30 de Novembro de 2008

"Culpados?"



Reprodução de texto apresentado no excelente blog Aqui e Agora.

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Sábado [foi] Dia Internacional de solidariedade para com o povo palestiniano. Transcrevemos da introdução do livro “Palestina – a saga de um povo”[1], de Tariq Al-Khudayri, uma parábola de Adalberto Alves


«Como é sabido, na Península ibérica, antes da chegada dos Árabes, em inícios do século VIII, reinava um povo godo, de origem germânica, os Visigodos. O território do que é hoje Portugal fez, também, durante cerca de três séculos, parte desse Império Visigótico. Os Godos consideravam a Hispânia como a sua pátria indisputada, situação que se manteve até virem a ser obliterados pelo domínio muçulmano.

Suponha-se agora que, num país qualquer do centro da Europa, tinha subsistido, até hoje, uma minoria identificável como goda e que, objecto de discriminação e repressão nesse tal país, tinha, em parte, optado pela diáspora.

Como os Godos ansiavam pela criação de um lar comum, constituíram um lobby de pressão em todo o mundo, no sentido de a O.N.U. decidir arranjar-lhes um território para a constituição de um Estado Godo.

Discutido o assunto e olhando à relevância, no passado, do Império Visigótico na Península Ibérica, a O.N.U. decidiu que seria nela o local correcto para a instalação da Godolândia.

A Espanha opôs-se tenazmente desde logo e, como Portugal era a parte mais fraca em questão e tinha escassa população, foi-lhe imposta a abdicação de uma parte do seu território para a instalação da Godolândia: 50% do mesmo, ou seja, todo o território a norte do Tejo. O sul ficaria para Portugal, sendo Lisboa Oriental goda e Lisboa Ocidental portuguesa.

Com o apoio de diversos países e num curto prazo, começou imediatamente o êxodo de godos em direcção ao território que lhes fora atribuído, apesar dos protestos e da oposição generalizada dos Portugueses.

Os invasores, mediante a força e a intimidação, não tardaram em ocupar cidades e campos, colonizando mediante expulsão as melhores zonas: Porto, Braga, Coimbra, Leiria, Santarém e outras foram, assim, parar às suas mãos. E à menor resistência à ocupação, as casas dos portugueses eram arrasadas para a instalação dos colonatos. Deste modo, a soberania de metade do território português passou para a mão dos Godos que impuseram, aos portugueses do norte, uma nova bandeira e uma nova língua. Em suma, haviam perdido a sua pátria.

A brutalidade da repressão goda causou numerosas mortes e, em breve, mais de dois milhões de portugueses foram deslocados das suas terras e muitos deles forçados a fugir para Espanha, Marrocos e outros países onde passaram a vegetar em miseráveis campos de refugiados.

Portugal, virtualmente, viria a desaparecer do mapa, já que o sul do território, encabeçando a resistência contra a usurpação goda, rapidamente foi invadido pelos novos senhores, que apenas deixaram nas mãos dos Portugueses a parte do Alentejo e uma faixa de terreno junto ao mar, que passou a chamar-se a Faixa de Palmela.

Por outro lado, os portugueses que ficariam a viver ou a trabalhar na Godolândia não passavam de cidadãos de 2ª categoria, ou de mão-de-obra barata para os Godos.

Os Portugueses, quase abandonados pela comunidade internacional, haviam sido forçados a reconhecer o novo Estado, passando a bater-se, ao menos, pelo reconhecimento da sua soberania total no território alentejano oriental e na Faixa de Palmela. Porém, a Godolândia nem isso aceitava, argumentando que tal iria ameaçar a sua segurança.

A O.N.U., através da Assembleia-geral, emitia resoluções atrás de resoluções, condenando o expansionismo godo, mas nenhuma acção era levada a cabo pelo Conselho de Segurança, uma vez que os E.U.A., tendo apoiado e armado a Godolândia até aos dentes, vetavam todas as tomadas de decisão favoráveis a Portugal.

