30 de Janeiro de 2011

13 de Janeiro de 2011

DO ESPIRITISMO PARA A TEOSOFIA

Uma Ampliação Gradual de Horizontes


Arnalene Passos






Este é um registro da caminhada em direção à fonte que saciou uma sede de alma, identificada desde a tenra idade.

A partir da adolescência, começamos a fazer escolhas. Muitas acontecem na inconsciência. Algumas por circunstâncias, outras por dever, e fazemos nosso trajeto com pequenos lampejos de clareza.

Chegando à maturidade, comecei a questionar crenças e padrões, percebendo que não queria passar pela vida seguindo trilhas demarcadas sem explicações suficientes. Precisava ampliar horizontes.

Da tradição católica tinha na bagagem as orações, o compromisso dominical e a fraca resignação de aceitar “os mistérios da fé”.  Ao fazer contato com a literatura espírita, me identifiquei com o estudo das leis do Carma e da Reencarnação. O espírita é incentivado ler e avança ao compreender que “o que se planta, se colhe”. Li muito sobre a reforma moral e ética. Bons livros ajudaram-me a sair do sedentarismo mental.

Depois de algum tempo, algumas inquietações já surgiam e precisava avançar. Cheguei ao e-grupo SerAtento e permaneci silenciosa por mais ou menos dois anos. Tempo suficiente para ter certeza de que era exatamente o que buscava.

No começo, misturava conceitos pensando serem apenas nomes diferentes para as mesmas coisas. Aprendi então que “é impossível encher de chá novo uma xícara que está cheia com outra substância.”[1] Precisava abrir espaço e refletir sobre o novo conhecimento. Ele possuía as explicações claras por que tanto ansiava. Ao evoluir do conhecimento de três para sete princípios da consciência, percebi a visão simplista que tinha do pós-morte.

Comecei lendo “A Chave Para a Teosofia”, e neste livro Helena Blavatsky afirma:

“Tudo depende dos pontos de vista que adotamos quanto a espírito e alma, ou individualidade e personalidade. Os espíritas confundem os dois “como sendo um só”; nós os separamos, e dizemos que, com as exceções acima enumeradas, nenhum espírito revisita a Terra, embora a alma animal possa fazê-lo.”[2]

Aprendi também que a vontade constitui um importante poder de que é dotado o ser humano e, enquanto a Raja Ioga ensina a fortalecê-la através do autocontrole, a mediunidade a enfraquece para que “outros” ocupem o templo físico. Abrem-se fendas  até não haver mais resistência a qualquer invasão, resultando na perda da vitalidade. [3]

“A Chave para a Teosofia” foi escrito na forma de perguntas e respostas e, em cada uma acendia um diálogo interno que ao final, não deixou nenhuma dúvida: era por Teosofia que buscava e queria fazer parte deste Movimento.

Associar-me à LUT foi uma decisão consciente e renovadora. Um compromisso expresso em trabalho interno e externo, como escrito por Damodar no texto  “O Conhecimento Verdadeiro”. [4]

O livre-pensador que busca ampliar horizontes encontrará a Teosofia como consequência natural de sua busca por uma melhor compreensão das Leis Universais. Uma vasta literatura o aguarda. Para aqueles que sintonizarem e que realmente buscarem por este conhecimento, o e-grupo SerAtento é uma ótima sala de estudos.

NOTAS:

[1] Parágrafo inicial do texto “Os Sete Princípios da Consciência”, de Carlos Cardoso Aveline. O artigo pode ser encontrado em 
www.FilosofiaEsoterica.com  pela Lista de Textos por Ordem Alfabética, ou pela Lista de Textos por Autor.

[2] “A Chave Para a Teosofia”, Helena Blavatsky, Editora Teosófica, Brasília, terceira  edição, p.138.

