21 de Setembro de 2014

AS SEIS VIRTUDES GLORIOSAS

Como a Sabedoria Permite Agir Corretamente  

Robert Crosbie


A estrela de seis pontas é um símbolo geométrico das
qualidades que permitem obter a sabedoria. O centro invisível
da estrela corresponde à sétima qualidade,  oculta e essencial.


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Este  texto foi traduzido do livro “The
 Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie,
Theosophy Company, Los Angeles, EUA, 1945,
416 pp.  Trata-se da Carta Vinte e Seis, da seção
“The Spirit in the Body”, às pp. 78-81 da obra.

(C.C.A.)

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“Tente; tente; permaneça tentando sempre.” 

“A compreensão é resultado de uma concentração nas coisas que devem ser compreendidas.” 

Para quem obedece a tais recomendações, vindas Daqueles Que Sabem, haverá um constante progresso. Os altos e baixos continuarão existindo, de acordo com a oscilação do pêndulo, ou, mais precisamente, de acordo com a volta da espiral. Conhecendo a lei da ação, podemos seguir adiante, quer estejamos no ponto mais alto ou no ponto mais baixo do ciclo. À medida que o tempo passa e a atitude correta é mantida, estaremos cada vez menos sujeitos às oscilações.

Seria desencorajador compreender desde o início o esforço contínuo que é necessário; mas à medida que a grandeza da tarefa que assumimos se torna mais e mais evidente, nós chegamos à situação representada pelas seis virtudes gloriosas, que é a de ser intrinsecamente incapaz de desviar do caminho correto.

No passado nós produzimos, ou criamos pelo pensamento  e reforçamos pela ação, numerosos seres elementais [1] da natureza de Prakritti [2]. Enquanto o nosso pensamento está de acordo com as naturezas desses elementais, não há grande conflito; mas quando nossos pensamentos deixam de dar sustentação a eles, começa a luta pela vida, e ela deve continuar até que esses seres criados por nós morram, ou sejam tão transformados que não causem mais obstáculos. Há então um novo Manvantara no nosso pequeno sistema solar [3], “um espírito-guia” que governa, controla, ou afasta todas as entidades ligadas à velha evolução, de acordo com a nota-chave da nova evolução. Assim, no estado concreto da velha, e no estado nebuloso da nova, temos que passar pelas Rondas preparatórias. A Grande Natureza repete sua ação de acordo com a Lei, assim no pequeno como no grande.

Quanto ao “trabalho mais difícil de reconciliação”, que cabe a você nesta questão de H______: você deve lembrar que eu disse em uma carta recente que queria que você se mantivesse em contato com os vários acontecimentos, de modo que pudesse observar a evolução das coisas - e ver quais são os resultados quando se usam certos métodos baseados em princípios, porque tudo isso traz lições objetivas.

Em primeiro lugar, não há possibilidade de um erro de avaliação; a regra deve ser “não julgue nada como se fossem questões pessoais”. Quanto às ideias deles, a  capacidade que eles tenham de compreender um conjunto implica uma capacidade de outros tipos. Se eles têm concepções erradas e são sensíveis à razão, as suas concepções erradas podem ser razoavelmente avaliadas por seus méritos - em si mesmas, primeiro, e depois na sua relação com outras concepções. Em tudo isso, deve-se procurar primeiro os pontos em que há concordância - todos eles; na verdade, deve-se mostrar uma  disposição de concordar. Em nenhum momento deve ser assumida, ou sentida,  uma disposição opositora - nem deve ser expressada ou colocada implicitamente uma superioridade de conhecimento. Se houver oposição, ainda que seja em pensamento, surge uma contra-oposição e o objetivo de esclarecer não é alcançado. Naturalmente, nada disso nos impede de ver as coisas como são, ou de deixar a porta bastante aberta para que outros vejam o que estamos fazendo.

Nosso trabalho ocorre entre pessoas cujas ideias estão em  forte oposição ao que nós conhecemos como verdade. Temos que fazer frente às ideias à medida que as encontramos, e colocá-las na direção que nós sabemos. Essa é uma situação diferente de uma palestra sobre Teosofia, onde estamos fazendo uma exposição para que outros possam ficar sabendo o que ela é.