E foi assim que os Portugueses, despojados das suas terras, casas e pátria, se viram condenados ao desespero num exíguo território, onde viviam em condições infra-humanas e de onde toda a esperança parecia ter fugido. No exílio, os que haviam partido sonhavam com um longínquo regresso e, como símbolo desse sonho, guardavam a chave da casa que há muito haviam deixado para trás: quem sabe, um dia voltariam ao lar…

Os Portugueses iniciavam uma longa e dolorosa luta pela sua dignidade, apesar da desproporção de meios perante o poderoso inimigo. Tinham quase só, como armas, a revolta e a dádiva da própria vida, pois, tendo perdido tudo, já nada tinham a perder.

Passaram a ser chamados de terroristas»



[1] Editado em 2002, pela Hugin

24 de Novembro de 2008

19 de Novembro de 2008

Carta para a Compaixão

"Através do reconhecimento que a Regra de Ouro é fundamental em todas as religiões do mundo, a Carta Pela Compaixão pode inspirar as pessoas a pensar sobre religião de forma diferente. A Carta está a ser criado num projecto de colaboração entre pessoas de todo o mundo. Estará completa em 2009."
Fonte: Charterforcompassion.com



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Publicação Teosófica

Já se encontra on-line a edição de Novembro do excelente boletim O TEOSOFISTA

18 de Novembro de 2008

Psicologia da Ioga: o Desejo e a Vontade Espiritual

"O Homem é um ser que existe, tem corpos e tem consciência - meramente potencial ou já despertada - em diversos Planos, reproduzindo em si a constituição septenária do Universo (...). Temos, pois, de o considerar na sua integralidade e não apenas na concepção reducionista do materialismo (que limita o ser humano ao corpo físico) ou nas apresentações religiosas simplistas - consequência de haverem perdido as chaves da Ciência do Espírito, por muito que detenham chaves para abrir portas do poder temporal -, nas quais se fala vagamente de alma ou espírito (como se fossem sinónimos), considerados como uma espécie de vazio, sem substância, que se diferencia (não sabem muito bem como) do corpo físico. (...)"

In "A Constituição Integral do Ser Humano", revista Biosofia n.º6, CLUC, Lisboa, 2000.


"A palavra Yoga, em sânscrito, tem um grande número de significados. Ela deriva da raiz yuj, que quer dizer “unir”, e a ideia de união está presente em todos os significados."

In A Ciência da Yoga, I. K. Taimni


"Yoga (sânscrito) – 1) Um dos seus Darzanas ou escolas filosóficas da Índia; uma escola fundada por Patanjali, embora a verdadeira doutrina Yoga, a única, segundo se diz, que ajudou a preparar o mundo para a pregação de Buda, é atribuida, com todas as boas razões, a Yâjñawalkya, autor do Zatapatha Brâhmana, do Yajur Veda, do Brihad Âranyaka e outras famosas. 2) A prática da meditação como meio condutor à libertação espiritual. (A palavra yoga significa, literalmente, “união” e é usada no sistema de Patanjali para designar a união ou harmonia do eu humano, ou inferior, com o Eu divino, ou superior, através da prática da meditação."

In Glossário Teosófico, H. P. Blavatsky, pág. 762


«No processo da evolução humana e desenvolvimento dos mundos da manifestação, o desejo é o poder motor da mente nos mundos inferiores nos quais a personalidade funciona, e a vontade espiritual é a força motriz nos mundos espirituais da individualidade. O desejo é simplesmente expressão mais baixa da vontade espiritual. A vontade é desejo quando é incitada à acção atraída ou repelida por objectos que nos rodeiam e aos quais nos apegamos. Mas é vontade espiritual quando opera desde o nosso centro espiritual interno para cumprir algum propósito determinado por nosso Ser superior ou o Deus dentro de nós, e não é afectada pelos objectos pois não está apegada a eles. A prova de que o desejo não é senão uma expressão inferior da vontade espiritual, está em que quando se pratica Vairagya (a prática do desapego, na linguagem da Ioga) eliminando os desejos inferiores, a vontade espiritual aparece por consequência em seu lugar.

