhar é uma bênção. A respiração profunda, que vem com o exercício físico moderado, é uma ideia-chave para viver melhor. Caminhar em ambientes abertos amplia e harmoniza prana, a força  vital.[7]

A respiração correta põe a coluna vertebral na posição ereta, o que fortalece ao mesmo tempo a sustentação do corpo e a estruturação da consciência. O funcionamento intensificado da respiração otimiza os batimentos cardíacos, atrai emoções elevadas e afasta maus pensamentos. Estimula em nós uma atitude capaz de aproveitar as oportunidades que a vida oferece e de aceitar obstáculos, tirando lições sem sofrimentos desnecessários.

Somos essencialmente energia, e possuímos por algum tempo corpos que pulsam no oceano da vida. A existência humana é um sopro, um ritmo, uma vibração: caminhar, entre outros exercícios moderados, dá a base energética indispensável para que aprendamos a viver em harmonia constante com o cosmo e com o eu superior.

NOTAS:

[1] “Parábolas”, Gibran Khalil Gibran, Acigi, 132 pp. Ver p. 46.

[2] “Passos de Gigante”, Anthony Robbins, 404 pp. Ver p. 207.

[3] “As Últimas horas de Gibran”, Gibran Khalil Gibran, Nova Época Editorial Ltda., p.7

[4] Sobre Baiyun, veja “A Arte da Liderança”, Thomas Cleary, Ed. Siciliano, p. 42.

[5] “The Golden Verses of Pythagoras and Other Pythagorean Fragments”, Kessinger Publishing Inc., EUA, 82 pp. Ver p. 48.

[6] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, transcritas e compiladas por C. Jinarajadasa, Ed. Teosófica, 295 pp. Ver p. 146.

[7] Veja o artigo “A Arte de Passear”, de Carlos Cardoso Aveline. O texto está publicado em www.FilosofiaEsoterica.com e seus websites associados.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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25 de janeiro de 2015

A CONSCIÊNCIA ALÉM DA LINGUAGEM

Inteligência Espiritual Desmonta a Torre de Babel

Carlos Cardoso Aveline


No alto da Torre de Babel, os dois anjos
simbolizam a sabedoria direta da alma espiritual



É com frequência no silêncio que percebemos as coisas mais importantes da vida, porque a consciência profunda é independente do pensamento e da linguagem.   

Pensemos por exemplo em alguém que examina suas próprias atitudes, dirige responsavelmente seus pensamentos e sentimentos e luta para que haja mais ética no mundo.

Essa pessoa pode agir sem a intenção consciente de “trilhar um caminho espiritual”.  Pode até pensar que o “caminho esotérico” é uma questão de ler certos livros, ir a reuniões e dominar uma linguagem verbal relativa às  coisas sagradas, usando com jeito amável determinado número de conceitos filosóficos.

Mas a ideia é falsa.

Uma pessoa pode passar décadas participando de rituais ou lendo e discutindo o caminho espiritual nos termos mais elevados - e não trilhá-lo de fato. Enquanto isso, outro indivíduo pode estar treinando a si mesmo com eficácia na trilha do autoconhecimento transcendental, sem saber do fato, no plano verbal. Pode estar avançando no verdadeiro aprendizado místico, enquanto pensa que está apenas “lutando consigo mesmo para dominar suas contradições e ser menos infeliz”.

Por esse motivo os espiritualistas que desejem cultivar o Tao e não só falar sobre ele, ou fazer a alquimia e não só discutir sobre ela, devem desenvolver a arte de “parar o discurso mental”, desembarcando da corrente das palavras ou símbolos, para viver o treinamento em si, sem a mediação da linguagem.

A linguagem, seja ela falada, escrita ou simbólica, pertence ao tempo e ao mundo externo.  Mas a consciência está, essencialmente, além, ou aquém, do tempo e do espaço convencionais.

Por outro lado, também é verdade que se pode expandir a consciência e libertá-la da palavra, enquanto ainda se segue usando palavras como meio de investigar a verdade, seja em uma conversa em grupo, seja lendo ou escrevendo.