Um dos frutos da sabedoria é a capacidade - até certo ponto, pelo menos - de fazer a coisa certa, no momento certo e no lugar certo. O objetivo de toda a ação correta é ajudar outros, que vemos e que sabemos que não estão corretos. Nossa visão e nosso conhecimento da sua situação atual nos dão indicações sobre o tipo e o modo da ajuda. Se os considerarmos incapazes, não poderemos dar-lhes ajuda alguma. Por isso, nós não julgamos, mas, assim como o Sol e a Natureza, tratamos a todos de igual maneira - brilhamos para todos, trabalhamos por todos, sem levar em conta as ideias que alimentam atualmente, ou as aparentes qualificações de cada um. Essa tem sido a trajetória de todos os grandes Instrutores. Eles vêm “não para chamar os santos, mas para chamar os pecadores ao arrependimento.” Todos têm tido os seus Judas, mas mesmo os Judas têm tido as suas oportunidades, como os outros; mesmo eles são intrinsecamente perfeitos, e, sendo dotados de livre arbítrio, podem aproveitar a oportunidade. O hino cristão que diz que “enquanto a chama está acesa, até o mais vil pecador pode recuperar-se” - expressa uma verdade. Assim, o que é que existe de real em tudo o que depende de julgamentos mortais? “Nada”, acho que você irá dizer, quando considerar a questão na sua dimensão mais ampla e à luz do Carma. O Carma traz oportunidades tanto para dar como para receber.

Não há pretensão de virtude, ou de conhecimento pessoal, no ato de dizer para benefício dos outros o que nós percebemos como bom para eles. Mas uma pretensão, e até mesmo um pensamento sobre virtude pessoal, prejudica, porque é pessoal. As percepções do eu superior neste plano ficam limitadas por esse tipo de coisa.

“Teu corpo não é o ser, teu Ser, em si mesmo, é sem corpo, não é alcançado nem por elogios nem por acusações.”

“A libertação mental da escravidão através da cessação do pecado e dos erros não é algo para os ‘Eus-Devas’ (os ‘eus’ reencarnantes). Isso é afirmado pela ‘Doutrina do Coração’.”

“O Dharma do ‘Coração’ é a corporificação de Bodhi (Sabedoria Verdadeira, Divina), o que é Permanente e Eterno.”

“Viver para ajudar a humanidade é o primeiro passo. Praticar as seis virtudes gloriosas é o segundo.”

As seis virtudes gloriosas são:

UM - “Sama.” Consiste em obter perfeito controle sobre a mente (a sede das emoções e desejos), e em forçar a mente a agir sob o comando do intelecto,  que  já terá  sido fortalecido pela obtenção de  -

( I ) “Correto conhecimento do real e do irreal” (correta filosofia).

( II ) “Perfeita indiferença aos frutos das suas ações,  tanto nessa vida como depois dela” (renúncia aos frutos das ações).

DOIS - “Dama.” Completo controle sobre os atos do corpo.

TRÊS - “Uparati.” Renúncia a toda religião formal,  e ser capaz de contemplar os objetos sem ser perturbado em nada durante a realização da grande  tarefa que assumiu como sua.

QUATRO - “Titiksha.”  Cessação  do desejo e uma constante disposição para abrir mão de qualquer coisa no mundo.

CINCO - “Samadana.” Aquilo que torna o estudante intrinsecamente incapaz de desviar-se do caminho correto.

SEIS - “Shradda.” Confiança implícita da parte do aprendiz no poder do seu Mestre de ensinar, e em  seu próprio poder de aprender.

SETE - Mais uma, a última realização requerida, é um intenso desejo de libertação da existência condicionada, e de poder transformar-se na Vida Una.

Embora alguns desses itens possam estar além do nosso alcance, nós podemos “avançar” na direção deles, e nós sabemos que a prática traz o aperfeiçoamento.

Bem, devo parar agora e mando a você o melhor que  tenho, com afeto.

Como sempre,  R. C. 


