29 de abril de 2016

A ARTE DE FAZER ANOTAÇÕES

Um Modo de Ampliar a Visão da Vida

Carlos Cardoso Aveline




Há milênios, a prática de registrar por escrito percepções pessoais sobre a vida tem sido para muitos uma parte central da busca da verdade. A teosofia convida cada estudante a registrar as lições que aprende sobre o ideal do autoaperfeiçoamento humano, e um Mestre de Sabedoria escreveu:

“Como você pode discernir o real do irreal, o verdadeiro do falso? Só através do autodesenvolvimento. Como conseguir isso? Primeiro, precavendo-se contra as causas do autoengano. E isso você pode fazer dedicando-se, em determinada hora ou horas fixas, a cada dia, totalmente só, à autocontemplação, a escrever, a ler, a purificar suas motivações, a estudar e corrigir seus erros, ao planejamento do seu trabalho na vida externa.” [1]

No caminho da sabedoria, fazer anotações significa falar para nossa própria consciência e também escutá-la. Ao escrever aprendemos e ensinamos. Diferentes vozes internas dialogam, e podemos examinar a vida desde vários pontos de vista. Um dos maiores filósofos brasileiros, Farias Brito, confessou:

“Eu sou um indivíduo que encerra muitos homens dentro de si mesmo: alguns extremamente brandos, condescendentes e humildes, sempre tímidos, desconfiados de si próprios, e duvidosos do próprio valor; outros violentos, apaixonados, quase agressivos; outros inclinados à solidão, um tanto idealistas, sonhadores e poetas; outros sombrios, tempestuosos, sempre prontos para a luta e para a revolução; outros curiosos da verdade, sempre dispostos a investigar o desconhecido, sempre prontos para os combates do pensamento, metafísicos e um tanto visionários; uns, vendo tudo luminoso e risonho, resplandecente de luz e refletindo o  amor e a bondade; outros, tudo vendo obscuro, carregado, cheio de maldade e de ódios: quase todos tristes, amargurados mesmo, sem confiança nos homens, sem fé na justiça…” [2]

Escrever é uma forma de pensar lentamente, enquanto observamos os diferentes aspectos da nossa consciência.

É avançando devagar que o pensamento se torna amplo e profundo. Aquilo que anotamos é durável, e o fato de sabermos que a palavra escrita permanece no tempo é um motivo para construir as frases com mais cuidado.

Ao redigir, podemos revisar o texto e construir parágrafos que mereçam viver mais de um dia. Cada frase é um espelho caleidoscópico, enquanto está sendo construída. Revela possíveis falsidades a evitar, e mostra maneiras estáveis e preferíveis de dizer a verdade.

Fazer anotações sobre a ciência do viver é uma forma de estar na presença do silêncio sagrado. O ato de reler e revisar uma e outra vez um texto possui um valor meditativo. As anotações refletem o estado de alma do peregrino enquanto ele busca sem pausa o ponto neutro de equilíbrio que reconcilia os diferentes fatos da vida, na consciência curativa do espaço eterno e do tempo infinito.

Quando estamos em contato com as camadas superiores da consciência, a mente se liberta de velhos conteúdos e torna-se criativa. Por outro lado, a influência exagerada de pressões externas ameaça a bênção interior. O filósofo alemão Arthur Schopenhauer escreveu:

“Assim como uma mola acaba perdendo sua elasticidade pela pressão incessante de outro corpo, o espírito perde a sua pela imposição constante de pensamentos alheios.” [3]

A afirmação de Schopenhauer está parcialmente correta, porque ressalta a necessidade de pensar por si, mas a questão central não está em “ler mais” ou “ler menos”. É a forma de ler que faz a diferença. O estímulo externo pode ter efeito extremamente positivo. A leitura é valiosa quando está combinada com a contemplação e o pensamento próprio.

O silêncio entre uma frase e outra dá legitimidade à leitura porque permite ao leitor escutar a sua alma. O bom leitor reescreve em sua própria consciência aquilo que lê. A comunhão de pensamentos existe: um bom autor revela fatos da alma de todos. Cabe apreciar devidamente o valor universal do que foi escrito por grandes pensadores.