Nesse caso, uma parte da consciência se expressa pelo cérebro verbal, mas o centro de gravidade da consciência se desloca para o cérebro não-verbal.  O cérebro não-verbal pode estar plenamente ativo, sem que o cérebro verbal tenha que ser desligado.  Assim se desperta, gradualmente,  a inteligência espiritual, buddhi-manas, a união da alma imortal com a mente pensante.

“O tempo pára” no centro da consciência, enquanto o cérebro verbal está ativo e a palavra flui. A consciência se expande. Ampliada, ela é maior do que as palavras. Ela deixa que o máximo fluxo possível da sua substância seja expressado através de palavras e gestos,  enquanto ao mesmo tempo contempla, imóvel e inspiradora, o fenômeno multidimensional da simpatia magnética ou comunhão. Tal unidade e união continuam muito tempo depois de as palavras cessarem com o final de uma conversa ou reunião no plano físico. 

O fluxo da linguagem e o fluxo da consciência são, pois, dois processos ligados entre si, mas diferentes.

A linguagem depende da consciência, mas a consciência é independente da linguagem.

Quando a consciência produz linguagem, ela flui de cima para baixo, como água livre. Mas, ao contrário, quando é a linguagem do sagrado ou da sinceridade que produz um tipo superior de consciência, então a consciência sobe como o vapor de uma água fervente.  A ebulição da água corresponde à tensão criadora do esforço por transcender os muros da palavra.

A luta entre a consciência que é ampla e a palavra que é estreita faz com que a água atinja o ponto de ebulição. Então a mensagem vai de alma para alma e ultrapassa o cérebro verbal, embora ele esteja plenamente ativo.  E o processo ocorre de modo perfeitamente espontâneo e natural.

Na verdade, as palavras nem sempre foram necessárias. As primeiras raças humanas, afirma H. P. Blavatsky, não necessitavam de linguagem como meio de comunicação. 

Blavatsky explica que a primeira raça-raiz era uma “raça etérea”, e seus indivíduos eram “os filhos astrais do Ioga”. Seus indivíduos - “nascidos por si mesmos”  - não usavam linguagem no sentido que damos hoje a esse termo. Eles tampouco atuavam em um plano mental denso como o nosso. Blavatsky acrescenta que eles se comunicavam pelo que hoje se chamaria de transferência de pensamento, embora o pensamento como tal ainda estivesse muito pouco desenvolvido.  Seus corpos pertenciam à Terra, e suas mônadas [almas imortais] permaneciam em um plano superior. [1] 

Se a primeira raça não necessitava de linguagem, a segunda raça-raiz possuía uma linguagem de sons “cantados”, compostos unicamente de vogais.

A terceira raça-raiz desenvolveu, inicialmente, uma linguagem que imitava os sons da natureza, ou seja, construída à base de onomatopeias. Mais tarde a terceira raça fez com que surgisse lentamente um idioma monossilábico, que foi aprimorado na quarta raça e cujas características, em parte, ainda estão presentes nos idiomas atuais do extremo oriente, como o chinês e o japonês.  As futuras raças desenvolverão novamente uma comunicação humana plenamente independente das palavras. Estamos, agora, na segunda metade da quinta raça-raiz. Os primeiros, pálidos e precários raios de luz da sexta raça-raiz já se fazem sentir. Já é possível ir além do pensamento movido pelo interesse pessoal estreito - ou do pensamento colocado a serviço da astúcia - e unir pensamento claro com sentimentos nobres e intuição. Esse será o primeiro passo para desmontar, lentamente, a Torre de Babel e o amontoado de discursos que, criados para comunicar e unir, acabam separando e causando incomunicação. No alto da torre de Babel, a luz da alma transcende toda linguagem.

Como abrir espaço para essa sabedoria?