[3] “Como Evitar a Mediunidade e Seus Perigos”, texto que pode ser encontrado em 
www.FilosofiaEsoterica.com  através da Lista de Textos por Ordem Alfabética, ou pela Lista de Textos Por Autor.  Consta como nome de autor “O Teosofista”. 
[4] “O Conhecimento Verdadeiro”, de Damodar K. Mavalankar. O texto pode ser encontrado  em www.FilosofiaEsoterica.com  através da Lista de Textos por Ordem Alfabética, ou pela Lista de Textos Por Autor.  

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O texto acima surgiu durante os estudos do  e-grupo  SerAtento,  de YahooGrupos. A  sua primeira versão foi publicada no boletim eletrônico mensal “O Teosofista”, edição de dezembro de 2010.


Sobre a missão do movimento teosófico, que envolve o despertar da humanidade para a vivência da fraternidade universal, veja o livro “The Fire and Light of Theosophical Literature”, de Carlos Cardoso Aveline.

A obra tem 255 páginas e foi publicada em outubro de  2013 por “The Aquarian Theosophist”. O volume pode ser comprado através de Amazon Books.

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a  lutbr@terra.com.br e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.


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O PODER DO PÁLI E DO SÂNSCRITO


Novas Palavras Trazem Novo Conhecimento

O vocabulário da língua portuguesa ainda é infantil e pobre, em matéria de temas metafísicos.

É verdade que a cada dia há novos termos em nossa língua para designar recentes produtos  eletro-eletrônicos na área da informática e centenas de novidades a pagar em cartão de crédito. Alguns destes produtos têm grande utilidade. Porém ainda mais necessários que as novas palavras para designar instrumentos da revolução tecnológica vivida hoje são - para aqueles que desejam conhecer a si mesmos - os termos dos idiomas sânscrito e páli que descrevem aspectos fundamentais da “topografia da alma humana”, para usar a expressão de Sigmund Freud.

Um exemplo, entre muitos, é a palavra “Chitta”. Frequentemente traduzido como “Mente”, o termo “Chitta”  pode ser traduzido também outras formas, inclusive  como coração, reflexão e pensamento. A palavra significa também cuidado, prudência e atenção. Designa um estado de autoconsciência.

Chitta não é a mente que oscila conforme as atrações dos objetos dos sentidos e dos contatos com eles.  Chitta é o poder superior que pode examinar, controlar e usar a mente. O termo é mencionado às vezes como significando “consciência abstrata”. É o poder pelo qual o Pensador controla, purifica e eleva a mente.

A mente é um instrumento do Pensador, a Alma Humana, o Homem Real, Manushya. E Chitta é aquele estado de consciência no qual a mente estabilizada se torna capaz de absorver as influências mais elevadas do Ser Humano Real. 

Esta é, basicamente, a abordagem do conceito de “Chitta” presente na versão do “Dhammapada” produzida pela Theosophy Company, de Los Angeles, e que a Loja Unida de Teosofistas publicou em português no website www.FilosofiaEsoterica.com.  

Junto com os termos do sânscrito que são novos para os estudantes ocidentais vem uma nova maneira de pensar, que é na verdade muito mais profunda, e precisa, e antiga, do que o pensamento convencional da sociedade materialista.  

O estudante deve desenvolver um contato consciente com “aquele estado de consciência no qual a mente estabilizada se torna capaz de absorver as influências mais elevadas”.

OOOOOOOOOOOOOOO

Texto retirado do boletim mensal “O Teosofista”, edição de Janeiro de 2011, do website www.FilosofiaEsoterica.com .

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11 de Janeiro de 2011

Vandana Shiva Sobre a Crise Global de Alimentos

"Vandana Shiva é uma física, ecofeminista e activista ambiental da Índia.

Na década de 1970, participou daquele que ficou conhecido como o Movimento das Mulheres de Chipko, formado em sua maioria por mulheres que adotaram a tática de se amarrar às árvores para impedir sua derrubada e o despejo de lixo atômico na região. Uma das líderes do International Forum on Globalization, Shiva ganhou o Right Livelihood Award em 1993, considerado uma versão alternativa do Prémio Nobel da Paz.