É claro que, ao reproduzir por escrito o pensamento de outrem, o peregrino deve citar detalhadamente a fonte. Respeitando o autor, ele evita a prática do roubo e preserva o seu respeito por si mesmo. [4] Com estas condições, ele tem todo direito de partilhar o que foi dito por quaisquer pensadores.

O exame da sabedoria eterna desde o ponto de vista da prática é desafiador e estimulante. Escrever é como uma ferramenta com a qual a alma constrói sua libertação. Tudo na vida do buscador da verdade deve ser observado no contexto da sua meta essencial. As anotações são o testemunho de uma batalha e de um confronto de longo prazo com a sabedoria, com a ignorância, e com aquela transmutação do eu inferior, que leva à consciência celestial.

NOTAS:

[1] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, compiladas por C. Jinarajadasa, Ed. Teosófica Brasília, Primeira Série, seção “Cartas Para e Sobre Laura C. Holloway”, Carta II, p. 146.

[2] “Inéditos e Dispersos”, Notas e Variações sobre Assuntos Diversos, Farias Brito, Editorial Grijalbo, 550 pp., ver p. 184.

[3] Arthur Schopenhauer, em “A Arte de Escrever”, Ed. L & PM Pocket, 2005, Porto Alegre, 169 pp., ver p. 128.

[4] O bem mais precioso de um peregrino é a honestidade da sua alma.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada de modo anônimo na edição de abril de 2016 de “O Teosofista”.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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27 de abril de 2016

CONSCIÊNCIA ÉTICA E INTERESSE PESSOAL

Superando o Aparente
Conflito Entre Dois Pontos de Vista

John Garrigues  




A menos que a teosofia tenha algo definido a oferecer ao homem comum, ela bem pode desaparecer do campo de interesse humano. Caso a sua missão seja dirigida apenas a grupos de curiosos e gente que está interessada em obter conhecimento, a teosofia não merecerá a devoção daqueles que a promulgam e defendem.

Se ela é  inadequada para qualquer uma das necessidades humanas, se ela se afasta confusa diante de algum problema que envolva o destino e o futuro, se não consegue tornar a vida mais digna de ser vivida e a morte mais digna de ser enfrentada, os seus defensores bem podem admitir,  então, que desperdiçam as suas energias e dedicam suas vidas a algo que não vale a pena.

Mas é ao homem comum que a teosofia dirige o seu principal apelo.  É para as massas humanas -  e não para os poucos ou para os eleitos - que os seus principais presentes são oferecidos. Ela convida para o seu estudo todos os que gostariam de ver uma lei organizadora da vida, ao invés do acaso caótico. Ela convida os que estão dispostos a reconhecer as operações de uma absoluta justiça dominando os assuntos humanos; os que gostariam de entrar conscientemente em uma existência individual cuja imensidão não está limitada pela morte ou por mudanças.

Ao protestar contra o poder limitante das religiões, não devemos subestimar o efeito da crença sobre a ação e sobre o caráter. Cada ato das nossas vidas  é governado pelas nossas concepções de autointeresse, embora essas concepções possam ser tão elevadas que passam a ser com frequência distorcidas e degradadas. Entre os pobres, aquele que trabalha intensamente é motivado por um sentido elevado de autointeresse que exige trabalho e compaixão. O ladrão acredita que será beneficiado por  seu roubo. A crueldade, a ganância, e a paixão são todos sentimentos honestos se vistos do ponto de vista de que são interpretações, ou melhor, distorções, do interesse pessoal.  Nossas ações estarão sempre de acordo com as visões que temos  da vida, do tempo e da lei divina. A crença governa a conduta. Ela é a fita métrica  pela  qual medimos a importância dos acontecimentos e o significado deles para nós. Uma hora de luz solar é a vida de um mosquito, uma nuvem é a sua tragédia,  uma gota d’água a sua extinção. O período de alguns minutos é o seu padrão de valores.

Parece, assim, que a religião - apenas outro nome para a filosofia - é na verdade um padrão de valores. Uma crença religiosa é uma fita métrica pela qual medimos a importância dos acontecimentos. Se concebemos a vida humana como sendo limitada pelo nascimento e pela morte, e se pensamos que há um nada antes da vida e uma aniquilação depois dela, é óbvio que todos os acontecimentos parecerão grandes em proporção inversa à brevidade do período. Uma criança chora pelo brinquedo quebrado porque a  sua concepção de vida é tão estreita que  faz esse pequeno acontecimento parecer uma tragédia. O seu padrão de valores é inadequado.  Se ampliarmos a nossa concepção do tempo e da vida, estaremos reduzindo  o tamanho relativo dos seus eventos e mudaremos completamente o ângulo de  visão. 

