31 de Agosto de 2010

Countdown to Zero


Muitas pessoas ficaram indignadas por Barack Obama ter recebido o Prémio Nobel da Paz. Não perceberam!

Como já aqui tínhamos referido:

"O comité deu muita importância à visão e aos esforços de Obama com vista a um mundo sem armas nucleares", declarou o presidente do comité, Thorbjoern Jagland. "Só muito raramente uma pessoa conseguiu como Obama capturar a atenção do mundo e dar às pessoas esperança para um futuro melhor", afirmou ainda o comité, avaliando que “a diplomacia [de Obama] é fundada no conceito de que aqueles que lideram o mundo têm de o fazer tendo por base valores e atitudes que são partilhados pela maioria da população mundial”.

Countdown to Zero” é um excelente documentário sobre a proliferação de armas nucleares e talvez ajude a generalidade do público perceber a importância de uma iniciativa que pretende erradicar as armas nucleares da face da Terra. Isso implica, numa primeira abordagem, conter os esforços que grupos fundamentalistas para obterem tecnologia nuclear.



Demand Zero

"COUNTDOWN TO ZERO traces the history of the atomic bomb from its origins to the present state of global affairs: nine nations possess nuclear weapons capabilities with others racing to join them, with the world held in a delicate balance that could be shattered by an act of terrorism, failed diplomacy, or a simple accident. Written and directed by acclaimed documentarian Lucy Walker (Devil’s PlaygroundBlindsight), the film features an array of important international statesmen, including Jimmy Carter, Mikhail Gorbachev, Pervez Musharraf and Tony Blair. Magnolia Pictures is releasing the film in North America; HISTORY™ has North American broadcast rights. The film was produced by Academy Award® winner and 2009 nominee Lawrence Bender (Inglourious BasterdsAn Inconvenient Truth) and developed, financed and executive produced by Participant Media, together with World Security Institute."



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30 de Agosto de 2010

A MEDIUNIDADE E A TEOSOFIA


Por Que a Filosofia Esotérica
Recomenda Evitar Práticas Mediúnicas?

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O texto a seguir surgiu de um diálogo entre
estudantes do e-grupo SerAtento, em maio de 2010

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Qual a visão da teosofia original em relação à mediunidade espírita?
  
Para examinar esta questão, é fundamental o estudo amplo e calmo da constituição oculta do ser humano, tal como ensinada pela Filosofia Esotérica. Sem compreender a sua natureza complexa não será possível perceber os processos naturais de desenvolvimento e evolução, de vida e morte, e do caminho do discipulado. [1]

Vejamos, resumidamente, algumas ideias básicas.

O Ser Humano tem a seguinte natureza setenária:

1) Sthula-sharira --  Corpo Físico
2) Prana --  Princípio Vital
3) Linga-Sharira -- Modelo ou duplo astral
4) Kama -- A sede dos desejos, paixões e emoções

Estes 4 Princípios (ou mais corretamente 3 Princípios e o Corpo Físico) formam aquilo que a Teosofia designa por Quaternário Inferior, ou os níveis mortais;  a Personalidade, que apenas subsiste durante o período de uma encarnação.

Em seguida, temos a Tríade Superior:

5) Manas -- Mente, Inteligência. Este princípio é dual em suas funções.
6) Buddhi -- Intuição Espiritual. A Alma espiritual.
7) Atma -- O Eu Imortal. Espírito.

Um ponto importante a considerar é que existe uma ligação entre o Quaternário Inferior e a Tríade Superior, que é Antahkarana. O objetivo de todo aquele que percorre o Caminho Espiritual é ir “construindo”, ao longo de várias vidas, uma  ponte cada vez maior entre os níveis mortais e os níveis espirituais e imperecíveis.

Na constituição setenária podemos distinguir igualmente três Almas, ou, três “tipos de consciência”:

1) Alma Animal ou Mortal (eu inferior): um agregado de Kama + Manas
2) Alma Humana: Buddhi + Manas
3) Alma Espiritual ou Imortal (Eu superior): Atma + Buddhi

O caminho espiritual consiste na transferência da consciência do eu inferior para o eu superior, da alma mortal para Alma Imortal, através do despertar da Alma Humana, ou Buddhi-Manas, a Inteligência e Compaixão Universal.