Ela é diretora da Research Foundation for Science, Technology, and Ecology, em Nova Deli, segundo ela "um nome muito longo para um objetivo muito humilde, que é o de colocar a pesquisa efetivamente a serviço dos movimentos populares e rurais, e não apenas fazer de conta que estamos ajudando-os".
Shiva é autora de inúmeros livros, entre os quais The Violence of the Green Revolution (1992), Stolen Harvest: The Hijacking of the Global Food Supply (2000), Biopirataria: a pilhagem da natureza e do conhecimento (Vozes, 2001), Protect or Plunder? Understanding Intellectual Property Rights (2002), Monoculturas da mente (Global, 2004), Guerras por água (Radical Livros, 2006).

Shiva é figura de destaque no movimento anti-globalização e consultora para questões ambientais da Third World Network. Entre suas actividades mais recentes, incluem-se iniciativas de ampla divulgação para a preservação das florestas da Índia, luta em favor das sementes como património da humanidade e programas sobre biodiversidade dirigidos a diferentes colectividades, além de pesquisas para o desenvolvimento de uma nova estrutura legal para os direitos de propriedade colectivos, como alternativa para os sistemas de direitos de propriedade intelectual actualmente em vigor.
Antes de se dedicar integralmente ao activismo político, às causas feministas e à defesa do meio ambiente, Shiva foi uma das principais físicas da Índia."
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Informação retirada da Wikipédia





Veja ainda Vandana Shiva falando sobre a Democracia da Terra:


Visite:

5 de Janeiro de 2011

ATUANDO NO PLANO DAS CAUSAS


Por Que os Teosofistas
Não Dão Demasiada Atenção aos Efeitos


Carlos Cardoso Aveline


 Em cada ciclo da vida, o Carma e
o Tempo oferecem novas oportunidades

Tanto no mundo material como no plano da realidade sutil, tudo o que ocorre de modo perceptível já aconteceu antes, necessariamente, no plano das causas.

Cada evento que é percebido por alguém teve a sua cadeia de causação colocada em movimento antes de se tornar um fato consumado. 

As causas, em si mesmas, são invisíveis.  Os fatos externos podem ser detectados pelos cinco sentidos, mas quando os mesmos fatos se transformam em Causas e geram conseqüências, a sua ação já não é tão fácil de perceber, a menos que haja uma atenção e um exame adequados por parte do observador. Aquele que busca a verdade deve ter uma estrutura de consciência que não fique presa à vasta rede cármica dos efeitos que interagem entre si.

As causas dos fenômenos são Ocultas à visão externa, e o Ocultismo ou teosofia é uma ciência das Causas. Ela estuda o que está além dos aspectos aparentes dos seres, das ações e das situações.  

Os estudantes atentos de teosofia buscam as Fontes dos acontecimentos.  Eles combatem os Alicerces, e não apenas os sintomas, do Sofrimento e da Ignorância.  Eles produzem e estimulam as Causas de libertação interior. Preferindo agir no plano Causal, frequentemente deixam que os efeitos cuidem de si mesmos. Este é um sentido oculto da famosa frase “Que os mortos enterrem os seus mortos” (Mateus, 7: 22).

De fato, a vida está sobretudo nas causas. Os pequenos fatos são a origem dos grandes acontecimentos. A vitalidade flui desde o plano oculto - a dimensão da semente - para o plano da germinação, isto é, dos pequenos resultados. Em seguida, o que é pequeno se transforma no que é grande.  Finalmente, as grandes estruturas tendem a desaparecer, de acordo com a Lei dos Ciclos. Deste modo elas abrem espaço para que novas sementes germinem e novas formas de vida cresçam, tornando visíveis outros aspectos da Vida Oculta e Infinita.

