A Maior Oportunidade ao
Nosso Alcance
É o Cumprimento dos
Nossos Deveres Atuais
John
Garrigues
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John Garrigues
(1868-1944) foi um dos teosofistas mais
influentes do século 20,
mas trabalhou de modo anônimo.
Co-fundador da Loja
Unida de Teosofistas, LUT, em 1909,
ele escreveu vários
livros e centenas de artigos durante mais
de três décadas, e cumpriu um papel chave na preservação da
literatura teosófica
original. O texto a seguir foi publicado
inicialmente na revista “Theosophy”, de Los Angeles, em sua
edição de julho de 1932
(pp. 394-395), sem indicação sobre nome
de autor. Uma análise de
seu conteúdo e estilo mostra que foi
escrito
por Garrigues. Título original: “Obstacles and Opportunities”.
(Carlos Cardoso Aveline)
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Transformar
fatos aparentemente negativos
em
potencialidades para o bem é o primeiro
e
o último passo no caminho da Sabedoria.
A existência
humana, observada desde o ponto de vista convencional, consiste num fluxo
incessante de fatos variados, em uma combinação sempre mutável de
circunstâncias. Cada ser humano
classifica as circunstâncias como boas ou más,
favoráveis ou desfavoráveis, e vê nelas obstáculos ou oportunidades,
conforme elas parecem ajudar ou atrapalhar a obtenção de determinada meta para
a qual está voltado o indivíduo.
O
resultado natural desta visão da vida é uma luta incessante para
aproveitar oportunidades e evitar
obstáculos, e as pessoas chamam isso de “luta pela sobrevivência”.
Trata-se
de uma luta, sem dúvida, e uma luta sem esperança, enquanto for feita qualquer
distinção entre acontecimentos e circunstâncias favoráveis e desfavoráveis, e
enquanto for alimentado esse erro básico de percepção sobre o significado e o
propósito da vida.
Se
vivemos num Universo regido pela Lei, então todos os acontecimentos e
circunstâncias que um ser humano enfrenta são o resultado exato de causas
colocadas em movimento por ele mesmo [1].
As
circunstâncias não são nada mais e nada menos do que os meios - e os únicos
meios eficazes - pelos quais o indivíduo pode experimentar conscientemente a
natureza das suas ações, e assim conseguir conhecimento de primeira mão. Os
acontecimentos e as circunstâncias são apenas lições criadas por ele mesmo e
que tornam possível para ele erguer-se, de
acordo com a Lei, através dos diversos níveis daquela grande Escola de
auto-aprendizado que nós chamamos de existência humana.
Reconhecer
que isso deve ser assim é
comparativamente fácil para quem já percebeu que o ensinamento teosófico sobre
a absoluta universalidade da lei faz todo sentido. Mas compreender de fato que é isso o que ocorre implica muito mais do
que uma compreensão intelectual da Lei.
Para isso é necessária uma completa auto-identificação com o
funcionamento da Lei.
Se
alguns acontecimentos e circunstâncias ainda podem ser percebidos por nós como
“ruins”, como “desfavoráveis”, ou como “obstáculos”, nós ainda temos que
aprender o ABC da Vida. Podemos reconhecer mentalmente que a Lei governa o
universo, mas ainda temos que compreender o funcionamento desta lei dentro de
nós mesmos.
Se
os acontecimentos atuais parecem ser obstáculos, se as circunstâncias atuais
parecem desfavoráveis, se o cumprimento dos nossos deveres atuais parece
atrapalhar-nos, então há alguma coisa errada; não com os nossos deveres atuais,
mas com a nossa concepção de dever;
não com as circunstâncias atuais, mas com o
modo como usamos as circunstâncias; e não com os acontecimentos atuais, mas
com a nossa atitude diante de todos
os acontecimentos.
Nós
costumamos pensar que alguns fatos são favoráveis e outros desfavoráveis? Se pensamos isso, tanto os fatos favoráveis
como os desfavoráveis estão obstaculizando o nosso verdadeiro Poder de
Percepção.
Imaginamos
que as circunstâncias são uma questão de boa ou má sorte? Neste caso, permanecemos como escravos das
circunstâncias, e não compreendemos o nosso Poder Divino de Escolha.
Vemos
o Dever como algo imposto a nós desde fora para dentro? Neste caso, cada dever
nosso funciona como obstáculo, impedindo-nos de despertar a Vontade
Espiritual.
Pensamos
que a vida é feita de obstáculos e oportunidades? Então continuamos lamentando e comemorando, e
lamentando de novo, e outra vez comemorando, ao invés de aprender com ambas as situações, compreendendo o significado e o propósito
da existência humana.
Desde
o ponto de vista da Alma, há um único obstáculo verdadeiro, e ele é a nossa
dificuldade de ver, em tudo o que nos acontece, uma lição a ser aprendida e uma oportunidade de ouro para aumentar a nossa
força e a nossa compreensão. Seria possível adquirir conhecimento, sem eliminar
a ignorância? Seria possível obter
força, sem vencer a fraqueza? Seria possível ter oportunidades, sem vencer
obstáculos? A fraqueza vencida é a
força. A ignorância eliminada é o conhecimento. Os obstáculos
superados são as oportunidades. Aprender, ao invés de ter alternadamente
prazer e sofrimento, é Sabedoria.
A
maior oportunidade ao nosso alcance está no cumprimento consciente dos nossos
deveres atuais, no uso correto das atuais circunstâncias, e na aceitação de bom
grado dos acontecimentos atuais, quer eles pareçam
favoráveis ou desfavoráveis. Quanto maiores as nossas dificuldades, maior a
oportunidade para que nos tornemos mais fortes, mais sábios, e, portanto, mais
úteis como membros da família humana.
A
vida não consiste de uma sucessão de obstáculos e oportunidades. Cada
acontecimento é um obstáculo ou
uma oportunidade, conforme o modo como olhamos para ele.
Transformar
fatos aparentemente negativos em potencialidades para o bem é o primeiro e o
último passo no caminho da Sabedoria.
NOTA:
[1]
Não necessariamente. Na realidade, cada indivíduo
deve compartilhar o carma dos outros, e também deve partilhar o carma de toda a
humanidade, e do planeta. O carma é portanto muito menos “individual” do que
parece. Todos os seres interagem o tempo todo entre si, e novo carma está sendo
plantado a cada momento. Novas injustiças ocorrem a cada dia, como consequência
da ignorância espiritual de quem as comete, e elas não são necessariamente o
resultado de uma ação passada de quem as sofre. As circunstâncias são de fato
frequentemente injustas. No entanto, o carma irá corrigir cada injustiça, e
todos os sofrimentos imerecidos serão compensados, se não a curto prazo, seguramente
no Devachan - o longo intervalo “celestial” que separa duas vidas físicas - e nas
próximas encarnações. Estudos mais
amplos sobre o funcionamento da lei do Carma podem ser encontrados na seção
temática sobre “A Reencarnação e a Lei do Carma”, do website www.FilosofiaEsoterica.com
. (C. C. A.)
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Visite
sempre www.FilosofiaEsoterica.com , www.TeosofiaOriginal.com e www.VislumbresdaOutraMargem.com
Para
ter acesso a um estudo diário da teosofia clássica, escreva a lutbr@terra.com.br e pergunte como é possível acompanhar o
trabalho do e-grupo SerAtento.
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