Diante desta perspectiva da constituição integral do ser humano, podemos perceber que a mediunidade espírita e os demais fenômenos mediúnicos têm a sua base na atividade da alma animal ou mortal, no nível da Ilusão. Para a Teosofia autêntica, a mediunidade é um grave infortúnio e o discípulo esotérico é o oposto do médium. Um é ativo e positivo, o outro é passivo e negativo; um desenvolve progressivamente a sua vontade e poder sobre todas as circunstâncias e forças inferiores, o outro vai perdendo cada vez mais a sua autonomia e passa a ser o instrumento “dócil” de todo o tipo de influências; enquanto um se esforça por polarizar nos níveis verdadeiramente espirituais e seguros (Alma Imortal), o outro se deixa dominar e enredar nos níveis da ilusão (Alma Mortal); um refina os seus veículos de percepção, o outro desestrutura e degrada a sua fisiologia oculta; um amplia a sua consciência, o outro limita a sua consciência; um procura ler o Pensamento Divino, outro se ilude com os reflexos da Luz Astral; um toma nas mãos a responsabilidade de se conduzir pelo Caminho ascendente, outro delega a forças estranhas seu percurso de crescentes infortúnios.

Num capítulo da extraordinária obra de Helena Blavatsky, “Ísis Sem Véu”,  podemos ler o seguinte, a propósito da mediunidade (passiva):

“Longe de nós o pensamento de lançar uma mácula injusta sobre os médiuns físicos. Exauridos por diversas inteligências, reduzidos -  pela influência predominante dos espíritos [2] , à qual suas naturezas fracas e nervosas são incapazes de resistir - a um estado mórbido, que ao fim se torna crônico, eles são impedidos por essas ‘influências’ de assumir outra ocupação. Eles se tornam mental e fisicamente incapazes para qualquer outra atividade. Quem pode julgá-los severamente quando, lançados numa situação extrema, são constrangidos a aceitar a mediunidade como um negócio? E o céu sabe, como bem o demonstraram os últimos acontecimentos, se essa profissão deve ser invejada por quem quer que seja!”[3]

Todo o texto restante merece ser lido.  Em um trecho mais adiante, HPB nos oferece palavras muito claras sobre a situação dos médiuns:

“É um erro dizer que um médium tem poderes desenvolvidos. Um médium passivo não tem poder. Ele tem uma certa condição moral e física que produz emanações, ou uma aura, na qual as inteligências que o guiam podem viver e pela qual elas se manifestam. Ele é apenas o veículo através do qual elas exercem seu poder. Essa aura varia dia a dia, e, segundo as experiências do sr. Crookes, mesmo de hora a hora. É um efeito externo que resulta de causas internas. A condição moral do médium determina a espécie dos espíritos que vêm; e os espíritos que vêm influenciam reciprocamente o médium, intelectual, física e moralmente. A perfeição de sua mediunidade está na razão da sua passividade, e o perigo que ele corre está no mesmo grau. Quando ele está completamente ‘desenvolvido’ - perfeitamente passivo -, o seu próprio espírito astral pode ser paralisado, até mesmo retirado de seu corpo, que é então ocupado por um elemental (…).”

“Como a mediunidade física depende da passividade, o seu antídoto é óbvio: o médium deve cessar de ser passivo. Os espíritos nunca controlam pessoas de caráter positivo que estão determinadas a resistir a todas as influências estranhas. Levam ao vício os fracos e os pobres de espírito. Se os elementais que produzem milagres e os demônios desencarnados chamados de elementários fossem de fato os anjos guardiões, como se acreditou nos últimos trinta anos, por que não deram eles a seus médiuns fiéis pelo menos boa saúde e felicidade doméstica? Por que os abandonam nos momentos críticos do julgamento, quando são acusados de fraude? É notório que os melhores médiuns físicos são doentios, ou, às vezes, o que é ainda pior, inclinados a um ou outro vício anormal. Por que esses  ‘guias’ curadores, que fazem seus médiuns exercerem o papel de terapeutas e taumaturgos para os outros, não lhes dão a dádiva de um robusto vigor físico? Os antigos taumaturgos e os apóstolos gozavam geralmente, se não invariavelmente, de boa saúde; seu magnetismo nunca trazia ao doente qualquer mácula física ou moral; e eles nunca foram acusados de VAMPIRISMO, como o faz muito justamente um jornal espírita contra alguns médiuns curadores.” [4]  

(J.S.)