Do mesmo modo, um ponto de vista religioso ou filosófico pode mudar a nossa percepção do que é interesse próprio. Se aceitarmos a ideia de uma vida individual perpétua e consciente devemos, no mesmo momento, revisar o modo como calculamos o valor das coisas. Se acreditarmos que a vida perpétua e individual é governada por uma lei precisa de causa e efeito, estaremos tranquilos diante das dificuldades porque saberemos que foram criadas por nós mesmos, e teremos a esperança de um futuro em que haverá menos sementes más para germinar.

Reconhecendo a unidade da vida que se estende por todo o universo, teremos cuidado para não agredir a nenhuma das suas manifestações, e reconheceremos que a fraternidade não é apenas um sentimento, mas uma lei em vigor que não pode ser  evitada. Ao perceber o domínio de uma lei imutável e irresistível que se movimenta inexoravelmente para sua meta, teremos aprendido a afastar o medo do coração. Todas estas coisas são realizações práticas. Não existe uma só pessoa a quem elas não digam respeito. Elas estão ao alcance do intelecto humano médio. E dão à vida uma confiança, uma força e uma tranquilidade que não poderiam vir de qualquer outra fonte.

É evidente, portando que cada homem tem algum tipo de filosofia de vida, mesmo que ela não tenha sido formulada,  e mesmo que ele não tenha consciência da  sua existência.

Todo homem sem exceção está tentando ser feliz,  e sua vida é governada por alguma estratégia pela qual ele acredita que alcançará a felicidade. Todo homem tem algum padrão de tempo, normalmente a duração da sua própria vida, ou até a duração da sua juventude, pelo  qual ele mede a importância das coisas que acontecem a ele. A teosofia, assim, faz um duplo apelo ao homem médio. Ela tenta mostrar como ele pode adquirir uma felicidade verdadeira e permanente. E tenta dar a ele um novo padrão de tempo de modo que ele possa revisar o valor relativo das suas diferentes experiências diárias.  

Mas a teosofia não busca atingir o seu objetivo pela imposição de dogmas nem pelo peso da autoridade espiritual. Ela pede apenas que haja uma observação corajosa dos fatos conhecidos, e convida a fazer deduções lógicas a partir destes fatos. Em outras palavras, a teosofia apela ao conhecimento universal e à capacidade de raciocinar.     

Examinemos então os dois grupos de fatos mais claros para nós, isto é, os fatos da consciência e os fatos da experiência.

É óbvio que a consciência e o caráter estão sendo continuamente mudados pelos fatos da experiência. Cada evento que acontece a nós acrescenta algo ao conhecimento que governa as nossas ações futuras. Em outras palavras, o fato muda o nosso caráter, por menor que seja a mudança. E cada uma destas alterações aumenta a nossa felicidade, ou a reduz. Isso é tão verdadeiro que todo homem faz para si mesmo uma certa lista das coisas que ele não deve fazer porque trazem infelicidade, e das coisas que ele deveria fazer, porque elas trazem felicidade. Ele pode estar inteiramente errado nesta avaliação, a sua conclusão pode ter como base a ignorância, mas pelo menos ele tentou avaliar e diferenciar as coisas que são boas para ele e as coisas que são más.

E cada experiência vivida, seja boa ou má,  mudou o seu caráter. É evidente, portanto, que a natureza está tentando ensinar algo a ele, que na medida em que o seu caráter está sendo constantemente mudado pela experiência, deve haver em algum lugar na grande mente da natureza uma destinação, um plano, uma intenção. Se vemos os alicerces e a estrutura de uma casa inacabada, podemos conhecê-los exatamente como são, e podemos até prever a forma e a aparência da obra acabada, quando o construtor tiver terminado o seu trabalho. Sabemos que em algum lugar há um plano do arquiteto, um esquema; que há um propósito e um projeto detrás de cada golpe de martelo;  que todo detalhe, por mais insignificante que pareça, tem o seu lugar.