O Desejo de cada indivíduo tem uma relação preferencial com os efeitos, assim como a sua Vontade ativa está relacionada com o mundo das Causas.   Os Sábios e os Ocultistas seguem a lei da conservação da energia e focam seu esforço central nas Causas, para não perder demasiado tempo com aquilo que dificilmente pode ser mudado ou evitado - os efeitos.

Dirigindo as Causas, o indivíduo pode influenciar melhor o mundo dos efeitos. Geralmente a recíproca não é verdadeira. É bem mais difícil influenciar o mundo das Causas agindo desde o mundo dos efeitos. No entanto, causa e efeito não podem ser separados. Cada efeito é também uma causa, e cada causa, um efeito.  No Tripitaka, o cânone budista, o “Sutra dos Preceitos do Discípulo” afirma:

“Meu filho, se o bodhisattva pode contemplar causa e efeito, o efeito da causa e a causa do efeito, ele pode deste modo romper as causas e os efeitos, e obter causas e efeitos. Se o bodhisattva pode romper e obter causas e efeitos, isso é chamado de  ‘o  efeito do Dharma’ [1], o rei de todos os dharmas, e o auto-controle de todos eles.” [2]

Nas “Cartas dos Mahatmas” encontramos a seguinte definição sobre o que é filosofia esotérica:

“Nossa filosofia se encaixa na definição de Hobbes. Ela é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas suas causas e das causas por seus efeitos. [3]

De acordo com o budismo, os doze Nidanas formam a “cadeia de causação” da vida e do sofrimento dos seres humanos.  Os nomes tradicionais dos Nidanas [4] servem como  exemplos para estimular o estudo e a observação da cadeia de causação presente em cada aspecto da vida. Tal cadeia de causação é, naturalmente, a cadeia do carma. Ela é a rede simétrica de apegos e rejeições, desejos e medos, formas de prazer e formas de dor.  É esta cadeia que transforma os seres humanos em prisioneiros cegos do ciclo desconfortável de nascimento e morte.

Nas Cartas dos Mahatmas, depois de descrever o mundo nidânico  dos apegos humanos, um Mestre de Sabedoria faz uma pergunta difícil a um discípulo leigo que queria ter um diálogo mais de perto com os sábios dos Himalaias. O Mestre escreveu, referindo-se aos homens e mulheres comuns:

“Irá você tentar - para diminuir  a distância entre nós - libertar-se da rede da vida e da morte em que eles todos estão  presos (.....) ?” [5]

De fato, tudo depende de cada indivíduo. A libertação só pode ser verdadeira se for auto-libertação. 

O Carma é o grande professor, e a Vida nos dá valiosas oportunidades para que aprendamos.

No início de cada novo ciclo do tempo - um novo ano, uma nova década ou um novo dia de 24 horas - nós temos condições mais propícias para focar nossa consciência em uma compreensão adequada das Causas da ignorância, para evitá-las; e das Causas da obtenção da Sabedoria, para colocá-las em movimento de modo mais intenso,  mais definido e mais eficaz.


NOTAS:

[1] Dharma: Do sânscrito, dever, lei, doutrina, ensinamento.

[2] “The Sutra on Upasaka Precepts”, BDK English Tripitaka, Translated from the Chinese of Darmaraksa, Numata Center for Buddhist Translation and Research, 1994, 225 pp., ver p. 38.

[3] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Brasília, 2001, edição em dois volumes, Carta 88, volume II, p. 54.  

[4] Veja a lista dos doze Nidanas no item correspondente do “Glossário Teosófico” de H. P. Blavatsky,  Ed. Ground,  SP.

[5] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Carta 47, volume I, p. 214.  


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O artigo acima foi publicado pela primeira vez em inglês nos websites   www.TheosophyOnline.com  , www.Esoteric-Philosophy.com  e www.FilosofiaEsoterica.com .  Título original: “Setting Causes in Motion”.  A presente  tradução foi feita pelo próprio autor e, portanto,  ela não é literal em todos os parágrafos.