NOTAS:

[1] O website www.filosofiaesoterica.com contém vários textos de estudo que permitem uma melhor compreensão da mediunidade, do processo pós-morte e da reencarnação, bem como algumas semelhanças e as muitas diferenças entre a filosofia espírita e a Teosofia. Um exemplo é o texto “Os Sete Princípios da Consciência”, que pode ser encontrado na “Lista de Textos por Ordem Alfabética” do website. São úteis também os textos que constam na seção temática “A Reencarnação e a Lei do Carma”, e o texto “O Que É Teosofia?”, que se encontra na seção “Helena P. Blavatsky” do website.

[2] Os “espíritos” de que H.P.B. fala não são as “almas dos desencarnados”, como supõem os espíritas, mas antes as “cascas astrais” ou então elementais.

[3] “Ísis Sem Véu”, Vol. II, H. P. Blavatsky, Pensamento, pp. 174-176

[4] Na obra anteriormente citada, p. 177.

28 de Agosto de 2010

Altruísmo ativo

"Alguém escreveu que, em geral, os egoístas têm vontade forte e buscam com todas as forças materializar suas ilusões, enquanto os seres espirituais parecem não ter motivação alguma e  ficam  parados, como se não tivessem nada para fazer, ou não tivessem vontade de fazer nada. Talvez seja por isso que o mundo tem tantos problemas. Se os cidadãos altruístas fossem mais ativos, provavelmente o mundo melhoraria com rapidez."


Do texto "Luz no Caminho", do website www.filosofiaesoterica.com


 Ler:

- Paradoxos da Sabedoria Suprema

27 de Agosto de 2010

James Cameron: Derrame de petróleo da BP é como o "Avatar"

James Cameron, realizador do filme "Avatar"


“´A confusão da BP [com o derrame de petróleo no Golfo do México] é um exemplo clássico de como as nossas políticas de energia, ou a falta delas, nos irão prejudicar`, Cameron disse recentemente ao jornal Daily News. Um sintoma da mesma ganância corporativa que conduziu a imaginária RDA Corporation a pilhar o planeta Pandora no filme [´Avatar`], disse ele.”

26 de Agosto de 2010

A Verdade Contra a Maledicência - Rajendra Pachauri ilibado

Al Gore e Rajendra Pachauri recebendo o Prémio Nobel da Paz

Há sempre quem por protagonismo, interesse económico, dogmatismo, cegueira intelectual ou pura maledicência, não se importa de enxovalhar o nome de uma pessoa, sustentando e espalhando rumores infundados.

Uma das figuras internacionais mais atacada durante os últimos anos foi o chefe do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), Rajendra Pachauri.

Não faltaram as falsas acusações contra Pachauri, um homem que, tendo recebido o prémio Nobel da Paz em nome do IPCC, juntamente com Al Gore (outra figura alvo de muitas críticas injustas), sempre lutou para o esclarecimento da opinião pública relativamente à realidade das alterações climáticas. Não temeu enfrentar os poderosos interesses que se camuflaram por detrás de cobardes e ignorantes, os mesmos que agora, diante das várias tragédias que assolam o planeta, permanecem calados nas suas tocas.

Pachauri viu agora o seu nome ilibado de todas as cobardes acusações que foi alvo, nomeadamente de benefícios financeiros indevidos.

Muita gente, entre jornalistas e bloggers, lhe deve desculpas.

Toda a história a seguir:

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KPMG review finds IPCC chief Pachauri innocent of financial misdealings or conflict of interest, UK Telegraph apologizes for smearing him

Monbiot: "A scrupulously honest man has been much maligned"

August 26, 2010
No evidence was found that indicated personal fiduciary benefits accruing to Pachauri from his various advisory roles that would have led to a conflict of interest.
That’s the finding of a detailed report by KPMG on the finances of Rajendra Pachauri, chairman of the Intergovernmental Panel on Climate Change.

