14 de Novembro de 2008

"O Som e o Número"

"O Som Criador


Todas as Escrituras Sagradas, de Oriente a Ocidente, se referem a um Som inicial, fazedor de Mundos. No Ocidente, a versão bíblica nos diz que “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dele” (João, 1:1-3).


Igualmente nas Cosmogonias mais orientais, o som (sabda, em sânscrito) é o construtor da Manifestação (Sabda Brahman). No sistema Vedantino, esse Som criador ou Palavra é Vâch. E mais a Ocidente, os Gregos antigos tinham o designativo Logos para este mesmo conceito. Contudo, Verbo, vocábulo de etimologia latina, é um termo sumamente feliz para significar, precisamente, esse acto da Criação.


Gramaticalmente, Verbo é uma palavra com a qual afirmamos a existência de uma acção, de um estado ou de uma qualidade que atribuímos ao sujeito. É, pois, algo como uma extensão (activa) do (de um) sujeito. Infere-se, daí, que o sujeito permanece abstracto e
imanifestado sem essa acção, que então o representa e torna manifesto. Assim, de facto, o Verbo é a primeira expressão da Manifestação e o que permite que ela se desenvolva.

O Verbo, neste sentido místico, metafísico, veio a antropomorfizar-se e a integrar a tríade de figuras deíficas da Tradição Cristã – as três “Pessoas” da Trindade (ou Unidade trina, de três aspectos) “Pai, Filho e Espírito Santo” – fazendo-se corresponder ao “Filho” ou “Cristo”.

O mesmo sucedera nas outras culturas e, assim, segundo a alegoria do Padma Purâna: “No princípio, Mahâ-Vishnu (o Grande Vishnu)(1), desejoso de criar o mundo, converteu-se em três: criador, conservador e destruidor. A fim de produzir este mundo, o Espírito supremo fez emanar Brahmâ do lado direito do seu corpo; em seguida, a fim de conservar o universo, produziu do seu lado esquerdo o deus Vishnu; e, por fim, para destruir o mundo, do meio do seu corpo produziu o eterno Shiva”
(2), (3).

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1) Em alguns dos Purânas, como este, Vishnu é o Supremo Deus.
2) Nos Vedas, inicialmente, essa trindade era composta por Vâyu, Sûrya ou Savitri, e Agni, que mais tarde se fizeram correrponder, respectivamente, a Brahmâ, Vishnu e Shiva. E no Pancavimsa Brahmana é dito, numa sugestiva exposição do acto divino da Criação, muito semelhante, aliás, à versão Judaico-Cristã: “… Quando as Águas ficaram maduras [na sua sazão] para a concepção, Vâyu pôs-se em movimento sobre a sua superfície. E eis que nelas surgiu uma coisa belíssima: Mitra-Varuna contemplou-se a si próprio, e nelas viu-se a si mesmo, reflectido [paryapasyat]”.
3) Podemos ler no Glossário Teosófico, de Helena Blavatsky: … Vishnu é o Prajâpati (criador) e supremo deus. Como tal, reúne em si três condições: 1ª, a de Brahmâ, o Criador activo; 2ª, a do próprio Vishnu, o Conservador, e 3ª, a de Shiva ou Rudra, o poder destruidor.


(...)"


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Excerto do artigo "O Som e o Número" da revista BIOSOFIA, n.º32, CLUC, Lisboa.

12 de Novembro de 2008

"ESPIRITUALISMO OU PRIMARISMO?"


Não podíamos estar mais de acordo com estas lúcidas e corajosas palavras...


«Tal como nos momentos de grande efervescência política, já recuados no tempo em Portugal, se usavam os termos “fascista” ou “comuna” como forma primária de insultar, e se invocavam “progressismos” inconsequentes ou se inventavam “reaccionarismos” inexistentes, também nesta época de popularização do ocultismo - tantas vezes, pseudo-ocultismo 1 -, se recorrem às catalogações fáceis para afastar as vozes incómodas que falam de rigor, de qualidade, de conhecimento vasto e fundamentado.