A pequena bolota de carvalho que rompe o solo é uma predição do carvalho adulto. Onde quer que haja movimento ou mudança também há uma intenção, uma destinação, e um projeto de um arquiteto. A teosofia convida o homem comum a olhar as mudanças com o seu próprio caráter, a olhar para o elogio e a acusação da sua consciência, que traz felicidade e infelicidade, e a perguntar a si próprio qual é a intenção da natureza evolucionária em relação a ele; o que é que a natureza gostaria que ele fosse. Em outras palavras, qual é o plano do arquiteto em relação a esta casa humana inacabada. Seguramente não pode haver outra pergunta mais prática do que esta.

Assim que reconhecemos a existência de um plano e percebemos que nós próprios somos estruturas incompletas, fica claro de imediato que os limites de uma vida terrena são lamentavelmente inadequados para a sua finalização. E este projeto só pode ser completado na Terra, já que diz respeito principalmente à nossa relação com os nossos semelhantes. Nascemos com determinado caráter, ou seja, com certas tendências em nossa interação com os outros. À medida que vivemos nossas vidas, o caráter é gradualmente mudado pela experiência. Como a experiência é o único fator na mudança de caráter, é evidente que o caráter com o qual nascemos deve ter sido formado em algum momento por experiências do mesmo tipo que aquelas que o estão mudando agora. E já que é igualmente evidente que o nosso caráter ainda  é uma estrutura inacabada, e está bastante distante do plano da natureza, o processo de acumulação de experiência deve continuar, prosseguindo sob condições semelhantes às do presente, isto é, pelo contato humano nas condições terrenas. E assim chegamos ao que pode ser considerado como o princípio teosófico mais importante,  segundo o qual toda evolução tem uma destinação e avança na direção da sua meta através de um processo de reincorporação ou reencarnação que é governado pela lei ética da causa e do efeito: “O que um homem planta, isso ele colherá.”  E nisso não há dogma, nem autoridade, nem revelação sobrenatural. É simplesmente uma dedução inegável, feita a partir de fatos óbvios.

Seria possível argumentar longamente em defesa das seguintes teses:

1) Há uma Vida Universal que permeia todos os reinos da natureza e nós mesmos somos expressões desta Vida Una, estando separados uns dos outros apenas pelas ilusões da personalidade egoísta. 

2) A evolução  ocorre através de constantes reincorporações ou reencarnações que são entretecidas pela lei da causa e do efeito. Esta lei assume um aspecto ético na evolução humana e produz em cada vida terrestre as circunstâncias que foram estabelecidas pelos pensamentos e ações das vidas que a precederam.

3) Todos os movimentos evolucionários são regulados por uma lei precisa e cíclica, e em nenhum lugar do universo ou do reino humano pode haver algo como acaso ou injustiça permanente.

Seria fácil mostrar que estes grandes postulados estão na base de todas as religiões conhecidas em algum momento no mundo, e que eles são confirmados tanto pela razão como pela experiência. Mas o objetivo no momento não é argumentar em relação a esses princípios; a meta é simplesmente afirmá-los, colocando-os para que sejam avaliados, e sugerindo o efeito que eles devem ter sobre a vida de quem os aceita como verdadeiros.

O efeito deve ser imenso e radical. Em primeiro lugar, estes postulados mudam toda a nossa concepção de tempo e, portanto, dos valores relativos dos eventos que se  movimentam no tempo. Teremos alcançado uma avaliação nova  e mais correta da importância das coisas, e portanto um ponto de vista desde o qual podemos observar sem preocupação a carga melancólica de ansiedades que agora afligem os nossos dias. Ao invés de imaginar que chegamos ao nascimento saindo de uma impenetrável escuridão, e que teremos como destino a escuridão, veremos a nós mesmos agora como seres que vivem desde sempre, que viverão para sempre, e nos quais a consciência nunca pode ser extinta, nem sequer por um momento.