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A verdade continua a ser inconveniente!




Ler também o artigo de George Monbiot publicado no jornal inglês Guardian:

Pecuária e Alterações Climáticas



Um artigo [PDF] na edição de Novembro / Dezembro da prestigiada revista World Watch Magazine afirma que a pecuária representa pelo menos 32,6 biliões de toneladas de dióxido de carbono a cada ano, o equivalente a 51 por cento das emissões anuais de gases de efeito estufa no mundo - muito acima dos dados divulgados pela FAO .

Ler artigo:

- What if the key actors in climate change are
cows, pigs and chickens?

24 de Agosto de 2010

ÁUDIO: O DESPERTAR DA SABEDORIA



Cada Ser Humano é um
Centro da Consciência Universal


Carlos Cardoso Aveline

O áudio a seguir - com duração de  17 minutos - reproduz parte de um seminário realizado em Minas Gerais  em 2010. 

No seminário, de 12 horas-aula, foi feito um estudo comparado entre as tradições de sabedoria do Oriente e do Ocidente. 

Áudio: O Despertar da Sabedoria” é a continuação de “Áudio: O Dilema da Ação Ética”, que também está disponível em www.filosofiaesoterica.com .  

Por outro lado, o presente trecho do seminário pode ser visto como algo completo em si mesmo e independente de ordem sequencial.  


Clique para ouvir “Áudio: O Despertar da Sabedoria”




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Ouça também:


  
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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a
lutbr@terra.com.br , perguntando como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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22 de Agosto de 2010

Climate of Change / Clima de Mudança

"Climate of Change" é um documentário focado nos esforços de pessoas comuns em todo o mundo que estão fazendo a diferença na luta contra as alterações climáticas.

A não perder!



Synopsis

Driving Climate of Change is the beautiful narration written by British poet Simon Armitage and mellifluously voiced by Tilda Swinton. "We are the renters of this world, not its masters," reminds Pooshkar, a precocious 13-year-old member of a youth environmental defense group in India. He and his fellow voraciously energetic students actively rally against the use of plastics. In Africa, a renaissance man teaches citizens to harness solar power to cook food. In Papua New Guinea, villagers practice sustainable logging to save their rainforests. A woman in London uses her PR savvy to start a successful environmental communications firm. Self-described "hillbillies" in Appalachia battle the big business behind strip mining. In this rich and inspiring documentary, director Brian Hill takes us around the world to find the ordinary people taking action in the fight to save our environment. 

Hill and his cinematographers create a real sense of ambience in each of the countries and communities they visit. Conversations with West Virginians are punctuated by footage of mountaintops surrounding their homes being dynamited; Papua New Guineans talk among the giant trees being decimated by commercial logging. A visit to the Global Seed Vault built in the Norwegian permafrost in Svalbard, Norway is particularly ethereal.


Fonte: http://www.tribecafilm.com/tribecafilm/Climate_of_Change.html

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21 de Agosto de 2010

Competitividade: Uma Perigosa Obsessão

As elites políticas, dominadas que estão pelos poderes económicos, teimam em nos querer impingir a ideia de que o nosso grande problema é a falta de competitividade. De acordo com as classes dirigentes, a competição entre pessoas e países deve ser incentivada, como forma para sair-mos da crise. Acontece que foi esta visão darwinista, da luta pela sobrevivência, que nos levou ao actual estado das coisas.


Já em 1994 Paul Krugman, que viria a ser o prémio Nobel da Economia, alertava:


"A visão de que as nações competem umas com as outras como as grandes corporações tornou-se uma ideia generalizada entre as elites ocidentais. (...) Como uma questão prática, no entanto, a doutrina da ´competitividade" é completamente errada."


In "Competitiveness: A Dangerous Obsession", Foreign Affairs, Abril 1994

20 de Agosto de 2010

Sinais dos tempos

"Há dias ouvi um governante muito contente, porque no Gerês, o único parque nacional, não arderam casas. Felizmente. Mas e a floresta, que leva 30 a 40 anos a reconstruir?"