Põe-se o carimbo de “Nova Era”, “Aquariano”, “Uraniano” e “energias do chakra cardíaco” e eis que se abre irreflectidamente a porta a todo o tipo de menoridades, de embustes, de sensacionalismo ignorante, de promessas de Ascensão imediata, de abertura (total!) dos chakras, de alinhamentos das auras dos sete (!!!) corpos, de evacuações para estrelas distantes, de queimas do Karma, de entradas na 4a dimensão, de prazerologias (!!!….) e tutti quanti.

Se, tendo pugnado anos a fio pela causa do Ocultismo (quando tal era manifestamente difícil e impopular) e estando sempre disposto a corrigir os próprios erros, à medida que os detecta, alguém - em nome da dignidade, da pureza e da verdade da Ciência Espiritual - alerta para os perigos da irresponsável promoção do que ilegitimamente apresenta o nome de “esotérico”, é de imediato (e com a maior ligeireza) apodado de “pisceano”, “saturniano”, “chato”, “demasiado complicado” e “excessivamente mental”.

Não obstante, continuamos a sustentar que o fomento e apoio, explícito ou implícito, aos negócios, passatempos e fantasias pseudo-espirituais representa não só falta de inteligência e discernimento mas, também, uma profunda ausência de amor. Sim, ausência de amor pela Verdade e/ou pela qualidade; ausência de amor pela legítima e autêntica espiritualidade que, deste modo, se deixa cair na lama; ausência de amor por toda a Humanidade, ao gerar o risco de deitar a perder, por muitos anos, a oportunidade de restaurar no planeta a universal, intemporal e integral Ciência Sagrada da Vida, a única que pode trazer a solução real dos problemas que nos atormentam.

Todos concordaremos, decerto, que qualquer ciência, filosofia, religião, arte ou actividade social deve servir o propósito de ser verdadeiramente útil - sanando os males e sofrimentos, propiciando o bem e uma duradoura felicidade. No entanto, precisamos de questionar os meios mais adequados e eficazes para atingir esses fins. É neste ponto que temos uma total discordância dos métodos que são geralmente seguidos, e que radicam sempre numa visão limitada, superficial, unilateral e imediatista; que pretendem resolver os problemas ao nível dos efeitos epidérmicos, em vez de operar na sua raiz causal. (...)»

1. Apesar de muito actual, o problema já se punha há 100 anos atrás. Cfr. o pequeno mas utilíssimo livrinho de Annie Besant “Ocultismo, Semi-Ocultismo e Pseudo-Ocultismo! (Editora Teosófica, Brasília).

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Texto da revista Biosofia n.º11, CLUC, Lisboa, 2001

O estudo da Cosmogénese Teosófica - Parte II

Na continuação do texto O estudo da Cosmogénese Teosófica - Parte I, apresentamos agora a 2.ª parte.


«No Sistema Teosófico cabe a ideia de um Criador?

Só se quisermos simplificar muito e contemporizar com a ideia de um Deus Pessoal, "feito à imagem e semelhança do homem" (e acrescido de mais poder), concepção primária e comodista para quem não se dá ao trabalho de aprofundar mais. Esse suposto Deus pessoal, que criaria universos e os seres do nada, foi magistralmente definido por H.P.Blavatsky como "triste e ímpia caricatura do Eterno Incognoscível" (Introdução da "Doutrina Secreta"). Não há um Criador: há a Eterna Causa de Tudo e há legiões de poderes criadores ("hierarquias criadoras") que colectivamente formam o Demiurgo ou Logos Criador do pensamento Divino.

Mas, então, para os Teósofos, há ou não há o Divino?

Certamente que sim e a sua evidência é avassaladora, visto que está em tudo e em todos. Frequentemente, os teósofos preferem o termo "Divino" em vez de "Deus", precisamente para evitar o limitativo conceito de um Deus pessoal. damos, novamente a palavra a HPB:

"O que se recusa aceitar não é o Deus Uno desconhecido, sempre presente na Natureza, ou a Natureza in abscondito; mas, sim, o "Deus" do dogma humano e o seu "Verbo" humanizado. Na sua incomensurável presunção, e no orgulho e vaidade que lhe são inerentes, criou o homem o seu Deus, pelas próprias mãos sacrílegas e com os materiais que encontrou na sua pobre substância cerebral"
(Proémio da "Doutrina Secreta").