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Para ter acesso a um estudo diário da Teosofia Original -  que permanece livre de contrabandos e imitações  -  escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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1 de Janeiro de 2011

ALÉM DA SOCIEDADE DE ADYAR

Rompeu-se em 2007 a
Ilusão de um Monopólio Teosófico

Um Estudante de Teosofia  


“Há um caminho íngreme e cheio de espinhos,
rodeado de perigos de todo tipo – mas ainda
assim um caminho; é ele que leva até o Coração
do Universo.  Posso dizer a vocês como encontrar
Aqueles que lhes mostrarão o único portal secreto,
que conduz ao interior [...].  Para aqueles que
vencem, há uma recompensa de valor indescritível:
o poder de abençoar e salvar a humanidade.
Para aqueles que são derrotados, há outras vidas
em que o êxito poderá ser alcançado.”

[ H.P. Blavatsky, citada por Sylvia Cranston no livro
“Helena Blavatsky”, Editora Teosófica, 1997, p. 590.]


Nesta primeira parte do século 21, o movimento teosófico em língua portuguesa vive um momento histórico único.  É o instante solene da quebra de um “monopólio” que parecia haver, por parte da Sociedade de Adyar, em relação à teosofia e ao movimento teosófico.   O surgimento da diversidade natural, que é peculiar à vida, não constitui apenas algo profundamente renovador, mas é também um fato que merece ser observado e examinado com atenção. Pela primeira vez desde o século 19, está surgindo de maneira articulada, no Brasil e em Portugal, um trabalho voltado para a teosofia clássica, livre de fantasias.    

Desde há pouco mais de um século, o dogmatismo burocrático-ritualista impediu no movimento teosófico internacional a livre busca da verdade, e acabou por criar um marasmo e uma rotina que hoje possuem um efeito mortalmente entediante para inúmeros teosofistas, no Brasil e no mundo.   

Parece oportuno, então, perguntar: “Qual é a fonte deste mal-estar crescente?”

A resposta a esta pergunta não é muito difícil. Quando se impõe de cima para baixo aos estudantes um comportamento imutável e cegamente obediente, os resultados cármicos naturais são o tédio, o desânimo e a impaciência.  

Logo após a morte dos principais fundadores do movimento teosófico, começou na Sociedade Teosófica de Adyar uma tentativa, que dura até hoje, de transformar a teosofia em objeto de crença. Sem as lideranças autênticas de H. P. Blavatsky, William Q Judge e Henry S. Olcott, a filosofia esotérica foi tratada como um apêndice e colocada a serviço de falsas clarividências e ritualismos  de vários tipos. Atrás da fachada de liberdade de pensamento, foi decretada silenciosamente, em nome da “lealdade a Adyar”, a proibição de perguntas e questionamentos considerados incômodos.   O lema “Não Há Religião Superior à Verdade” passou a ser em grande parte uma frase adequada para a decoração de paredes.     

As falsas idéias que alimentam o sistema referencial criado por A. Besant e C. Leadbeater  são concessões feitas à ignorância coletiva da sociedade materialista.  “Para baixo, todo santo ajuda”, diz o ditado popular brasileiro. Segundo a lógica das ilusões, o que importa não são princípios universais e abstratos, mas sim personalidades, fama, poder pessoal e coisas semelhantes.  No plano das aparências, a mistura de mentiras e verdades tornava mais fácil e mais “popular” a caminhada.  Na realidade, porém, as fantasias “espirituais” apenas levaram os peregrinos a um beco sem saída e, neste beco fechado, o desânimo sonolento é inevitável.  

Graças à força da inércia, mantém-se uma egrégora sutil que mistura teosofia com vários tipos de ilusão “espiritual” e ambição pessoal mal disfarçada.  A combinação de filosofia esotérica (como elemento secundário) com crença cega (como elemento principal) tem contaminado silenciosamente, em dezenas de países, as auras de milhares de estudantes altruístas e devotados ao bem da humanidade.

Mas está chegando a hora de acordar, e as pessoas estão acordando.   