NOTAS:

[1] Elementais - os espíritos dos elementos (ar, fogo, terra, água); seres sutis que reforçam os hábitos e influenciam de várias maneiras o comportamento humano. Para a tradição esotérica,  têm uma certa inteligência. Podem  ser benéficos ou maléficos. O estudante da sabedoria divina aprende a dominá-los ao invés de obedecer-lhes.  (CCA)

[2] Prakritti -  (Sânscrito) Matéria, mundo material. (CCA)

[3] Manvantara é um período de manifestação de um Universo ou de um Sistema Solar. O autor faz aqui uma analogia entre o ser humano e o sistema  solar do qual ele é uma miniatura.  (CCA)

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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17 de Setembro de 2014

O TEOSOFISTA - SETEMBRO DE 2014


O pensamento de abertura desta edição de O Teosofista aborda o mistério do tempo e do carma:

Há um tempo para falar e um tempo para estar em silêncio; um tempo para ser invisível, e um tempo para ser visível.”

Nas páginas 1 e 2, o leitor encontra “A Força Magnética dos Livros”. Em seguida, Um Exame de Consciência: Os Dois Lados da Alma Mortal”.

À p. 4, “A Teosofia no Céu: Uma Diversidade de Passos Integrados”. Na continuação, “Caminhando Para 2015: O Despertar das Oportunidades”.

O Jardim da Alma Humana” e “Luz no Caminho, edição de 2014: Aprendendo a Ajudar a Humanidade” estão nas pp. 6 e 7. 

Nas pp. 8 a 10 temos o artigo “A Comunicação Não-Violenta”, de Maurício Andrés Ribeiro.
Outros temas da edição de setembro incluem os seguintes itens:

* A Beleza Invisível;

* Dialogando com o Universo;

* A Chave da Moderação;

* A Substância do Amor;

* Vivendo a Paz do que é Sagrado;

* The Fire and Light, Uma Obra Oportuna;

* A Vocação de Vitória; e

* Sete Reflexões Sobre a Caminhada.

A edição tem 18 páginas e traz também a Lista dos textos publicados mais recentemente em nossos websites associados.



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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a obra clássica “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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15 de Setembro de 2014

COMO OBTER LUZ NO CAMINHO

Seis Opções Para Ler Uma Obra Clássica

The Aquarian Theosophist




A obra “Luz no Caminho”, de M. C., tem tradução, notas e prólogo de Carlos Cardoso Aveline.

A edição luso-brasileira foi publicada por The Aquarian Theosophist em julho de 2014. O volume  tem 85 páginas e pode ser adquirido de várias maneiras, das quais citamos algumas.

1) Para Brasil e Portugal, por compra direta dos editores, no Facebook:

2) Para Brasil e Portugal, via pedido por e-mail direto aos editores:

3) Para Portugal e Europa, através do website Amazon - Europa (Reino Unido):

4) Para Brasil, no website “Estante Virtual”:

5) Para Brasil, no website “Livronauta”:

6) Para Brasil e Américas, através de Amazon - EUA:

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No Facebook, visite nossas páginas SerAtento, Brasil Atento, Portugal Teosófico, FilosofiaEsoterica.com, Vislumbres da Outra MargemCarlos Cardoso Aveline.

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14 de Setembro de 2014

AOS QUE NÃO TÊM TEMPO

Caminhar É Mais Fácil Com Pouca Bagagem

Carlos Cardoso Aveline





Em meio  às pressões da vida diária,  podemos sentir que  “não temos tempo” para o estudo e a meditação sobre os temas sagrados.  

Quando tal coisa ocorre,  este é um sinal seguro de que devemos  rever as nossas prioridades,  para não perdermos um tempo indevido com coisas de pouca importância real.  Não somos imortais, e gastar tempo em excesso com temas passageiros é agir como se pensássemos que vamos viver trezentos anos. 