Muitos estudantes e aspirantes da Ioga duvidam de poder obter o imenso poder de vontade que necessitam para olhar a senda da Ioga; este pensamento trava o seu entusiasmo e as vezes os desespera pois começam a pensar que são demasiado débeis, que não estão qualificados para prosseguir a senda, e inclinam-se a colocar o intento para uma vida posterior quando hajam fortalecido o seu espírito.

Esta ideia envolve uma falácia que tem um poder quase paralizante sobre nossa aspiração; consiste em crer que a vontade espiritual é algo que há que desenvolver ou criar. Ignora-se que é a energia potencial pura de Atma, o nosso Ser real, e que está oculto dentro de nossos desejos nas primeiras etapas da nossa evolução e o que dá poder à nossa natureza de desejos. E que tudo o que temos que fazer é libertar essa energia dos elementos grosseiros que a rebaixam e que lhe impede de funcionar em sua verdadeira forma espiritual.

Com efeito, quanto mais potentes e variados sejam os desejos, maior será a quantidade de energia que despendemos nessa forma rebaixada, e que portanto se conseguirmos de algum modo eliminar ou purificar nossos desejos inferiores conseguiremos obter mais energia em forma espiritual. Este facto clarifica a enigmática afirmação de que “quanto maior o pecador, maior é o santo”. No entanto, claro está que o santo aparece somente quando o pecador desaparece e esta é uma condição essencial. Desde o ponto de vista espiritual, mais se pode esperar dos que têm naturezas fortes inclinadas a procurar toda uma classe de objectos nos mundos inferiores, do que os aspirantes débeis e indiferentes que não querem nem podem alcançar nada e algumas vezes crêem que sua falta de interesse vital e de dinamismo é desapego.

Entretanto entenda bem o estudante que não lhe estamos sugerindo que é necessário ou conveniente lançar-se á vida mundana na satisfação dos desejos inferiores para desenvolver uma forte natureza de desejos. Este seria – é – um caminho extremamente perigoso.

A vontade espiritual pode desenvolver-se eficazmente e em segurança pelo método directo de procurar com vigor e perseverança um ideal espiritual. Não é necessário desenvolve-la indirectamente por meio dos desejos inferiores. Mas é preciso desenvolve-la se se quiser percorrer a senda do desenvolvimento interno.

Geralmente constatamos que quando começamos seriamente a trabalhar neste sentido começam a manifestar-se desejos de toda a espécie que estavam adormecidos em nossa mente subconsciente, e que há que lutar duramente para eliminá-los. No entanto isto desenvolve a vontade espiritual.

(...) Note o estudante que não usamos a expressão “ausência de desejos”, a qual se tornou muito comum na literatura que trata dos requisitos para olhar o caminho, e que já produziu muita incompreensão e confusão nos aspirantes.

Apesar de que há que eliminar completamente os desejos de todas as classes na última etapa antes de alcançar a Realização Directa, não é isso que há para fazer nas primeiras etapas. Isto está claramente expresso nos aforismos, superiormente inspirados, de Luz no Caminho. Quem estudou atentamente referido livro recordará que seis desses aforismos no princípio do livro dão instruções para eliminar certos desejos, mas que estes aforismos estão seguidos de outros seis que não só qualificam aos aspirantes para olhar a senda do desenvolvimento interno senão que desenvolvam a sua vontade espiritual. É claro, pois, que nas primeiras etapas não há que eliminar os desejos com raízes e ramificações, senão eliminar alguns desejos e alimentar outros. Em outras palavras, a questão não é destruir completamente os desejos como o sugere a expressão “ausência de desejos”, senão substituir os desejos inferiores que nos arrastam e nos atam aos planos inferiores, por desejos superiores que nos levam até cima ou até ao interior, até á nossa meta.