Estamos no final da primeira década do século 21, e já fica cada dia mais claro que o prazo de validade desta teosofia com água e açúcar está basicamente concluído.  É verdade que a casca externa que lhe corresponde ainda poderá sobreviver longo tempo.  Mas a vida interior já está, e estará cada vez mais no futuro, em outros lugares. Fazer parte de um rebanho obediente pode produzir uma sensação inicial de segurança, porém mais tarde surge a necessidade de romper com a rotina.  Ao contrário da visão do movimento esotérico como um rebanho, a proposta original do trabalho teosófico revitaliza, questiona, desperta, e produz qualquer coisa menos asfixia e  marasmo.

O futuro não é exatamente uma página em branco. De acordo com a lei dos ciclos, ensinada por H.P.B., a retomada do impulso original do movimento não é uma hipótese, mas um fato natural. A semente da Teosofia moderna foi plantada no período de 1875 a 1900.  Para germinar, depois do período de latência, ela irá romper por mérito próprio a grossa casca burocrática e dogmática que, sob o pretexto de protegê-la, hoje a asfixia e a impede de chegar à luz do sol.  O solo é fértil.  A germinação já começou. Vale a pena participar pessoalmente do processo.   

O melhor modo de ajudar a ST de Adyar é, realisticamente, fazer com que a teosofia autêntica ultrapasse as camadas escuras de falsidade, germine, e passe a brilhar com mais força no mundo. O material em decomposição serve bem como um adubo orgânico. A visível decadência interior de Adyar e de outros setores do movimento esotérico será reduzida na medida em que aumentar o seu contato com a Verdade.  Para isso será preciso romper com a carapaça burocrático-ritualística e retomar a Chama viva da busca da sabedoria. A chave-mestra para compreender e impulsar o processo está na literatura dada pelos Mahatmas através de H. P. Blavatsky. É no caminho da Verdade que os teosofistas de todas as agrupações poderão ter laços cada vez melhores de cooperação e amizade. 

O Movimento no Brasil:  do Berço ao Renascimento.

O movimento teosófico brasileiro nasce em 1902.  Em 29 de julho daquele ano, por influência de teosofistas de Buenos Aires, um grupo de estudantes fundou na cidade de Pelotas, no RGS, a primeira loja teosófica.  Era a Loja Dharmah, que nascia na sede do centro espírita “Amor a Deus”.   A pioneira loja Dharmah manteve uma publicação periódica, a revista “Dharmah”, entre 1908 e 1914.   

Em 1911 a loja Perseverança, de São Paulo, criou a revista “O Teosofista”, que mais tarde passaria a ser o órgão oficial da Sociedade de Adyar no Brasil. As lojas se multiplicaram, e a seção nacional foi instalada em 1919.

É importante anotar que desde o início do movimento teosófico brasileiro a ligação internacional era feita exclusivamente com Adyar.  A Sociedade de Point Loma / Pasadena já existia internacionalmente desde os anos 1890. A Loja Unida de Teosofistas foi fundada em 1909 em Los Angeles, e a partir de 1922 espalhou-se pelo mundo. Mesmo assim, até 2007, no Brasil, “Teosofia” em nosso país foi sempre sinônimo de “Adyar”.  

Por este motivo os brasileiros que se decepcionavam com as falsidades do período de Besant e de seus sucessores tinham sempre que optar entre continuar na ST de Adyar ou abandonar completamente o movimento.  Ao longo do tempo, grande número de pessoas, às vezes em grupos, entraram em choque com a ilusão organizada,  experimentaram indignação e decepção - e não viram nenhuma alternativa prática.  

O pesquisador independente percebe que, especialmente a partir dos anos 1970, diferentes teosofistas, inclusive lideranças, descobriram um após o outro a verdadeira importância de HPB. Porém, ao identificar o beco sem saída em que desembocam as ilusões besantianas, eram sempre obrigados a enfrentar a força da ortodoxia dogmática herdada dos dirigentes da primeira metade do século vinte.  