Um velho livro de orações judaico ensina:

“Hillel disse: ‘Quem exalta seu próprio nome, perde seu nome; quem não aumenta seu conhecimento, faz com que seu conhecimento diminua; quem não busca adquirir sabedoria, desperdiça sua vida; e quem faz uso desprezível do conhecimento está jogando fora os seus poderes.’   Hillel também costumava dizer: ‘Se eu não ajo pelo meu bem, quem agirá pelo meu bem? No entanto, se eu ajo apenas pelo meu próprio bem, o que sou eu?  E se não agir agora, quando?’ ” [1]

E ainda:

“... E não diga ‘quando eu tiver tempo livre irei estudar’; você pode nunca ter tempo livre.” [2] 

Devemos tomar iniciativas práticas  no sentido de abrir espaço na vida diária para a busca da sabedoria.  O livro de orações cita estas palavras do rabino Tarphon:

“O dia é curto, o trabalho é muito, os trabalhadores são lentos, e o Mestre tem urgência.” [3]

Não há como usar bem o tempo, se não soubermos que ele é um bem precioso, ou  se não eliminarmos as prioridades de terceira e quarta  importância em nossa agenda pessoal.   Este é o primeiro passo.

O filósofo romano Lúcio Sêneca escreveu que a vida não é curta, mas pode parecer que ela não é suficientemente longa, se perdermos tempo demasiado com assuntos pequenos.  De fato, o segredo de uma boa e longa caminhada é não levar muita bagagem nas mãos,  mas ater-se ao fundamental. 

NOTAS:

[1] “Union Prayer Book for Jewish Worship”, Part I, Newly Revised Edition, The Central Conference of American Rabbis, Cincinnati, USA, 1953, 396 pp., ver p. 166.

[2] “Union Prayer Book for Jewish Worship”, obra citada,  p. 168.

[3] Obra citada, p. 169.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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A VIDA DO DISCÍPULO

Identificando e Vencendo o Egoísmo Sutil

Robert Crosbie


A imagem de uma ampulheta sugere o fato de que
cada minuto e cada segundo são importantes na vida

  
“A coisa mais importante em relação
à qual os estudantes devem ter cuidado é a
autoilusão. Neste sentido, a versatilidade de
Manas inferior [a  mente pessoal] é indescritível.
Portanto, nós temos que observar para ver
se as nossas intenções ostensivas não são como
mantos que encobrem outras intenções, subjacentes.”

[ Robert Crosbie em “The
Friendly Philosopher,  p. 124]



A vida do Discípulo deve ser uma vida de constante atenção, não apenas em relação aos outros, mas, sobretudo, em relação a si mesmo.

A nossa tendência é, frequentemente, de separar a nossa vida teosófica da nossa vida pessoal. Mas não podemos restringir os esforços que fazemos sobre nós mesmos, de modo que incluam somente os nossos relacionamentos ligados diretamente com o trabalho teosófico. É mais provável que sejamos negligentes na nossa vida familiar, e nos nossos diálogos em situações comuns da vida diária, do que nas situações públicas em que exercemos o papel de estudante.

Nossa personalidade tem considerado a vida familiar e as suas ligações como o território supremo e prioritário, e é mais provável que ela expresse mais profundamente a sua disposição na vida familiar do que em outros âmbitos. E este jogo pode ser mantido, mesmo sem o que nós chamaríamos de autoafirmação exagerada, através de métodos pequenos e aparentemente inofensivos pelos quais a personalidade se mantém em evidência - tal como a de dizer em casa o que faremos em questões que não são necessárias abordar.

Quando pensamos sobre isso - e é necessário pensar sobre estas coisas - vemos que tais ações são apenas os esforços pelos quais a nossa natureza pessoal tenta manter-se em evidência, e faz o possível para chamar atenção para si mesma de qualquer maneira - pela fala, pela ação, pelas tentativas de despertar simpatia, pela ação para dirigir os outros, pelo discurso protetor, e através de mil e uma maneiras que a personalidade tem de manter-se viva; porque, quando ela é suprimida em alguma direção, ela ardilosamente emerge de alguma outra forma. A personalidade fará isso enquanto nós deixarmos qualquer brecha da qual ela possa tirar proveito.

O que foi afirmado acima pode parecer muito difícil e restritivo, mas na realidade não é assim. O próprio sentimento de “restrição” vem da personalidade, e não do eu superior. Alguns Discípulos que estavam fazendo esforços, e esforços muito intensos, chamaram perceptivelmente atenção para o fato de que eles haviam superado isto e superado aquilo -; esta é a mesma velha personalidade, com outra roupagem. Desta maneira, é sempre melhor não falar do seu próprio eu, “seja em relação ao que ele comerá ou beberá, ou como estará vestido”.