Pedro Almeida Vieira, "Visão", 19-08-2010

Se...


SE...
(Versão Portuguesa da autoria de Félix Bermudes, do poema IF, de Rudyard Kipling)

Se podes conservar o teu bom senso e a calma,
Num mundo a delirar,
pra quem o louco és tu,
Se podes crer em ti com toda a força d'alma,
Quando ninguém te crê;

Se vais, faminto e nu,
Trilhando sem revolta um rumo solitário,
Se à torva intolerância,
se à mera incompreensão,
Tu podes responder,
subindo o teu calvário,
Com lágrimas de Amor e bençãos de Perdão;

Se podes dizer bem de quem te calunia,
Se dás ternura em troca aos que te dão rancor,
Mas sem a afetação de um Santo que oficia,
Nem pretensões de Sábio a dar lições de amor;

Se podes esperar sem fatigar a Esperança,
Sonhar, mas conservar-te acima do teu Sonho,
Fazer do pensamento um Arco de Aliança,
Entre o clarão do Inferno e a luz do Sol rizonho;

Se podes encarar com indiferença igual,
O Triunfo e a Derrota - eternos impostores;
Se podes ver o Bem oculto em todo o Mal,
E resignar, sorrindo, o Amor dos teus Amores;

Se podes resistir à raiva ou à vergonha
De ver envenenar as frases que disseste
E que um velhaco emprega, eivadas de peçonha,
Com falsas intenções que tu jamais lhes deste;

Se és homem pra arriscar todos os teus haveres
Num lance corajoso, alheio ao resultado
E, calando em ti mesmo a mágoa de perderes,
Voltas a palmilhar todos o caminho andado;

Se podes ver por terra as obras que fizeste,
Banhadas por malsins, desorientando o povo,
E sem dizer palavra, e sem um termo agreste,
Voltares ao princípio a construir de novo;

Se podes obrigar o coração e os músculos,
A renovar um esforço hà muito vacilante,
Quando já no teu corpo, afogado em crepúsculos,
Só existe a Vontade a comandar "Avante!";

Se vivendo entre os Pobres, és Virtuoso e Nobre
Ou vivendo entre os Reis, conservas a Humildade;
Se amigo ou inimigo, o Poderoso e o Pobre
São iguais para ti, à luz da Eternidade;

Se quem recorre a ti encontra ajuda pronta,
Se podes empregar os sessenta segundos
Do minuto que passa, em obra de tal monta
Que o minuto se espraie em séculos fecundos;

Então, ó Ser Sublime, o mundo inteiro é teu!
Já dominaste os Reis, os Tempos, os Espaços,
Mas, 'inda para além, um novo sol rompeu
Abrindo um Infinito ao rumo dos teus passos;

Pairando numa esfera acima deste plano,
Sem recear jamais que os erros te retomem,
Quando já nada houver em ti que seja humano,
Alegra-te meu Filho, então... serás um HOMEM.

Félix Bermudes

14 de Agosto de 2010

Geoffrey Oryema & Peter Gabriel

13 de Agosto de 2010

Aung San Suu Kyi

Gaia: o Alerta Final - James Lovelock

Importante palestra (em inglês) do reconhecido investigador James Lovelock aquando da apresentação do seu mais recente livro "The Vanishing Face of Gaia - a Final Warning".






8 de Agosto de 2010

Crise Planetária Agudiza-se

Apesar da pouca importância dada pelos meios de comunicação, entretidos como sempre com frivolidades, continuam os sinais evidentes de uma crise planetária que se agudiza a cada mês que passa. Eis alguns exemplos.


Cheias históricas no Paquistão
Só agora começou a época das monções e já o Paquistão se vê a braços com as maiores cheias dos últimos 80 anos. Até ao momento 1200 mortes e 2 milhões de desalojados. Veja fotos da notícia aqui.


Fogos descontrolados na Rússia
Na Rússia, a vaga de calor mais intensa dos últimos 130 anos juntamente com uma seca severa que atinge o interior daquele imenso país, serviu de "rastilho" para mais de 500 fogos que continuam a desbastar milhares de hectares de zonas florestais. Segundo a NASA, a nuvem de fumo provocada pelos incêndios é semelhante à dos vulcões. Veja fotos desta notícia aqui.


