9 de agosto de 2011

OBSTÁCULOS E OPORTUNIDADES



A Maior Oportunidade ao Nosso Alcance
É o Cumprimento dos Nossos Deveres Atuais

John Garrigues

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John Garrigues (1868-1944) foi um dos teosofistas mais
influentes do século 20, mas trabalhou de modo anônimo.
Co-fundador da Loja Unida de Teosofistas, LUT,  em 1909,
ele escreveu vários livros e centenas de artigos durante mais
de três décadas,  e cumpriu um papel chave na preservação da
literatura teosófica original. O texto a seguir foi publicado
inicialmente na revista “Theosophy”, de Los Angeles, em sua
edição de julho de 1932 (pp. 394-395), sem indicação sobre nome
de autor. Uma análise de seu conteúdo e estilo mostra que foi
escrito por Garrigues. Título original: “Obstacles and Opportunities”.

(Carlos Cardoso Aveline)

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Transformar fatos aparentemente negativos
em potencialidades para o bem é o primeiro
e o último passo no caminho da Sabedoria.


A existência humana, observada desde o ponto de vista convencional, consiste num fluxo incessante de fatos variados, em uma combinação sempre mutável de circunstâncias.  Cada ser humano classifica as circunstâncias como boas ou más,  favoráveis ou desfavoráveis, e vê nelas obstáculos ou oportunidades, conforme elas parecem ajudar ou atrapalhar a obtenção de determinada meta para a qual está voltado o indivíduo.  

O resultado natural desta visão da vida é uma luta incessante para aproveitar  oportunidades e evitar obstáculos, e as pessoas chamam isso de “luta pela sobrevivência”. 

Trata-se de uma luta, sem dúvida, e uma luta sem esperança, enquanto for feita qualquer distinção entre acontecimentos e circunstâncias favoráveis e desfavoráveis, e enquanto for alimentado esse erro básico de percepção sobre o significado e o propósito da vida. 

Se vivemos num Universo regido pela Lei, então todos os acontecimentos e circunstâncias que um ser humano enfrenta são o resultado exato de causas colocadas em movimento por ele mesmo [1].

As circunstâncias não são nada mais e nada menos do que os meios - e os únicos meios eficazes - pelos quais o indivíduo pode experimentar conscientemente a natureza das suas ações, e assim conseguir conhecimento de primeira mão. Os acontecimentos e as circunstâncias são apenas lições criadas por ele mesmo e que tornam possível para ele erguer-se, de acordo com a Lei, através dos diversos níveis daquela grande Escola de auto-aprendizado que nós chamamos de existência humana.

Reconhecer que isso deve ser assim é comparativamente fácil para quem já percebeu que o ensinamento teosófico sobre a absoluta universalidade da lei faz todo sentido. Mas compreender de fato que é isso o que ocorre implica muito mais do que uma compreensão intelectual da Lei.  Para isso é necessária uma completa auto-identificação com o funcionamento da Lei.

Se alguns acontecimentos e circunstâncias ainda podem ser percebidos por nós como “ruins”, como “desfavoráveis”, ou como “obstáculos”, nós ainda temos que aprender o ABC da Vida. Podemos reconhecer mentalmente que a Lei governa o universo, mas ainda temos que compreender o funcionamento desta lei dentro de nós mesmos.

Se os acontecimentos atuais parecem ser obstáculos, se as circunstâncias atuais parecem desfavoráveis, se o cumprimento dos nossos deveres atuais parece atrapalhar-nos, então há alguma coisa errada; não com os nossos deveres atuais, mas com a nossa concepção de dever; não com as circunstâncias atuais, mas com o modo como usamos as circunstâncias; e não com os acontecimentos atuais, mas com a nossa atitude diante de todos os acontecimentos.

Nós costumamos pensar que alguns fatos são favoráveis e outros desfavoráveis?  Se pensamos isso, tanto os fatos favoráveis como os desfavoráveis estão obstaculizando o nosso verdadeiro Poder de Percepção. 

Imaginamos que as circunstâncias são uma questão de boa ou má sorte?  Neste caso, permanecemos como escravos das circunstâncias, e não compreendemos o nosso Poder Divino de Escolha.

Vemos o Dever como algo imposto a nós desde fora para dentro? Neste caso, cada dever nosso funciona como obstáculo, impedindo-nos de despertar a Vontade Espiritual. 

Pensamos que a vida é feita de obstáculos e oportunidades?  Então continuamos lamentando e comemorando, e lamentando de novo, e outra vez comemorando, ao invés de aprender com ambas as situações, compreendendo o significado e o propósito da existência humana.

Desde o ponto de vista da Alma, há um único obstáculo verdadeiro, e ele é a nossa dificuldade de ver, em tudo o que nos acontece, uma lição a ser aprendida e  uma oportunidade de ouro para aumentar a nossa força e a nossa compreensão. Seria possível adquirir conhecimento, sem eliminar a ignorância?  Seria possível obter força, sem vencer a fraqueza? Seria possível ter oportunidades, sem vencer obstáculos? A fraqueza vencida é a força.  A ignorância eliminada é o conhecimento. Os obstáculos superados são as oportunidades.  Aprender, ao invés de ter alternadamente prazer e sofrimento, é Sabedoria.

A maior oportunidade ao nosso alcance está no cumprimento consciente dos nossos deveres atuais, no uso correto das atuais circunstâncias, e na aceitação de bom grado dos acontecimentos atuais, quer eles pareçam favoráveis ou desfavoráveis. Quanto maiores as nossas dificuldades, maior a oportunidade para que nos tornemos mais fortes, mais sábios, e, portanto, mais úteis como membros da família humana.

A vida não consiste de uma sucessão de obstáculos e oportunidades.  Cada acontecimento é um obstáculo ou uma oportunidade, conforme o modo como olhamos para ele.

Transformar fatos aparentemente negativos em potencialidades para o bem é o primeiro e o último passo no caminho da Sabedoria.  

NOTA:

[1] Não necessariamente. Na realidade, cada indivíduo deve compartilhar o carma dos outros, e também deve partilhar o carma de toda a humanidade, e do planeta. O carma é portanto muito menos “individual” do que parece. Todos os seres interagem o tempo todo entre si, e novo carma está sendo plantado a cada momento. Novas injustiças ocorrem a cada dia, como consequência da ignorância espiritual de quem as comete, e elas não são necessariamente o resultado de uma ação passada de quem as sofre. As circunstâncias são de fato frequentemente injustas. No entanto, o carma irá corrigir cada injustiça, e todos os sofrimentos imerecidos serão compensados, se não a curto prazo, seguramente no Devachan - o longo intervalo “celestial” que separa duas vidas físicas - e nas próximas encarnações.  Estudos mais amplos sobre o funcionamento da lei do Carma podem ser encontrados na seção temática sobre “A Reencarnação e a Lei do Carma”, do website www.FilosofiaEsoterica.com . (C. C. A.)

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia clássica, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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