A memória do cérebro pode ser incapaz de fazer a ponte entre os abismos de tempo, mas em algum lugar dentro do nível profundo do nosso ser, ou melhor, nos seus pontos mais elevados, reconheceremos a existência de uma alma na qual estão guardadas todas as memórias do passado, todo o conhecimento e todo o poder; e nada nos afasta daquele brilho, exceto as limitações autoimpostas da personalidade e o amor do eu inferior. Na presença desta compreensão, que espaço pode haver para as ambições pequenas, a cobiça, os medos, e os sofrimentos que agora preenchem nossas vidas torturadas? Comparadas com aquela dimensão estupenda de tempo, todas estas coisas passam a ser insignificantes e são reconhecidas em seu verdadeiro valor. Elas parecem grandes apenas quando são vistas num contexto de algumas dezenas de anos; apenas quando nós as medimos pelo padrão de algumas décadas. Olhemos para elas desde o ponto de vista de uma eternidade consciente, e elas perderão para sempre o poder de ferir-nos. Aprendemos finalmente o verdadeiro valor dos acontecimentos, e somos elevados por aquela nova sabedoria que está além do alcance da dor pessoal. Deixamos de ser crianças que choram por causa de brinquedos quebrados.

Mas a filosofia teosófica faz mais do que isso. A luz da lei nos eleva definitivamente para um lugar acima do território em que atua o medo, porque passamos a saber que um acaso cruel e indiferente não faz parte do nosso destino, e não encontra espaço nele. Somos mestres do nosso destino e capitães da nossa alma.

E como é lamentável, e abjeto, o modo como nós agora nos humilhamos diante dos nossos medos.  Temos receio da pobreza, da morte e da doença. Vemos a nós mesmos como cidadelas fortificadas, sofrendo a ameaça de uma natureza hostil e impiedosa. Sentimentos de terror esperam por nós nos lugares escuros da vida, e em cada canto vemos um inimigo. Uma paralisia perpétua, resultado do medo, destrói a nossa força e esconde a luz do sol com suas sombras perniciosas.

E como isso tudo é desnecessário! Avançamos com uma nova confiança, à luz de uma lei que tem compaixão porque é justa; que revela a sua presença nos menores acontecimentos de nossas vidas; que mantém o universo dentro do seu campo de ação de modo a beneficiar a alma humana, e desperta prazer e dor com o propósito de assinalar o caminho para a felicidade.

Esta não é uma filosofia para os eleitos. Não exige grande erudição para ser compreendida. Não deve coisa alguma a qualquer autoridade ou revelação. Está dirigida a cada ser humano capaz de observar os fatos da sua própria vida e de dar um passo à frente, desde o que já foi visto para o que ainda não foi visto. 

Estaremos com medo de que a adoção de uma filosofia espiritual prejudique o que chamamos de “sucesso na vida”? Seria estranho se a ignorância fosse mais proveitosa que o conhecimento, e se a fraqueza trouxesse mais vantagens que a força.

O maior de todos os êxitos na vida está reservado para aqueles que sabem o que é a vida e conhecem a sua origem, seu propósito, suas leis e seu destino. 

A força necessária para o trabalho é obtida por quem se torna um aliado da natureza, e não por aqueles que resistem contra ela. A força é obtida por aqueles que obedecem às leis naturais, e não por quem as desobedece.
                 
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artigo acima foi publicado inicialmente em inglês em março de 1913 pela revista Theosophy”, de Los Angeles,  pp. 169-173. Título original: “To the Man in the Street”. Uma análise de seu conteúdo indica que foi escrito por John Garrigues (1868-1944).

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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22 de abril de 2016

22 TEXTOS DECISIVOS EM TEOSOFIA

Notas de Leitura em Nossos Websites Associados 

Silvia Caetano de Almeida

Uma imagem dos Himalaias, em quadro de Nicholas Roerich


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Apresento a seguir uma seleção parcial
de textos que estão entre os meus prediletos.
Faço um breve comentário para cada artigo. Todos
eles apontam para a vivência da ética e da fraternidade
universal, e podem ser encontrados através das Listas de
Textos por Ordem Alfabética em nossos websites associados.

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1) A Contemplação
A Verdadeira Meditação Ocorre nas 24 Horas do Dia
Damodar K. Mavalankar

*Manter-se em contemplação é iluminar os próprios pensamentos com base na ética e no discernimento, direcionando a atenção para aquilo que possui verdadeiro valor. O ser humano tem potencialidades adormecidas que poderão ser desenvolvidas por meio da manutenção do pensamento em um nível meditativo nas 24hs do dia.