Derrame de petróleo na China
No passado mês de Julho, uma explosão numa refinaria na China provocou um colossal derrame de petróleo. Os trabalhos de limpeza continuam, penosamente, a um ritmo lento, e muito do que é feito é graças às populações locais. Ver fotos da notícia aqui.


Aquecimento global provoca o declínio de 40% do fitoplâncton no oceano
 Os cientistas podem ter descoberto o impacto mais devastador até agora do aquecimento global provocado pelo homem - o declínio de cerca de 40% do fitoplâncton no oceano desde 1950, relacionado com com o aumento na temperatura da superfície do mar. Ler notícia aqui.


Icebergue gigante separa-se de glaciar na Gronelândia
Depois de em Fevereiro último um icebergue do tamanho do Luxemburgo se ter desprendido de um glaciar da Antárctida, agora foi a vez de um novo icebergue gigante, com uma superfície quatro vezes maior do que a ilha de Manhattan, se ter separado de um dos maiores glaciares da Gronelândia. Leia notícia completa aqui.


Ler:

A História dos Cosméticos

“A História dos Cosméticos analisa a presença generalizada de substâncias químicas tóxicas nos nossos produtos de higiene pessoal (batons, champôs, desodorizantes, cremes, etc).

Produzido pela Free Range Studios e apresentado por Annie Leonard, o filme de 8 minutos, do Projecto The Story of Stuff, revela as implicações para o consumidor, a saúde do trabalhador e o ambiente.

O filme conclui com um apelo aos espectadores para apoiarem a legislação destinada a garantir a segurança nos cosméticos e produtos de cuidado pessoal.”





Veja mais em:

4 de Agosto de 2010

CONVERSANDO COM SIGMUND FREUD


Breve Diálogo Com a
Obra do Criador da Psicanálise


Carlos Cardoso Aveline

 Sigmund Freud

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O texto a seguir foi construído com
a mesma técnica, bibliograficamente
documentada, utilizada no livro “Conversas
na Biblioteca - um diálogo de 25 séculos”,
de Carlos Cardoso Aveline (Ed. Edifurb, 
Blumenau, 2007, 170 pp. , www.furb.br/editora ).  

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É grande o valor da contribuição de Sigmund Freud e da psicanálise para que se possa compreender melhor a enganosa relação da alma humana com os instintos animais.

Freud incluiu em suas pesquisas psicanalíticas as mais diferentes áreas de conhecimento - inclusive fisiologia, história, antropologia, mitologia e literatura de ficção - e provocou com sua obra um avanço significativo do conhecimento humano. Infelizmente, não rompeu com a visão materialista da vida e, vivendo na primeira metade do século 20, não lhe foi dado o dom do otimismo.    

Reconhecido como um dos pensadores mais importantes desde o surgimento da ciência moderna, Freud nasceu em seis de maio de 1856, na Morávia, e foi viver em Viena quatro anos depois. Tinha pouco mais de 40 anos quando criou a psicanálise. No final da vida, a consagração internacional veio junto com o perigo. Idoso, judeu, ele mudou-se para a Inglaterra para evitar a perseguição nazista.  Morreu em Londres aos 83 anos de idade.      

Todo pesquisador tem erros e acertos. As  limitações de Freud, do ponto de vista da filosofia esotérica, são evidentes. Ao examinar a emoção humana diante da beleza, por exemplo, ele afirma que a atração pelo belo é uma função sexual [1]. Esqueceu que a beleza do nascer do Sol, da lua cheia, das estrelas à noite e das paisagens naturais emociona a quase todos. Há vários outros aspectos frágeis em sua obra. Mesmo assim, o valor dela é inegável.      

Uma parte fundamental do pensamento de Freud ainda está por ser compreendida. A sua visão científica sobre as grandes religiões modernas é subestimada hoje inclusive nos meios esotéricos, embora todo espiritualista tenha vários motivos para libertar-se de dogmatismos e para aceitar os métodos da ciência moderna, sem cair em suas ilusões materialistas.   