(...)»

A continuar...
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Excerto de um texto publicado no jornal de investigação teosófica "Portugal Teosófico", n.º 79, 2000, STP, Lisboa, pp 18-19.

A poesia visual de Joel Santos


10 de Novembro de 2008

"Acupuntura Urbana"



Texto de Nuno Lacerda


"Gostei do conceito de Acupuntura Urbana onde uma muito pequena intervenção produz resultados muito abrangentes. O exemplo vem do ex-prefeito de Curitiba no Brasil, Jaime Lerner, que revolucionou o modo de fazer política. Os exemplos são inúmeros mas destaco os seguintes:

- É preciso despoluir uma baía. Qualquer Presidente de Câmara ficaria rapidamente inundado de orçamentos de dezenas de milhões de Euros. Jaime Lerner convocou os pescadores da baía de Curitiba, e disse-lhes que lhes comprava o lixo que eles lá recolhessem. Desse modo despoluiu a baía com um orçamento mínimo dando emprego a uma comunidade.

- Outro caso: De forma a melhorar o sistema de transportes da cidade, Jaime observou que o grande gasto de tempo em transportes não era na viagem, mas na entrada e saída dos passageiros. A solução foi contruir umas platadormas nas paragens para as pessoas entrarem de imediato. Além do mais optou por construir um metro de superfície ao invés do tradicional subterrâneo, poupando tempo e muito dinheiro. Bastou para isso criar caminhos reservados apenas para as carruagens, numa solução próxima da adoptada mais tarde pela cidade do Porto.
Visitem aqui esta entrevista do Sr. Lerner.


Acupuntura Urbana é um livro de Jaime Lerner"


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Texto retirado do blog UNIDUO

8 de Novembro de 2008

Criatividade na Educação

Este vídeo é uma versão reduzida de uma excelente apresentação feita por Sir Ken Robinson durante as Conferências TED.

Uma entrevista com Ken Robinson sobre o facto de as escolas "matarem" a criatividade.

"Education is a terrible way to find out what you're good at. Sound strange, right?

But think about this; how many of you are currently working in the subject you liked most in school. Not the one you excelled in, the one you liked. In our very streamlined public education system, children around the world are taught the maths and sciences, but how many of them are taught art, painting or dance with the same vigour? In our very streamlined public education system, children around the world are taught the maths and sciences, but how many of them are taught art, painting or dance with the same vigour? Riz speaks with world renowned creativity and education expert Ken Robinson who strongly believes the current state of education may begin holistically but progressively focuses "on the head, and then just to one side."


How Creativity,
Education and theArts
Shape aModern Economy

7 de Novembro de 2008

"Inquietações Pedagógicas"

" Educação para a Cidadania" - Escola da Ponte


Que a educação em Portugal se encontra um tanto ou quanto à deriva e é vítima de ideologias ultrapassadas, já todos nós sabemos. Que é possível uma outra escola, todos nós admitemos. Que outro(s) modelo(s) de escola existe(m), nem todos nós sabemos. Que não é preciso ir à Finlândia para aprender como se faz, quase nenhum de nós acreditará.

Apesar de tudo, aconselhamos vivamente a todos os interessados pela Educação/Sistema de Ensino uma visita ao interessante blog Inquietações Pedagógicas, e leiam os vários
posts colocados pela autora durante a sua visita a escolas finlandesas (Diário da Finlândia).

Depois, salvo as devidas diferenças (em particular no que se refere aos recursos materiais e financeiros) veja-se o trabalho desenvolvido, por exemplo, na EB1 de Vila das Aves, também conhecida por ESCOLA DA PONTE.

Por cá também existem escolas de excelência... mas PARA TODOS, e não apenas para os mais afortunados!

Mas haverá sempre quem não acredite, quem invente desculpas, quem tenha outras prioridades (a que custos?!) ou continue a assobiar para o lado! É tempo de despertar e lutar por uma profunda mudança no sistema público de ensino!


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