A falha em acentuar este ponto e fazê-lo notar aos aspirantes tem geralmente um efeito devastador em sua aspiração espiritual. Diz-se aos aspirantes comuns cuja vida está motivada em grande medida por desejos ordinários e que está atada por apegos de diversos tipos, que não devem ter desejos, em vez de explicar-lhes o que isto significa nas primeiras etapas. O resultado desta instrução deficiente é angustiá-los e fazê-los sentir que a vida espiritual é uma vida vazia sem nada por que trabalhar e lutar. Esta perspectiva não é muito agradável nem alentadora, e corta de raiz todo o entusiasmo e o interesse profundo que são tão necessários nessas etapas. Há que dar tempo ao aspirante para que se vá familiarizando com as atitudes e técnicas da vida espiritual, para que considere os seus problemas com a recta proporção e vá saboreando a paz e força internas que vivem com o desenvolvimento espiritual. Todo este temor de que a vida do aspirante se torna árida é desnecessário e deve-se a um falso conceito sobre o tipo de trabalho que há a fazer primeiras etapas em relação á nossa natureza emocional.

O falso conceito provem de pensar que há que eliminar todos os desejos nesta etapa, quando o há para fazer é substituir os desejos inferiores, causas de conflitos internos, preocupações e temores, por desejos superiores que transmitam paz, força e serenidade. Se examinar-mos bem estes aforismos de Luz no Caminho veremos que essencialmente significam que o aspirante tem que desenvolver ao máximo o desejo de encontrar a Verdade ou Realidade que está oculta dentro do coração de todo o ser humano e que é a única fonte de todo o verdadeiro saber, poder, força, amor e felicidade que todo o ser humano sem excepção busca consciente ou inconscientemente. Este intenso anelo é um requisito necessário para os que aspiram a olhar a senda de Realização Directa. E a sua intensidade mostra o quão perto da sua meta está o candidato, como o indicam os aforismos dos Ioga-Sutras de Patanjali.

Aí temos um ideal positivo e uma perspectiva vital que não desalentará o aspirante mas que lhe infundirá o máximo de entusiasmo e inspiração se estiver realmente decidido e sincero. Não há nada que faça vibrar a corda mais íntima do nosso ser e produza que uma resposta vibrante, como a perspectiva de regressar ao nosso verdadeiro lugar. A nossa natureza interna responde e ressoa subtilmente e nos permite escutar esse chamado do infinito, ainda que seja apenas por um instante fugaz. Por isso , substituir a satisfação dos desejos inferiores, pela perspectiva de anelar encontrar a Divindade que temos em nosso interior, não cria nenhum vazio nem nos faz sentir que nossa vida perdeu todo o propósito. Todos os que não foram condicionados artificialmente pela filosofia materialista ou não estão completamente engolfados em objectivos materiais, poderão ver e sentir intuitivamente que o que podem ganhar desenvolvendo o apego e o amor a Deus vale muitíssimo mais do que o que perdem ao renunciar aos seus desejos inferiores. Quem sabe não consigam produzir esta mudança totalmente, mas, pelo menos, podem ver teoricamente a conveniência em tentar. (...)»


In “Estudos sobre a psicologia da Ioga”, de I.K. Taimni, edição Federação Teosófica Interamericana

Ler:

"A Constituição Integral do Ser Humano"

17 de Novembro de 2008

A 1.ª Grande Entrevista de Barack Obama

A 1.ª Grande Entrevista do Presidente Barack Obama ao programa 60 Minutes da CBS, onde fala do fecho da Prisão de Guantanamo, do fim do uso da tortura e da Guerra no Iraque, da situação económica, da inspiração de Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt, entre vários outros temas.


14 de Novembro de 2008

"O Som e o Número"

"O Som Criador


Todas as Escrituras Sagradas, de Oriente a Ocidente, se referem a um Som inicial, fazedor de Mundos. No Ocidente, a versão bíblica nos diz que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele” (João, 1:1-3).


Igualmente nas Cosmogonias mais orientais, o som (sabda, em sânscrito) é o construtor da Manifestação (Sabda Brahman). No sistema Vedantino, esse Som criador ou Palavra é Vâch. E mais a Ocidente, os Gregos antigos tinham o designativo Logos para este mesmo conceito. Contudo, Verbo, vocábulo de etimologia latina, é um termo sumamente feliz para significar, precisamente, esse acto da Criação.