No século 21, o enfoque de Freud sobre as religiões torna-se cada vez mais atual e necessário, enquanto o mundo enfrenta fenômenos como fanatismo fundamentalista, intolerância, guerra santa, terrorismo religioso e abuso de crianças por parte de sacerdotes católicos. 

Freud revelou os aspectos neuróticos e até criminosos da religião autoritária. Ele também revelou a única “divindade” em que acreditava: o Logos grego, a divina Razão universal.

Sua longa vida foi dedicada ao progresso da alma humana, mas não rotulou  seu próprio trabalho com slogans idealistas ou palavras-de-ordem aparentemente sublimes. Compartilhando os méritos e as limitações da ciência moderna, sua obra é uma das grandes expressões do humanismo do século 20. 

No campo maior do pensamento psicológico, o contraste entre Sigmund Freud e Carl Jung não é apenas pessoal, mas filosófico. Freud nunca se apresentou como espiritualista, mas defendia a ética, era judeu e foi perseguido. Jung adotou ares de espiritualista, mas ignorou a ética, escreveu textos com um tom anti-semita, não via diferença entre verdade e ilusão ou fantasia e - durante a fase ascendente do nazismo, na década de 1930 -  ocupou cargo de confiança no regime de Hitler.

A Psicologia vai além de Freud e Jung. Pensadores como Erich Fromm e Viktor Frankl, entre outros,  deram grandes contribuições ao pensamento psicológico, adotando pontos de vista eticamente corretos e mais claramente compatíveis com a transcendência da filosofia esotérica do que o ponto de vista adotado por Freud. Para uma avaliação adequada  das relações entre psicologia e teosofia, as ideias de Fromm e Frankl devem ser estudadas e reconhecidas.

A seguir, um breve diálogo com aspectos filosóficos da obra de Freud, um pensador que soube trazer para o dia claro as motivações inconscientes da alma humana, no que elas têm de primário e de instintivo, mas que também percebeu em algum momento algo maior e mais amplo, e investigou a origem da felicidade.[2]


1) O senhor não se filia à tradição esotérica, mas dá elementos para que as pessoas se libertem dos grilhões emocionais que as prendem ao mundo do desejo ilusório. O senhor não acredita nas religiões - e evita toda linguagem espiritualista - mas tem acesso a um saber que o coloca no território dos grandes pensadores de todos os tempos...

O nosso deus, o Logos, a Razão, talvez não seja um deus muito poderoso, e poderá ser capaz de efetuar apenas uma pequena parte do que seus antecessores [os outros deuses] prometeram.  Se tivermos de reconhecer isso, o faremos com resignação.  Não será por causa disso que perderemos nosso interesse no mundo e na vida, pois dispomos de um apoio seguro (...). Acreditamos ser possível ao trabalho científico conseguir um certo conhecimento da realidade do mundo, conhecimento através do qual podemos aumentar nosso poder e de acordo com o qual podemos organizar nossa vida.  

2) Para os gregos, o Logos é a razão divina. Ele pode ser percebido como uma voz suave dentro da consciência de cada ser humano. O Logos se relaciona com o Nous ou Intelecto, a inteligência pura...

A voz do intelecto é suave, mas não descansa enquanto não consegue atenção. Finalmente, após uma incontável sucessão de reveses, ela obtém êxito.  Esse é um dos pontos sobre os quais se pode ser otimista a respeito do futuro da humanidade e, em si mesmo, não é de pouca importância.

3) Os raja-iogues dos Himalaias que inspiraram a criação do movimento teosófico moderno ensinam que a busca da sabedoria divina é uma questão científica e não de crença religiosa. Um deles escreveu:“Um sentimento constante de dependência abjeta em relação a  uma Divindade vista como única fonte de poder faz com que um homem perca toda autoconfiança(...). Ele se torna como um menino e permanece assim até a idade avançada, esperando ser conduzido pela mão.” [3]  O que o senhor pensa disso? A crença religiosa convencional retira das pessoas a escolha e a responsabilidade?