Aqui estão alguns bons axiomas para colocar em prática:

* “Nunca peça a outro que faça por você aquilo que você pode fazer por si mesmo”.

* “Saiba onde estão suas coisas e pegue-as você mesmo, quando as necessitar”.

* “Faça pelos outros tudo o que puder, de um modo agradável; mas não espere que os outros façam algo por você.”

* “Você é valioso apenas quando é útil; não quando pede ajuda.”

Estes pontos serão reconhecidos como úteis, se forem colocados em prática.

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Robert Crosbie (1849 - 1919) foi o principal fundador da Loja Unida de Teosofistas, LUT, em 1909.

O texto acima foi traduzido da obra “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, The Theosophy Company, Los Angeles, 1945, 416 p., ver pp. 120-121. Em inglês, nossos websites associados têm o texto “On the Life of the Disciple”, que reproduz o mesmo texto acima e mais alguns parágrafos do livro “The Friendly Philosopher”.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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12 de Setembro de 2014

A ARTE DA SIMPLICIDADE

Um Diálogo com Lúcio Senéca,
na Obra “Conversas na Biblioteca

Carlos Cardoso Aveline


Capa do livro “Conversas na Biblioteca”




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Reproduzimos a seguir o capítulo quatro
da obra “Conversas na Biblioteca –
Um Diálogo de 25 Séculos”, de Carlos
Cardoso Aveline (Edifurb, 2007, 170 pp.)
Visite o website www.furb.br/editora .

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Ao contrário de grande número de pensadores clássicos — dos quais pouco ou nada chegou diretamente até nós em forma escrita — o neoestóico Lúcio Sêneca (4 a.C.- 65 d.C.)  deixou-nos amplo e valioso material sobre sua visão do mundo.  Sêneca é um notável integrante da escola estóica e para ele a ideia de viver e agir corretamente — sem medo da dor ou apego ao prazer —  é um conceito central.

Além de ensaios e cartas, Sêneca escreveu peças de teatro. Numa delas, fez uma profecia certeira sobre a futura descoberta das Américas.

Catorze séculos antes de Cristóvão Colombo chegar ao nosso continente – no texto intermediário entre o primeiro e o segundo episódios da peça Medéia — Sêneca descreveu o avanço ousado dos meios de transporte marítimo, que em seu tempo já viajavam por muitas regiões do planeta, e  fez o anúncio visionário da futura descoberta do “novo mundo”. Assim ficou documentado o fato de que o mundo antigo tinha notícias da existência do nosso continente.

Reproduzo a seguir o trecho exato, incluindo entre colchetes, em itálico, o significado de algumas palavras hoje pouco usadas:

“Daqui a alguns séculos, chegará o momento em que o oceano abrirá as barreiras do mundo: abrir-se-á uma terra imensa. Tétis [a deusa mitológica que é esposa do deus Oceano] descobrirá um novo mundo e Tule [a Islândia] não será mais o ponto mais longínquo da Terra.” [1]

Sêneca nasceu em Córdoba, na atual Espanha, e foi educado em Roma. Passou algum tempo no exílio. Mais tarde chegou a ser educador e conselheiro do imperador Nero. No ambiente político pouco confiável da época, sua coerência pessoal foi testada. Finalmente foi acusado de envolver-se em uma conspiração contra Nero e condenado a cometer suicídio cortando os braços e sangrando até morrer.  Dono de uma lucidez implacável diante da vida, ele encarou a morte de frente. Sem medo, com tranquila dignidade, ele falou de filosofia até o último momento, e fez  do seu sacrifício pessoal uma lição de amor à sabedoria [2].  Seu corpo morreu, mas o que se pode dizer da sua presença na cultura humana? As idéias de Sêneca são, hoje, no mínimo tão atuais e inspiradoras quanto há 19 séculos. E tudo indica que não perderão atualidade no futuro.    

1) Muita gente reclama da falta de tempo, e poucos gostam de envelhecer. Será que a vida humana é demasiado breve?