Gramaticalmente, Verbo é uma palavra com a qual afirmamos a existência de uma acção, de um estado ou de uma qualidade que atribuímos ao sujeito. É, pois, algo como uma extensão (activa) do (de um) sujeito. Infere-se, daí, que o sujeito permanece abstracto e
imanifestado sem essa acção, que então o representa e torna manifesto. Assim, de facto, o Verbo é a primeira expressão da Manifestação e o que permite que ela se desenvolva.

O Verbo, neste sentido místico, metafísico, veio a antropomorfizar-se e a integrar a tríade de figuras deíficas da Tradição Cristã – as três “Pessoas” da Trindade (ou Unidade trina, de três aspectos) “Pai, Filho e Espírito Santo” – fazendo-se corresponder ao “Filho” ou “Cristo”.

O mesmo sucedera nas outras culturas e, assim, segundo a alegoria do Padma Purâna: “No princípio, Mahâ-Vishnu (o Grande Vishnu)(1), desejoso de criar o mundo, converteu-se em três: criador, conservador e destruidor. A fim de produzir este mundo, o Espírito supremo fez emanar Brahmâ do lado direito do seu corpo; em seguida, a fim de conservar o universo, produziu do seu lado esquerdo o deus Vishnu; e, por fim, para destruir o mundo, do meio do seu corpo produziu o eterno Shiva”
(2), (3).

———————————-
1) Em alguns dos Purânas, como este, Vishnu é o Supremo Deus.
2) Nos Vedas, inicialmente, essa trindade era composta por Vâyu, Sûrya ou Savitri, e Agni, que mais tarde se fizeram correrponder, respectivamente, a Brahmâ, Vishnu e Shiva. E no Pancavimsa Brahmana é dito, numa sugestiva exposição do acto divino da Criação, muito semelhante, aliás, à versão Judaico-Cristã: “… Quando as Águas ficaram maduras [na sua sazão] para a concepção, Vâyu pôs-se em movimento sobre a sua superfície. E eis que nelas surgiu uma coisa belíssima: Mitra-Varuna contemplou-se a si próprio, e nelas viu-se a si mesmo, reflectido [paryapasyat]”.
3) Podemos ler no Glossário Teosófico, de Helena Blavatsky: … Vishnu é o Prajâpati (criador) e supremo deus. Como tal, reúne em si três condições: 1ª, a de Brahmâ, o Criador activo; 2ª, a do próprio Vishnu, o Conservador, e 3ª, a de Shiva ou Rudra, o poder destruidor.


(...)"


Continuar a ler o texto aqui


Excerto do artigo "O Som e o Número" da revista BIOSOFIA, n.º32, CLUC, Lisboa.

13 de Novembro de 2008

12 de Novembro de 2008

"ESPIRITUALISMO OU PRIMARISMO?"


Não podíamos estar mais de acordo com estas lúcidas e corajosas palavras...


«Tal como nos momentos de grande efervescência política, já recuados no tempo em Portugal, se usavam os termos “fascista” ou “comuna” como forma primária de insultar, e se invocavam “progressismos” inconsequentes ou se inventavam “reaccionarismos” inexistentes, também nesta época de popularização do ocultismo - tantas vezes, pseudo-ocultismo 1 -, se recorrem às catalogações fáceis para afastar as vozes incómodas que falam de rigor, de qualidade, de conhecimento vasto e fundamentado.

Põe-se o carimbo de “Nova Era”, “Aquariano”, “Uraniano” e “energias do chakra cardíaco” e eis que se abre irreflectidamente a porta a todo o tipo de menoridades, de embustes, de sensacionalismo ignorante, de promessas de Ascensão imediata, de abertura (total!) dos chakras, de alinhamentos das auras dos sete (!!!) corpos, de evacuações para estrelas distantes, de queimas do Karma, de entradas na 4a dimensão, de prazerologias (!!!….) e tutti quanti.

Se, tendo pugnado anos a fio pela causa do Ocultismo (quando tal era manifestamente difícil e impopular) e estando sempre disposto a corrigir os próprios erros, à medida que os detecta, alguém - em nome da dignidade, da pureza e da verdade da Ciência Espiritual - alerta para os perigos da irresponsável promoção do que ilegitimamente apresenta o nome de “esotérico”, é de imediato (e com a maior ligeireza) apodado de “pisceano”, “saturniano”, “chato”, “demasiado complicado” e “excessivamente mental”.