O autoconhecimento e a autopurificação não podem ser deixados de lado. A prática da ação correta permite a contemplação eficaz. Um coração puro aprende a falar sem palavras porque a sua substância é a substância da verdade universal. O estudo comparado das diferentes culturas, religiões, filosofias e ciências mostra que a verdade é maior do que a soma de todas as suas descrições verbais ou visuais.    

NOTA:

[1] Veja o volume II, pp. 198-199 da obra “The Secret Doctrine”, de H.P. Blavatsky, Theosophy Co., Los Angeles, USA.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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19 de janeiro de 2015

IDEIAS AO LONGO DO CAMINHO - 3

Construindo Uma Sintonia
Diária Com o Que é Sagrado

Carlos Cardoso Aveline




* No silêncio da alma, a verdade brilha indelével.

* A paz e a sabedoria fluem sem ruído, em harmonia com a lei do universo.  

* A chave para a concentração da mente está na renúncia ao que não tem importância primordial.

* Em pensamento e na fala, o uso das palavras deve ser incondicionalmente respeitoso no plano pessoal.

* Uma ausência de barulho rodeia o que é belo: o cumprimento do dever é um caminho seguro para a bem-aventurança.

* Nenhuma ação religiosa ou política deve ser colocada acima do amor pela verdade e da justiça imparcial.  

* O equilíbrio imóvel é fácil de quebrar. Um equilíbrio durável é dinâmico. É criativo. Avança como a vida cósmica, em constante renovação.

* Planejar nossas ações requer o uso da vontade, mas aumenta a eficiência.

* O planejamento é tão importante quanto a capacidade de olhar a vida como se não houvesse planejamento. Um espírito criativo renova os planos de ação, preservando-os no que têm de mais importante. Devemos planejar de modo que se mantenha a liberdade de olhar para a vida desde novos pontos de vista, sem deixar de lado a continuidade e a perseverança nas ações corretas.

* Ciclos longos têm aspectos essenciais em comum com ciclos mais curtos. O renascimento pode ser consciente e inteligente no curto prazo. A cada dia é possível morrer para aquilo que não vale a pena e nascer de novo para o que é valioso. Renunciando à ausência de atenção, a bem-aventurança é alcançada.

* A vida frequentemente nos ensina a ser disciplinados. E quando a vida necessita disciplinar-nos é porque não tivemos suficiente autodisciplina. O autocontrole nos fortalece. A moderação é fonte de paz, e faz com que as circunstâncias ao nosso redor pareçam suaves.

* O pioneiro age desde uma visão correta do futuro saudável que aguarda pela humanidade.  Cabe desenvolver uma ação abrangente e que se desdobra em várias dimensões, criando a cada passo fatos irreversíveis.   

* A ansiedade, uma doença dos tempos atuais, condena suas vítimas a viver superficialmente. É falsa a sensação de “intensidade” que o indivíduo ansioso experimenta. A espuma superficial nada tem da profundidade do oceano.

* A paz interior produz uma intensidade vital profunda,  que vai além do verniz das emoções de curto prazo. A teosofia pode ser definida como a ciência da lei universal.

* O aprendiz que busca o caminho da sabedoria deve perseverar no plantio de bom carma a cada momento, usando de coragem quando necessário mas evitando o excesso de audácia.

* Devemos ser igualmente capazes de esperar, permanecer em silêncio, tomar decisões fortes e agir sem hesitação. É nosso dever ouvir sobretudo a voz suave da nossa consciência.

* A voz da nossa alma não precisa usar palavras. Para ouvi-la, basta que haja uma ausência de ruídos mentais e emocionais.

* Alguns evitam instintivamente escutar a sua própria alma. A causa disso é um medo subconsciente de sentir a incômoda dor do remorso, ao perceber seus erros. O remorso, porém, é um sinal de alerta necessário do ponto de vista prático. Ele permite que o erro seja identificado e corrigido.

* O movimento teosófico necessita de coerência e integridade. A sabedoria esotérica autêntica ensina que o conhecimento filosófico deve ser testado com dureza na vida diária, para que não se transforme em mera pretensão ou fingimento “bem-intencionado”.