2) A Escada de Ouro
Fragmento da Tradição Esotérica Oriental Estabelece Regras Essenciais da Caminhada
Carlos Cardoso Aveline
  
*A Escada de Ouro é como um farol luminoso que indica a trajetória a ser palmilhada na busca do autoconhecimento.  Vale a pena memorizar cada um de seus “degraus”, para recitá-los mentalmente em nossos momentos de meditação ou quando nos recolhemos para dormir.

3) A Firmeza de Propósito
A Vida Diária De Quem Vive a Sabedoria
The Theosophical Movement 

*Como buscador da verdade, o aprendiz deve abrir novas trilhas, com humildade, autonomia e  determinação. Quanto mais consciente, mais ele assumirá o seu papel de protagonista, deixando de ser um mero espectador diante da vida. A determinação de manter o foco no que é correto deve estar  aliada à humildade. 

4) A Força de um Compromisso Sagrado
O Que Acontece na Prática Quando é Tomada Uma Decisão Firme de Trilhar o Caminho
Carlos Cardoso Aveline 

*Quando o aprendiz decide buscar a sabedoria, descobre em si mesmo uma força interior que o impulsiona sempre para a frente, em função da realização de seu ideal. E tal propósito se configura como um verdadeiro compromisso, embora não tenha sido escrito ou falado. 

5) A Lei da Dificuldade
Vencendo os Obstáculos no Caminho da Sabedoria
John Garrigues 

*Este texto é um forte estímulo para o peregrino. O único erro é não tentar. Superando as dificuldades, caindo às vezes, mas levantando sempre, nós aprendemos e crescemos. 
  
6) A LUT e o Despertar Interior
Trabalho Teosófico Estimula Buddhi-Manas
Carlos Cardoso Aveline 

*Trata-se de viver um momento de despertar espiritual, quando o nosso quinto princípio, a mente ou percepção mental, Manas Superior, amplia seu contato com o sexto princípio, Buddhi, a inteligência espiritual. 

7) A Motivação Correta
Só Uma Intenção Firme e Elevada Conduz à Sabedoria Universal
John Garrigues 

*O aprendiz só consegue ouvir a voz de seu próprio mestre interior, o Eu Superior, quando se desliga de tudo que é ilusório, em função de uma vida mais rica, pura e bela. O Compromisso de Kwan Yin, analisado neste texto por Garrigues, nos revela um profundo altruísmo. E só o altruísmo pode conduzir o peregrino

8) A Voz do Silêncio
E Outros Fragmentos Escolhidos Para o Uso Diário dos Discípulos
Helena P. Blavatsky (org.) 

*Esta é uma obra dedicada aos Poucos, profundamente inspiradora e valiosa para o nosso aprendizado. Como H. P. B. sempre enfatizou, não estamos separados, não existe um “eu” separado. Formamos uma UNIDADE, um TODO.  A harmonia, a paz e a felicidade serão alcançadas quando nos conscientizarmos desta verdade. Toda a obra nos aponta um só caminho para a bem-aventurança: o da abnegação, do altruísmo, da renúncia. 

9) Aprendendo Com Cada Detalhe da Vida
Uma Carta Para Estudantes de Londres Descreve o Nidana Integrado da Libertação Espiritual 
Helena P. Blavatsky

*Estamos todos aprendendo com a vida e uns com os outros o tempo todo. Segundo os ensinamentos da Teosofia, estamos todos interligados e devemos estar dispostos à ajuda mútua em quaisquer situações; e também a compartilhar as nossas experiências. 

10) Chelas e Chelas Leigos
Testes, Perigos e Oportunidades no Caminho Espiritual
Helena P. Blavatsky 

*O caminho teosófico deve ser trilhado com vigilância e discernimento, para que possamos fazer as escolhas corretas. É no dia a dia que se encontram as nossas possibilidades de progresso. Para trilhar o caminho espiritual, há um axioma fundamental: “antes de desejar, faça por merecer”.

11) Confiança nos Mestres
Um Fator Decisivo na Caminhada Teosófica
John Garrigues

*Os seres que ultrapassaram o estágio do reino humano zelam altruisticamente pelo bem-estar da humanidade.  

