14 de outubro de 2010

RESGATANDO A TEOSOFIA AUTÊNTICA


A Loja Unida de Teosofistas, LUT,
Inicia um Trabalho Pioneiro em Portugal


Joaquim Soares


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O artigo a seguir foi publicado inicialmente
na revista Biosofia, de Lisboa, em sua edição
número 37, do Verão de 2010, páginas  45 a 47.

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 Robert Crosbie fundou a LUT em 1909



A obra de Helena P. Blavatsky é uma referência confiável para aqueles que se esforçam por percorrer com seriedade o caminho espiritual. [1]  O legado de sabedoria deixado por H.P.B., e o exemplo abnegado da sua vida estão hoje, talvez mais do que nunca, vivos e presentes como instrumentos e como fontes de inspiração para que se construa um mundo melhor e uma humanidade mais fraterna.

H.P.Blavatsky foi autora das mais maravilhosas e profundas obras de Filosofia Esotérica - ou Teosofia -,  sem paralelo na história da literatura filosófica dos últimos dois mil e quinhentos anos. No entanto, é possível que a sua principal herança, a sua verdadeira obra-prima, a sua maior dádiva à humanidade, tenha sido o estabelecimento do movimento teosófico.

O movimento teosófico moderno foi fundado em 1875 na cidade de Nova Iorque por Helena  Blavatsky com a colaboração de Henry Olcott e William Judge, e seguindo as orientações de Sábios dos Himalaias.  Pouco tempo depois, o mesmo movimento universalista surge na Índia, em Adyar. Os seus três objectivos declarados são:

I  – Formar o núcleo de uma Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor;

II  – O  estudo de religiões, filosofias e ciências antigas e modernas, e a demonstração da importância de tal estudo;

III – A investigação das leis inexplicadas da Natureza e dos poderes psíquicos latentes no homem. [2]

As bases do movimento teosófico autêntico foram lançadas essencialmente entre 1875 e 1891, quando morre H.P.B.  Após a morte dos outros dois principais fundadores, William Judge e Henry Olcott, o movimento teosófico internacional passou a ser dominado por  dogmatismos burocrático-ritualistas, que asfixiaram grande parte da sua vitalidade e distorceram suas potencialidades. As linhas originais de acção foram substituídas por propostas fantasiosas, e surgiu a pseudo-teosofia de Adyar. A aceitação cega de opiniões pessoais e sem fundamento tomou o lugar da busca livre e rigorosa da verdade.

Durante as primeiras décadas do século 20, no entanto, um pequeno número de teosofistas percebeu com preocupação o acentuado afastamento verificado no movimento em relação à teosofia apresentada por H.P.Blavatsky e pelos Mahatmas,  e se propôs a formar um núcleo de estudantes independentes, livres de quaisquer processos burocráticos e autoritários, focados no estudo e no trabalho teosófico.

Em 1909 foi fundada na Califórnia, por iniciativa de Robert Crosbie, a Loja Unida de Teosofistas. Partindo de uma visão não-burocrática e não-sectária, Crosbie e mais alguns teosofistas recuperaram a proposta original de Blavatsky.  Ao nível do plano oculto, nada está separado no movimento esotérico. Esta iniciativa, que transcende as formas externas, teve e tem ainda uma influência central e decisiva na  preservação do projecto original de H.P.Blavatsky e da Teosofia.  É graças à L.U.T. que nem a Sociedade Teosófica de Adyar nem qualquer outra corporação detém um monopólio da Teosofia ou do movimento teosófico. O movimento é amplo e diversificado: ele contempla diversas linhas e propostas de trabalho.  

As três principais correntes ou tendências do movimento são hoje a Sociedade Teosófica (ST) de Adyar, a Sociedade Teosófica de Pasadena e a Loja Unida de Teosofistas (L.U.T). A ST de Adyar congrega entre 80 a 90 por cento dos teosofistas do mundo, seguida da L.U.T que está presente em 15 países e, por fim, da ST de Pasadena, presente em 9 ou 10 países.  Para além destas três linhas de trabalho principais, existem depois várias outras pequenas associações e grupos de estudantes significativos, importantes, espalhados por vários países do mundo.

Dando prioridade à autonomia de cada estudante e à vivência da teosofia, a L.U.T. tem como alicerce alguns princípios muito simples, e a convicção de que um centro teosófico se cria de forma natural, pela afinidade de estudantes sinceros.  A ênfase é colocada na ideia de que cada indivíduo é responsável pelo seu próprio crescimento, e de que a melhor associação é aquela que oferece a máxima de liberdade individual ao mesmo tempo que possibilita o contacto e colaboração com outros companheiros de caminhada.

A L.U.T. não tem qualquer processo burocrático ou exige o pagamento de qualquer taxa. Na verdade, a L.U.T. não é sequer uma “sociedade teosófica”, mas simplesmente uma Escola de Teosofia – uma associação informal e voluntária de estudantes unidos pela sua “similaridade de metas, propósitos e ensinamentos”.