R: O tempo que temos não é curto, mas, perdendo grande parte dele, fazemos com que ele seja. A vida é suficientemente longa para realizar nela grandes coisas, se a vivermos bem. Mas se alguém passa o tempo no descanso e nos prazeres, e não se dedica a coisas elogiáveis, quando chega o seu momento final vemos que o tempo dessa pessoa se foi sem que ela tenha podido compreender a sua passagem. 

O certo é que a vida que nos foi dada não é breve; nós fazemos com que ela seja. Não somos pobres de tempo, mas pródigos. Acontece com o tempo da vida a mesma coisa que com as grandes riquezas. Se elas ficam em mãos de pessoas insensatas, se dissipam em um instante; e ao contrário, as riquezas poucas e limitadas, estando em poder de administradores eficientes, crescem com o uso.  Assim, nosso tempo de vida é bastante grande para os que fizerem bom uso dele.

2) Mas há muita gente que acredita que não tem tempo para ler, meditar ou buscar a sabedoria.

R: Não acredites naqueles que te disserem que sua profissão os afasta dos estudos sérios; eles se fazem de ocupados mas não têm tantos compromissos assim; a dificuldade para esses homens está em si mesmos.

Eu tenho tempo, meu caro, muito tempo; tenho tempo para tudo, e onde quer que esteja disponho sempre de mim. Eu me empresto à atividade profissional, não me entrego a ela; nem procuro ocasiões para empregar mal meu tempo. Em qualquer lugar que esteja, dirijo meus pensamentos de acordo com a minha vontade e medito sobre algum objeto útil.  Quando estou com meus amigos, não renuncio por isso à minha personalidade, e nunca passo meu tempo com aqueles que se aproximaram de mim por circunstâncias casuais ou pelos deveres da vida social; passo meu tempo com aqueles que considero pessoas boas. Quanto a esses, estejam onde estiverem e seja qual for o século [em que viveram], meu espírito está com eles. 

3) Um dos problemas do estudante moderno é que há uma quantidade enorme de livros para ler. É bom que haja variedade, por um lado, mas para alguns é difícil evitar a dispersão mental vivendo diante de tantos estímulos. Além dos livros há filmes, revistas, jornais, websites, a Internet, amigos com quem conversar, dezenas de idéias e pouco tempo para colocá-las em prática.

R: O primeiro sinal de tranquilidade interior é saber fixar-se e não perder-se em divagações estéreis. Mas evita o excesso de leituras, porque essa infinidade de obras e autores de todo tipo pode significar superficialidade e inconstância.  O estudante tem de dedicar-se a alguns autores escolhidos, alimentar-se da sua substância, para que alguma coisa fique gravada na alma.

Estar em todas as partes é não ir a parte alguma. Quem passa a vida indo de um lado para outro faz muitos conhecidos e nenhum amigo. Na leitura ocorre a mesma coisa que nas viagens; a pessoa lê depressa, correndo, sem se deter em nenhum autor. Um alimento que se engole com tamanha precipitação não nutre nem tem proveito algum. Não há nada pior, para a cura de uma doença, do que trocar continuamente de remédios. Uma ferida não cicatriza quando se troca o curativo a cada instante. A árvore que se transplanta muitas vezes não adquire vigor. (...) Ler muitos livros diferentes distrai, mas não ensina. E já que não podemos ler todos, é melhor contentar-se com ler alguns. (...) Tira das tuas leituras um pensamento para cada dia; esse é o meu método: leio muito, e tiro algum proveito. 

4) A sabedoria, então, consiste em optar pela simplicidade e contentar-se com aquilo que está ao nosso alcance?  

R: Eis aqui a frase das minhas leituras de hoje. É de Epicuro (...): “A pobreza se contenta com pouco”. 

Mas, se alguém se contenta com pouco, já não há pobreza. Aceitar a pobreza é ser rico, porque pobre não é aquele que tem pouco, mas aquele que deseja ter mais do que tem. De que serve alguém ter caixas cheias de ouro, armazéns cheios de grãos, possuir muitos rebanhos e rendimentos, se ainda cobiça os bens alheios, e se pensa menos no que possui e mais no que pode adquirir? E qual é, portanto, a medida da riqueza? Primeiro, o necessário; depois, o suficiente.