12) O Caminho do Aprendizado - Parte I e  O Caminho do Aprendizado - Parte II
Como a alma aumenta seu contato com a sabedoria universal.
Carlos Cardoso Aveline

*Estes dois textos constituem um estudo sobre o discipulado, isto é, o aprendizado de longo prazo inspirado pelos sábios imortais.

13) O Dhammapada
O Clássico Budista, Com Notas Explicativas e um Breve Ensaio Sobre o Pensamento de Buddha

*Para todos os seres a vida implica sofrimento. Cabe ao aprendiz se conscientizar disto e tentar transcender a dor buscando entender sua origem, que, segundo O Dhammapada, encontra-se nos desejos. 

14) O Discipulado no Século 21
Como Trilhar o Caminho do Aprendizado Interior
Carlos Cardoso Aveline

*Quando a aspiração ao discipulado leigo aflora no coração do estudante sincero, coisas como altruísmo, disciplina e auto-esquecimento começam a fazer parte do seu dia-a-dia, de forma gradual.

15) O Grande Paradoxo
Viver no Eterno e Vigiar o que é Momentâneo
Helena P. Blavatsky

*Ao mesmo tempo em que o estudante deve prestar atenção aos seus sentimentos pessoais, em tudo que ocorre à sua volta e no trabalho material a ser executado, ele também é convidado a buscar o Eterno, em uma contemplação incessante. 

16) O Muro Que Protege a Humanidade
O Movimento Teosófico Faz Parte de um Antahkarana Global
Carlos Cardoso Aveline

*Um texto que nos fala do altruísmo exercido pelos Adeptos em seu trabalho pela humanidade. Através da renúncia, podemos cumprir com alegria o nosso dever de ajudar na disseminação da Luz. O aprendiz experiente tem consciência de que participar deste trabalho é um privilégio e uma bênção.

17) O Progresso Espiritual
Como o Caminho Avança Montanha Acima o Tempo Todo
Helena P. Blavatsky

*H. P. Blavatsky diz que o processo de autotransformação implica “um crescimento por evolução, e isso deve envolver necessariamente uma certa quantidade de sofrimento”.

18) O Significado de um Compromisso
Texto Clássico Mostra o Que é Uma Escola Esotérica
Autor Anônimo

*Sabemos da importância de transmitir o ensinamento teosófico a outras pessoas, mas é necessário sobretudo vivenciá-lo, isto é, “tornar a Teosofia um fator vivo em nossas vidas”.  O exemplo toca mais fortemente o coração das pessoas, contribuindo para a eliminação da ignorância. 

19) Obstáculos e Oportunidades
A Maior Oportunidade ao Nosso Alcance É o Cumprimento dos Nossos Deveres Atuais
John Garrigues

*Um tema sempre presente para o teosofista é o cumprimento do dever. Cumprindo com nossas tarefas ficaremos protegidos contra as ilusões que nos cercam, e estaremos nos preparando para missões mais complexas. 

20) Os Primeiros Passos no Caminho
Renúncia e Concentração Abrem Espaço Para a Liberdade
Robert Crosbie

*Crosbie afirma que “o primeiro passo é o sacrifício”. Isto se torna possível quando o estudante consegue se desligar e desapegar das coisas efêmeras e passageiras.  

21) Uma Escola Esotérica de Três Mil Anos
As Fontes de Aprendizado das Almas Humanas Imortais
Carlos Cardoso Aveline

*Este é um texto para se ler e reler.  

22) Sobre a Verdade - Satya
A Paz Interior Surge do Conhecimento Verdadeiro
Mahatma Gandhi

*O termo Satya (Verdade) deriva de Sat (ser). A palavra Chit, significa conhecimento, e Ananda, felicidade. Buscar a Verdade, procurar fielmente segui-la - este deve ser o objetivo maior de toda a nossa existência. As dificuldades surgirão, mas os testes fazem parte da caminhada.

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O guia de leitura acima foi publicado pela primeira vez na edição de maio de 2013 de “O Teosofista”.  Os  textos  indicados estão disponíveis online e podem ser localizados através das Listas de Textos por Ordem Alfabética,  em nossos websites associados.   

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.


Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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