O principal documento que orienta as ações da  L.U.T.  consta de alguns poucos parágrafos. A  Declaração da Loja Unida de Teosofistas, de 1909, afirma:

O programa de acção desta Loja consiste na devoção independente à causa da Teosofia, sem vinculação oficial a nenhuma organização teosófica. Ela é leal aos grandes fundadores do movimento teosófico, mas não se ocupa com desavenças  ou diferenças de opiniões individuais.

O trabalho a que ela se dedica e a meta que ela mantém em vista são demasiado importantes e demasiado elevados para que haja tempo ou disposição para participar de questões laterais. O trabalho e a meta são a disseminação dos princípios fundamentais da filosofia teosófica, e a exemplificação prática desses princípios através de uma compreensão do EU SUPERIOR; uma convicção mais profunda da Fraternidade Universal.

Esta Loja considera que a base inatacável para a união entre os teosofistas, independentemente de como e onde eles se situem, está na “similaridade da meta, do propósito e do ensinamento”, e portanto não possui nem Estatuto, nem Regimento Interno, nem Dirigentes. O único laço entre os seus associados  é a base mencionada acima. A Loja tem por objectivo disseminar essa ideia entre os teosofistas, promovendo a Unidade.

Ela vê como teosofistas todos os que estão envolvidos no verdadeiro serviço pela Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, situação pessoal ou organização;  e –

Ela dá as boas vindas como associados a todos aqueles que estão de acordo com os seus propósitos declarados e desejam preparar-se, através do estudo e de outros modos, para serem mais capazes de ajudar e ensinar outras pessoas.

O verdadeiro teosofista não pertence a nenhum culto ou seita, e no entanto pertence a todos eles.

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Até aqui a declaração.

Em Novembro de 2009 foi registrado sem formalidades, no escritório da L.U.T. em Los Angeles, o surgimento da Loja Luso-Brasileira da L.U.T.  O fato representa um pequeno mas claro começo de trabalho para que se abra uma etapa histórica renovada no movimento teosófico em países de expressão portuguesa. A nova loja está voltada para o futuro da humanidade e para o futuro do movimento esotérico.

Em Portugal, com a L.U.T., surge  agora abertamente,  pela primeira vez desde 1875, a proposta original do movimento teosófico. A dimensão pública deste começo de trabalho se mostra através do blog  www.teosofiaoriginal.com  e  conta com o apoio activo do blog www.vislumbresdaoutramargem.com .  Um e-mail para contacto é lutportugal@gmail.com . A loja luso-brasileira da L.U.T. também mantém o website www.filosofiaesoterica.com e - em língua inglesa – edita o blog www.esoteric-philosophy.com .

O trabalho da L.U.T.  em nosso país visa resgatar e valorizar a obra do pensador português Frederico Francisco Stuart e Mourão (1827 – 1908), o Visconde de Figanière.  Discípulo directo e colaborador de Helena Blavatsky, Figanière é o grande pioneiro da teosofia moderna em língua portuguesa.

Também levamos em conta o trabalho feito nos anos de 1990 por um pequeno grupo de estudos da L.U.T. em Portugal, a cujos integrantes agradecemos pelo apoio dado neste início de trabalho luso-brasileiro.

Durante o processo de resgate português do projecto original do movimento, será necessário encarar de frente os erros cometidos no passado. Eles não são erros pessoais, mas pedagógicos. Resultaram, basicamente, do afastamento da filosofia esotérica  autêntica e da adopção bem intencionada de uma pseudo-teosofia colocada a serviço de rituais, hierarquias de poder, etc.

Para que o movimento como um todo seja revitalizado e possa cumprir em nosso país o seu dharma - o seu dever e potencial positivo -, é necessário questionar as falsas ideias e derrubar com toda liberdade os embustes e as aparências artificialmente mantidas. A verdade deve ser a única meta. Ninguém pode ficar refém de proclamações de autoridade ou seguidismos. É preciso abrir caminho novo.

Até agora não restava outra alternativa, aos que não compactuavam com a pseudo-teosofia,  do que abandonar a ST de Adyar e prosseguir solitariamente seus estudos. Surge, agora, uma possibilidade inteiramente nova para o estudante que procura estudar teosofia: uma corrente de trabalho centrada, sem distorções, na literatura dada pelos Mahatmas através de H. P. Blavatsky.

NOTAS:

[1] Ler “Helena Blavatsky – A Sabedoria Universal”, José Manuel Anacleto, Biosofia n.º1, Lisboa, 1999, pp.20-24

[2] Texto traduzido da contracapa do livreto “Work for Theosophy - Articles by William Q. Judge”,  The Theosophy Company, Los Angeles, Califórnia, EUA, 48 pp. 

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Visite sempre o blog da LUT  www.teosofiaoriginal.com .

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