Não obstante, continuamos a sustentar que o fomento e apoio, explícito ou implícito, aos negócios, passatempos e fantasias pseudo-espirituais representa não só falta de inteligência e discernimento mas, também, uma profunda ausência de amor. Sim, ausência de amor pela Verdade e/ou pela qualidade; ausência de amor pela legítima e autêntica espiritualidade que, deste modo, se deixa cair na lama; ausência de amor por toda a Humanidade, ao gerar o risco de deitar a perder, por muitos anos, a oportunidade de restaurar no planeta a universal, intemporal e integral Ciência Sagrada da Vida, a única que pode trazer a solução real dos problemas que nos atormentam.

Todos concordaremos, decerto, que qualquer ciência, filosofia, religião, arte ou actividade social deve servir o propósito de ser verdadeiramente útil - sanando os males e sofrimentos, propiciando o bem e uma duradoura felicidade. No entanto, precisamos de questionar os meios mais adequados e eficazes para atingir esses fins. É neste ponto que temos uma total discordância dos métodos que são geralmente seguidos, e que radicam sempre numa visão limitada, superficial, unilateral e imediatista; que pretendem resolver os problemas ao nível dos efeitos epidérmicos, em vez de operar na sua raiz causal. (...)»

1. Apesar de muito actual, o problema já se punha há 100 anos atrás. Cfr. o pequeno mas utilíssimo livrinho de Annie Besant “Ocultismo, Semi-Ocultismo e Pseudo-Ocultismo! (Editora Teosófica, Brasília).

Continuar a ler o texto aqui

Texto da revista Biosofia n.º11, CLUC, Lisboa, 2001

O estudo da Cosmogénese Teosófica - Parte II

Na continuação do texto O estudo da Cosmogénese Teosófica - Parte I, apresentamos agora a 2.ª parte.


«No Sistema Teosófico cabe a ideia de um Criador?

Só se quisermos simplificar muito e contemporizar com a ideia de um Deus Pessoal, "feito à imagem e semelhança do homem" (e acrescido de mais poder), concepção primária e comodista para quem não se dá ao trabalho de aprofundar mais. Esse suposto Deus pessoal, que criaria universos e os seres do nada, foi magistralmente definido por H.P.Blavatsky como "triste e ímpia caricatura do Eterno Incognoscível" (Introdução da "Doutrina Secreta"). Não há um Criador: há a Eterna Causa de Tudo e há legiões de poderes criadores ("hierarquias criadoras") que colectivamente formam o Demiurgo ou Logos Criador do pensamento Divino.

Mas, então, para os Teósofos, há ou não há o Divino?

Certamente que sim e a sua evidência é avassaladora, visto que está em tudo e em todos. Frequentemente, os teósofos preferem o termo "Divino" em vez de "Deus", precisamente para evitar o limitativo conceito de um Deus pessoal. damos, novamente a palavra a HPB:

"O que se recusa aceitar não é o Deus Uno desconhecido, sempre presente na Natureza, ou a Natureza in abscondito; mas, sim, o "Deus" do dogma humano e o seu "Verbo" humanizado. Na sua incomensurável presunção, e no orgulho e vaidade que lhe são inerentes, criou o homem o seu Deus, pelas próprias mãos sacrílegas e com os materiais que encontrou na sua pobre substância cerebral"
(Proémio da "Doutrina Secreta").

(...)»

A continuar...
***
Excerto de um texto publicado no jornal de investigação teosófica "Portugal Teosófico", n.º 79, 2000, STP, Lisboa, pp 18-19.