A religião restringe o jogo de escolha e adaptação, na medida em que impõe igualmente a todos o seu próprio caminho para a aquisição da felicidade e da proteção contra o sofrimento. Sua técnica consiste em depreciar a vida e deformar o quadro do mundo real de maneira delirante - uma maneira que pressupõe uma intimidação da inteligência. A esse preço, por fixar as pessoas à força num estado de infantilismo psicológico e por arrastá-las a um delírio de massa, a religião consegue poupar a muitas pessoas de uma neurose individual. Dificilmente, porém, algo mais que isso. Existem muitos caminhos que podem levar à felicidade possível de ser alcançada pelos homens, mas nenhum caminho que o faça com toda segurança.

4) Certa vez, ao visitar a Grécia, o senhor sentiu que estava rejeitando emocionalmente uma sensação de felicidade, como se fosse algo excessivamente bom, que não merecia...

Esse é mais um caso de “bom demais para ser verdade”, que encontramos com tanta freqüência. É um exemplo de incredulidade que surge tantas vezes quando nos surpreendemos com uma boa notícia, quando sabemos que ganhamos um prêmio, por exemplo, ou que tivemos uma vitória (...). O que acontece [nesse] caso paradoxal é simplesmente que o lugar da frustração externa é tomado pela frustração interna. O sofredor não se permite a felicidade; a frustração interna ordena-lhe que se apegue à frustração externa.  Mas por quê? Porque – essa é a resposta, em muitos casos – a pessoa não pode esperar que o Destino lhe proporcione algo tão bom. (...) Encontramos um sentimento de culpa ou de inferioridade, que pode ser traduzido assim: “Não mereço tanta felicidade, não a mereço”.

5) E como podemos buscar a felicidade com mais eficiência?

O projeto de tornar-se feliz, que o princípio do prazer nos impõe, não pode ser realizado. Contudo, não devemos -  na verdade não podemos - abandonar nossos esforços de aproximar-nos dessa realização, de uma maneira ou de outra. Caminhos muito diferentes podem ser tomados nessa direção, e podemos dar prioridade  ao aspecto positivo da meta, obter prazer, ou ao aspecto negativo, evitar o desprazer. Nenhum desses caminhos nos leva a tudo o que desejamos. A felicidade, no reduzido sentido em que a reconhecemos como possível, constitui um problema da economia da libido [isto é, da administração do instinto vital] do indivíduo. Não existe uma regra de ouro que se aplique a todos: cada homem tem de descobrir por si mesmo de que modo específico ele pode ser salvo. Todos os tipos de diferentes fatores operarão a fim de dirigir sua escolha. É uma questão de quanta satisfação real ele pode esperar obter do mundo externo, de até onde é levado a tornar-se independente dele, e, finalmente, de quanta força sente à sua disposição para alterar o mundo, a fim de  adaptá-lo a seus desejos.

NOTAS:

[1] “O Mal-Estar na Civilização”, Sigmund Freud, Ed. Imago, RJ, 112 pp., ver pp. 32-33.

[2] Quando necessário para facilitar a compreensão, acrescento algumas palavras explicativas entre colchetes e em itálico. Fontes das respostas: 1) “O Futuro de Uma Ilusão”, Sigmund Freud, Ed. Imago, RJ, 87 pp., ver p. 85; 2) “O Futuro de Uma Ilusão”, obra citada, p. 83;  3) “O Mal-Estar na Civilização”, obra citada, p. 35; 4) “Um Distúrbio de Memória na Acrópole”, ver Edição Standard das Obras de Freud,  volume XXII, Ed. Imago, pp. 239 a 241;  5) “O Mal-Estar na Civilização”, ob. cit., pp. 33-34.

[3] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, Ed. Teosófica, Brasília, Carta 43, primeira série, pp.103-104.

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Uma versão inicial do texto acima foi publicada na revista “Planeta”, de São Paulo, em sua edição de outubro de 2004.

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Para Ler Mais:

Para saber mais sobre a relação entre a Psicanálise e a Teosofia, veja o capítulo 11 da obra “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline, Ed. Teosófica, Brasília, 2002, 194 pp. O capítulo é intitulado “A Psicanálise das Religiões”.

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Visite sempre www.filosofiaesoterica.com  e  www.teosofiaoriginal.com . Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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