“(...) Não obstante, continuamos a sustentar que o fomento e apoio, explícito ou implícito, aos negócios, passatempos e fantasias pseudo-espirituais representa não só falta de inteligência e discernimento mas, também, uma profunda ausência de amor. Sim, ausência de amor pela Verdade e/ou pela qualidade; ausência de amor pela legítima e autêntica espiritualidade que, deste modo, se deixa cair na lama; ausência de amor por toda a Humanidade, ao gerar o risco de deitar a perder, por muitos anos, a oportunidade de restaurar no planeta a universal, intemporal e integral Ciência Sagrada da Vida, a única que pode trazer a solução real dos problemas que nos atormentam. (...)
Definir prioridades
Será melhor limpar as auras - admitindo que quem diz fazê-lo, o sabe realmente fazer - que logo se voltam a “sujar”, ou ensinar claramente o ser humano qual a hierarquia do septenário dos seus níveis de consciência e respectivos veículos, para que se esforce em polarizar-se nos mais elevados e não continue a sujar a(s) sua(s) aura(s)?
Será melhor alinhar os chakras - admitindo que, quem diz fazê-lo, efectivamente sabe do que fala e não leu apenas um livro, e frequentou um curso à pressa e ao acaso -, que logo se voltam a desalinhar, ou ensinar ao homem as leis intemporais que regem o caminho evolutivo e facultar-lhe o conhecimento que lhe permitirá revelar o Divino em si?
Será melhor repetir decretos e ladaínhas (até ao ponto de criar estados psíquicos de embriaguez), para obter favores materiais ou “espirituais”, ou compreender as Leis que regem o Universo e, assim, coadunando-se com elas, ser o fomentador do Bem geral?
Será melhor fazer incessantemente passes de energia e técnicas sensuais de relaxamento (até criar estados psíquicos de alienação ou histerismo), ou ter ideias sólidas e globais para os mais diversos sectores da actividade humana, à luz da Sabedoria-Conhecimento Espiritual?
Será melhor fazer vénias e incensar o primeiro guru que se apresente a teatralizar de santidade, a simular milagres e a inventar revelações, ou demonstrar, exaustiva e solidamente, a unidade essencial de todos os Grandes Instrutores de todos os tempos, latitudes e religiões, assim evidenciando que há uma Ciência Universal do Espírito e que as diferentes religiões nunca - nunca, nunca, nunca! - devem ser causa de afrontamentos?
Será melhor inventar profecias e dar palpites a torto e a direito - mais a torto que a direito -, ou ter uma amplitude de horizontes tão grande, que permita construir lucida e construtivamente o futuro-que-deve-ser?
A nossa resposta é clara. Não se pode prescindir de uma Ciência Esotérica integral, de uma verdadeira Biosofia; e quem mais não pode do que ver pequenos fragmentos, que se não se ponha em bicos de pés, para tapar os que detêm esse conhecimento - mas, sim, que humilde e honestamente, apoie e difunda o trabalho deles, muito mais vasto e importante.»
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Excerto retirado do artigo "Espiritualismo ou Primarismo", publicado na revista Biosofia N.º11, Setembro 2001, CLUC, Lisboa.
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