A poesia visual de Joel Santos


10 de Novembro de 2008

"Acupuntura Urbana"



Texto de Nuno Lacerda


"Gostei do conceito de Acupuntura Urbana onde uma muito pequena intervenção produz resultados muito abrangentes. O exemplo vem do ex-prefeito de Curitiba no Brasil, Jaime Lerner, que revolucionou o modo de fazer política. Os exemplos são inúmeros mas destaco os seguintes:

- É preciso despoluir uma baía. Qualquer Presidente de Câmara ficaria rapidamente inundado de orçamentos de dezenas de milhões de Euros. Jaime Lerner convocou os pescadores da baía de Curitiba, e disse-lhes que lhes comprava o lixo que eles lá recolhessem. Desse modo despoluiu a baía com um orçamento mínimo dando emprego a uma comunidade.

- Outro caso: De forma a melhorar o sistema de transportes da cidade, Jaime observou que o grande gasto de tempo em transportes não era na viagem, mas na entrada e saída dos passageiros. A solução foi contruir umas platadormas nas paragens para as pessoas entrarem de imediato. Além do mais optou por construir um metro de superfície ao invés do tradicional subterrâneo, poupando tempo e muito dinheiro. Bastou para isso criar caminhos reservados apenas para as carruagens, numa solução próxima da adoptada mais tarde pela cidade do Porto.
Visitem aqui esta entrevista do Sr. Lerner.


Acupuntura Urbana é um livro de Jaime Lerner"


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Texto retirado do blog UNIDUO

8 de Novembro de 2008

Criatividade na Educação

Este vídeo é uma versão reduzida de uma excelente apresentação feita por Sir Ken Robinson durante as Conferências TED.

Uma entrevista com Ken Robinson sobre o facto de as escolas "matarem" a criatividade.

"Education is a terrible way to find out what you're good at. Sound strange, right?

But think about this; how many of you are currently working in the subject you liked most in school. Not the one you excelled in, the one you liked. In our very streamlined public education system, children around the world are taught the maths and sciences, but how many of them are taught art, painting or dance with the same vigour? In our very streamlined public education system, children around the world are taught the maths and sciences, but how many of them are taught art, painting or dance with the same vigour? Riz speaks with world renowned creativity and education expert Ken Robinson who strongly believes the current state of education may begin holistically but progressively focuses "on the head, and then just to one side."


How Creativity,
Education and theArts
Shape aModern Economy

Uma Nova Política


Eis uma nova forma de conduzir a actividade política e um extraordinário exemplo de abertura aos cidadãos por parte do poder político:


CHANGE.GOV

7 de Novembro de 2008

"Inquietações Pedagógicas"

" Educação para a Cidadania" - Escola da Ponte


Que a educação em Portugal se encontra um tanto ou quanto à deriva e é vítima de ideologias ultrapassadas, já todos nós sabemos. Que é possível uma outra escola, todos nós admitemos. Que outro(s) modelo(s) de escola existe(m), nem todos nós sabemos. Que não é preciso ir à Finlândia para aprender como se faz, quase nenhum de nós acreditará.

Apesar de tudo, aconselhamos vivamente a todos os interessados pela Educação/Sistema de Ensino uma visita ao interessante blog Inquietações Pedagógicas, e leiam os vários
posts colocados pela autora durante a sua visita a escolas finlandesas (Diário da Finlândia).

Depois, salvo as devidas diferenças (em particular no que se refere aos recursos materiais e financeiros) veja-se o trabalho desenvolvido, por exemplo, na EB1 de Vila das Aves, também conhecida por ESCOLA DA PONTE.

Por cá também existem escolas de excelência... mas PARA TODOS, e não apenas para os mais afortunados!

Mas haverá sempre quem não acredite, quem invente desculpas, quem tenha outras prioridades (a que custos?!) ou continue a assobiar para o lado! É tempo de despertar e lutar por uma profunda mudança no sistema público de ensino!


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Publicação Teosófica

Já se encontra on-line a edição de Outubro de 2008 do

5 de Novembro de 2008

NÓS TEMOS UM SONHO / WE HAVE A DREAM


“A solidariedade e a cooperação entre as nações não é uma escolha. É o único caminho, o único caminho, para proteger a nossa segurança comum e fazer avançar a nossa humanidade comum. "



Barack Obama, durante o discurso proferido em Berlim em Julho de 2008, perante 200.000 pessoas.