5) Certos estudantes das obras de Platão adotam uma visão elitista da filosofia, como se ela fosse uma atividade reservada para alguns poucos seres “superiores” e aristocráticos. Você se destaca por sua postura democrática, na verdadeira tradição da sabedoria socrática...

R: Se há algo de bom na filosofia é o fato de não olhar para os estratos sociais: todos os homens, se eles se reportam à primeira origem, descendem dos Deuses. (...) O Senado não acolhe a todos, e mesmo o exército recebe com certa relutância até aqueles que depois mandará ao encontro de fadigas e perigos. Mas a virtude é possível a todos, e todos somos nobres para ela. A filosofia não recusa a ninguém e não faz escolhas especiais: brilha para todos.

6) O que é a verdadeira amizade?

R: Considerar alguém como amigo e não ter tanta confiança nele como em si mesmo é não saber todo o alcance da verdadeira amizade. Que o teu amigo seja o confidente de todos os teus pensamentos — mas, antes disso, é preciso avaliá-lo. A confiança deve vir depois da amizade, porém o discernimento deve vir antes. É um absurdo confundir as coisas e violar o preceito de Teofrasto, tendo intimidade com alguém antes de conhecê-lo, para então romper com ele ao conhecê-lo.

Medita muito antes de dar tua amizade a alguém. Uma vez dada a amizade, abre a tua alma a teu amigo, com tanta confiança nele como em ti mesmo.

Vive de tal maneira que possas revelar todos teus pensamentos até mesmo a teu inimigo; mas como sempre há coisas íntimas que os costumes sociais converteram em segredos, derrama na consciência de um amigo todos os teus pesares, todos teus pensamentos: acredita que ele é fiel, e ele será.  Quantas vezes, de fato, as pessoas ensinam a enganar, temendo ser enganadas! A desconfiança provoca e autoriza a infidelidade. 

7) Como se pode obter o equilíbrio entre movimento, de um lado,  e estabilidade, de outro?  

R: O movimento contínuo e o contínuo repouso devem ser igualmente rejeitados. O tipo de atividade que busca o barulho revela uma alma inquieta e agitada; e olhar com medo qualquer movimentação não é aproveitar o repouso, mas é cair na fraqueza e na languidez.  Pensa nessa passagem que li em Pompônio: “Há olhos tão acostumados com a escuridão, que na claridade enxergam mal.” É preciso combinar os dois estados: a ação deve vir depois do descanso, e o descanso deve acontecer depois da ação. Interroga a natureza, e ela te dirá: “fiz o dia e a noite”. 


NOTAS:

[1] Medéia, no final do segundo intermédio, logo antes do segundo episódio. Ver Obras, Sêneca, tradução, estudo e notas de G.D. Leoni, Clássicos de Bolso Ediouro, Ed. Tecnoprint, RJ, p. 91.

[2] Encyclopaedia Britannica, ed. 1967, volume 20, pp. 215-216.

Nota Bibliográfica:

As fontes das respostas acima são as seguintes: 1) De la Brevedad de la Vida, Sêneca, tratado incluído no volume intitulado Tratados Filosóficos – Cartas, Editorial Porrúa, México, 1998, 198 pp., ver p. 94.   2) Cartas a Lucílio, de Sêneca, no volume Tratados Filosóficos – Cartas, edição citada, ver Carta 62,  pp. 168-169.  3)  Cartas a Lucílio, obra citada, Carta 2, pp. 153-154.  4) Cartas a Lucílio, obra citada, Carta 2, p. 154. 5) Cartas a Lucílio, carta 44, citado por Giovanni Reale na obra História da Filosofia Antiga, Ed. Loyola, SP, 1994, volume IV, p.81.  6) Cartas a Lucílio, Editorial Porrúa, edição citada, Carta 3, p. 154.  7) Cartas a Lucílio, Editorial Porrúa, edição citada, Carta 3,  p. 155.

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Para saber mais sobre a obra “Conversas na Biblioteca”, de Carlos Cardoso Aveline, visitewww.furb.br/editora .

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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