* O autocontrole e a autodisciplina produzem felicidade incondicional. Uma vida baseada no princípio da simplicidade voluntária torna possível desenvolver um foco vitorioso em nossas ações.

* Pensamentos sem rumo devem ser evitados por causa do seu magnetismo negativo. Cada ideia que passa por nossa mente precisa ter um propósito claro, porque somos  responsáveis diante do carma por ela e pelos seus resultados.

* Uma visão impessoal de nós mesmos é a melhor bússola que podemos usar. Ela nos capacita para trilhar o caminho do coração.

* Quando focamos a consciência em nossa alma espiritual, entramos em contato com a vida do universo.

* A ação concreta e a contemplação abstrata são igualmente necessárias. Elas reforçam uma à outra. O ato de contemplar as coisas universais expande nossa alma.

* A bem-aventurança nasce de um equilíbrio correto entre o silêncio e a palavra, a intenção e o gesto.   

* A tarefa do estudante de teosofia inclui colocar os acontecimentos de curto prazo no contexto maior do tempo eterno.

* Para enfrentar os desafios da vida diária, o ser humano tem dentro de si uma quantidade ilimitada de recursos. Entre eles estão o desapego, a coragem e a criatividade.   

* Todo espelho produz imagens simétricas. Uma relação de amor funciona como espelho, e ele pode estar sujo ou limpo. Pode ser exato, ou distorcer. Para ativar de modo sustentável o que há de melhor no ser amado, é preciso manter-se em contato com o que há de melhor em si mesmo.

* Somos todos aprendizes. Questionar e reexaminar as nossas premissas é saudável porque torna mais firmes os alicerces da ação. Mas o questionamento correto é responsável.  Ele leva à pesquisa e ao estudo do que é bom. A dúvida pela dúvida é tão ruim quanto a crença cega: as duas atitudes se alimentam de preguiça mental. 

* No âmago da alma, assim como nas circunstâncias externas, a vida combina estabilidade e mudança. E precisamos dos dois fatores. Há um momento para decidir pela continuidade, e um momento para mudar decididamente. A transformação não deve ser um salto no escuro. Precisa ocorrer com audácia e prudência, tendo à frente a meta solidária que se deseja obter através do trabalho duro e com base no mérito próprio. 

* Cada desafio que enfrentamos constitui um convite para avançar e fazer ainda mais esforços na busca dos nossos ideais. 

* A mente concentrada não “exclui” necessariamente aquilo que está fora do objeto escolhido para observação. Ela percebe a vida inteira. Ela transcende cada um dos aspectos manifestados da existência, e mantém seu foco central acima de todos eles.

* Abençoados são aqueles que examinam o que está abaixo da superfície das coisas, porque, na maior parte dos casos, as bênçãos estão ocultas sob aparências pouco agradáveis. Por outro lado, mais de uma influência nociva se apresenta como doce, agradável - e até divina.

* Nossos hábitos são nossos melhores amigos, ou nossos carcereiros impiedosos. Tudo depende das metas que temos na vida. Quando o propósito central é digno,  podemos examinar os hábitos um a um e ver quais entre eles ajudam a alcançar a meta básica da encarnação atual, e quais atrapalham.

* Os ciclos de ações negativas devem ser destruídos para que haja progresso: no lugar deles, bons hábitos precisam ser criados e fortalecidos. É um privilégio criar ritmos de vida crescentemente coerentes com o ideal de progresso e perfeição humanos.

* Ao longo da caminhada probatória, a bênção está nos níveis incondicionais de paz interior. 

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As reflexões acima foram publicadas inicialmente de modo anônimo nas edições de outubro e novembro de 2014 de “O Teosofista”.  

Embora o título “Ideias ao Longo do Caminho” corresponda ao título em língua inglesa “Thoughts Along the Road”, do mesmo autor, não há uma identidade exata entre os conteúdos das duas coletâneas de pensamentos.

Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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