***


Hoje foi eleito o primeiro presidente negro nos Estados Unidos da América. O sonho profetizado outrora por Martin Luther King torna-se cada vez mais real. Este acontecimento simbólico anuncia, a nosso ver, um sonho ainda maior e que todos nós acalentamos: o sonho de uma Terra Una, da união fraterna de todos os povos:


"Na verdade, se outrora foi um ideal verdadeiramente justo e belo aquele que se configurava na frase emblemática “Uma Só Nação”, nos nossos dias o ideal a realizar é “Uma Só Terra”: uma só Terra com um governo unificado, com uma religião unificada, com uma consciência unificada. E assim, todos os povos da terra emergirão com o seu colorido, com as suas vestes, com as suas canções, com os seus legados, com as suas missões para dar e receber.


Pela nossa parte, não podemos deixar de rejubilar com o tempo em que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se sentarão à mesa… comendo os frutos da abundância da consciência em expansão deste Planeta, da nossa Mãe Terra; com o dia em que o Cosmos fecundará a Terra e a Terra dará verdadeiramente à luz o seu filho - a consciência una de si própria. (...)


Cabe, pois, recordar, que a única fraternidade mundial possível e legítima, é a do encontro, reconhecimento, convívio e partilha de todos os recursos materiais, morais e espirituais, de todas as experiências, de todas as histórias, de todas as culturas, de todos os homens, de todas as raças, de todas as nações, de todos os anseios, de todas as conquistas, de todos os futuros possíveis e sonhados. (...)"



Excerto do texto "Uma Terra Una… com muitas cores", da revista BIOSOFIA.


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EU TENHO UM SONHO
Excerto do discurso de Martin Luther King (28/08/1963)


"(...) Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano.

Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!

Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje!

"Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.

Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.
E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.
Mas não é só isso. Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu o sino da liberdade."

E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho espiritual negro:

Livre afinal, livre afinal. (...)"

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(Discurso de Barack Obama em Berlim)


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Ler:


"Uma Terra Una… com muitas cores"

4 de Novembro de 2008

Um dia simbólico para o mundo.

(Primeira página da Constituição dos Estados Unidos da América)

"We the People of the United States, in Order to form a more perfect Union, establish Justice, insure domestic Tranquility, provide for the common defense, promote the general Welfare, and secure the Blessings of Liberty to ourselves and our Posterity, do ordain and establish this Constitution for the United States of America."

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"Nós, o Povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer a Justiça, assegurar a Tranqüilidade interna, prover a defesa comum, promover o Bem-Estar geral, e garantir para nós e para os nossos descendentes os Benefícios da Liberdade, promulgamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América."

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(Discurso de barack Obama em 2007)

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Hoje, dia 4 de Novembro, é dia de eleições nos Estados Unidos da América. Biliões de pessoas em todo o mundo aguardam ansiosamente o desfecho deste acto eleitoral histórico. Um país que à pouco mais de cem anos atrás abrigava milhões de cidadãos negros condenados à escravatura, prepara-se para eleger o primeiro presidente negro da sua história. Este é um dia verdadeiramente simbólico no inaugurar de uma nova ordem mundial. Esperemos que os Estados Unidos voltem novamente a ser uma luz no mundo em defesa dos valores sagrados da Liberdade, Igualdade e Fraternidade para todos os povos da Terra.
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(Palavras finais de Barack Obama no discurso de encerramento no último dia de campanha na Virginia)

"We have a Lot of Work to Do"

"The Seven Rejoices of Mary"

Loreena McKennitt - The Seven Rejoices of Mary
(do novo albúm A Midwinter Night´s Dream)

1 de Novembro de 2008

DIREITOS SOCIAIS, CULTURAIS E ECONÓMICOS

Biliões de mulheres, homens e crianças enfrentam niveis de privações que atentam contra o seu direito a viver com dignidade. A fome, a falta de habitação e o não tratamento de doenças não são inevitáveis problemas sociais ou simplesmente o resultado de desatres naturais - eles são um verdadeiro ESCÂNDALO E UMA VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS.

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