12 de novembro de 2008

"ESPIRITUALISMO OU PRIMARISMO?"


Não podíamos estar mais de acordo com estas lúcidas e corajosas palavras...


«Tal como nos momentos de grande efervescência política, já recuados no tempo em Portugal, se usavam os termos “fascista” ou “comuna” como forma primária de insultar, e se invocavam “progressismos” inconsequentes ou se inventavam “reaccionarismos” inexistentes, também nesta época de popularização do ocultismo - tantas vezes, pseudo-ocultismo 1 -, se recorrem às catalogações fáceis para afastar as vozes incómodas que falam de rigor, de qualidade, de conhecimento vasto e fundamentado.

Põe-se o carimbo de “Nova Era”, “Aquariano”, “Uraniano” e “energias do chakra cardíaco” e eis que se abre irreflectidamente a porta a todo o tipo de menoridades, de embustes, de sensacionalismo ignorante, de promessas de Ascensão imediata, de abertura (total!) dos chakras, de alinhamentos das auras dos sete (!!!) corpos, de evacuações para estrelas distantes, de queimas do Karma, de entradas na 4a dimensão, de prazerologias (!!!….) e tutti quanti.

Se, tendo pugnado anos a fio pela causa do Ocultismo (quando tal era manifestamente difícil e impopular) e estando sempre disposto a corrigir os próprios erros, à medida que os detecta, alguém - em nome da dignidade, da pureza e da verdade da Ciência Espiritual - alerta para os perigos da irresponsável promoção do que ilegitimamente apresenta o nome de “esotérico”, é de imediato (e com a maior ligeireza) apodado de “pisceano”, “saturniano”, “chato”, “demasiado complicado” e “excessivamente mental”.

Não obstante, continuamos a sustentar que o fomento e apoio, explícito ou implícito, aos negócios, passatempos e fantasias pseudo-espirituais representa não só falta de inteligência e discernimento mas, também, uma profunda ausência de amor. Sim, ausência de amor pela Verdade e/ou pela qualidade; ausência de amor pela legítima e autêntica espiritualidade que, deste modo, se deixa cair na lama; ausência de amor por toda a Humanidade, ao gerar o risco de deitar a perder, por muitos anos, a oportunidade de restaurar no planeta a universal, intemporal e integral Ciência Sagrada da Vida, a única que pode trazer a solução real dos problemas que nos atormentam.

Todos concordaremos, decerto, que qualquer ciência, filosofia, religião, arte ou actividade social deve servir o propósito de ser verdadeiramente útil - sanando os males e sofrimentos, propiciando o bem e uma duradoura felicidade. No entanto, precisamos de questionar os meios mais adequados e eficazes para atingir esses fins. É neste ponto que temos uma total discordância dos métodos que são geralmente seguidos, e que radicam sempre numa visão limitada, superficial, unilateral e imediatista; que pretendem resolver os problemas ao nível dos efeitos epidérmicos, em vez de operar na sua raiz causal. (...)»

1. Apesar de muito actual, o problema já se punha há 100 anos atrás. Cfr. o pequeno mas utilíssimo livrinho de Annie Besant “Ocultismo, Semi-Ocultismo e Pseudo-Ocultismo! (Editora Teosófica, Brasília).

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Texto da revista Biosofia n.º11, CLUC, Lisboa, 2001