Os dados e documentos analisados revelam que os episódios de resistência contra a burocracia e de enfrentamento das ilusões têm sido cíclicos.  

Um dos mais exemplos mais significativos desse enfrentamento no Brasil foi protagonizado pelo teosofista  Murillo Nunes de Azevedo (1920-2007), que fora eleito presidente nacional da Sociedade em 1973.

Escritor Eça de Queiroz  Provoca Tumulto no Movimento.  

Murillo Nunes de Azevedo era budista.  Na sua edição número 01 de 1977,  a revista impressa de Adyar no Brasil, “O Teosofista”, publicou  -  sob direção de Murillo - um texto extremamente interessante de Eça de Queiroz.  O fragmento pertence à obra clássica “A Correspondência de Fradique Mendes” e estabelece uma comparação entre Jesus e Buda. Feita com o estilo irônico de Eça de Queiroz, a comparação favorece Buda. Eça questiona com lucidez a imagem de Jesus Cristo que tem sido fabricada pela teologia medieval do Vaticano. Isso foi mais do que o suficiente para provocar uma tempestade política de grandes proporções.

Indignados com o que chamavam de “ataque ao Mestre Jesus”, os líderes das lojas teosóficas de São Paulo escreveram ao presidente Murillo. Eles não só protestaram contra a suposta injustiça, mas exigiram uma imediata retratação, e informaram que já haviam suspendido “provisoriamente” a circulação da revista.  

Na carta, as Lojas teosóficas de São Paulo aproveitaram para acrescentar algo mais. Segundo elas,  era  também inadmissível que “O Teosofista”  mostrasse pontos falhos do espiritismo. Isso havia ocorrido com a publicação de um artigo de Geoffrey Hodson. A carta coletiva está datada  de 28 de abril de 1977 e é assinada, entre outros, por  líderes teosóficos de grande porte como Cora Salles, Cinira Riedel de Figueiredo,  Joaquim Gervásio de Figueiredo, Carmen Piza e Olinda Pugliesi.  Os arquivos históricos do website www.FilosofiaEsoterica.com  possuem uma cópia do original com as assinaturas dos dirigentes paulistas em caneta azul, e estão à disposição dos pesquisadores.  

Revoltado com as críticas de Eça de Queiroz aos dogmas fabricados pelo Vaticano, o vice-presidente nacional da ST de Adyar, José Hermógenes, distribuiu documento circular datado de 29 de abril de 1977. Nele, anunciava a sua renúncia ao cargo e deixava claro que tomava esta atitude por amor a Jesus, a quem chamava, reverentemente, de “meu Mestre”. Anos mais tarde, Hermógenes se tornaria conhecido por ensinar Hatha Ioga em vídeos e livros e por ser um discípulo cegamente devotado do guru indiano Sai Baba.

São indubitáveis, naturalmente, a sinceridade e o altruísmo das pessoas envolvidas no episódio. Elas  são merecedoras, sem exceção, do nosso respeito. Ao mesmo tempo, o episódio revela o estado de pobreza absoluta a que estava reduzido naquele momento o esquema pedagógico da filosofia esotérica em nosso país.  Como se sabe, a Teosofia moderna tem laços sumamente estreitos com o budismo, e faz críticas radicais à teologia autoritária do Vaticano.  O texto de Eça de Queiroz é na verdade tímido e limitado em suas críticas, se comparado com alguns textos fundamentais de H. P. Blavatsky e dos Mestres dos Himalaias. Veja-se, por exemplo, as Cartas 30 e 88 de “Cartas dos Mahatmas”.  H.P.B. e os Mestres também mostraram com franqueza todos os erros do espiritismo. 
 
O explosivo episódio de 1977 merece ser abordado em mais detalhes no futuro.  Ele não só tem considerável importância histórica em si mesmo, mas também mostra de modo irretorquível que nem sequer um presidente nacional da ST de Adyar podia, àquela altura, expressar qualquer verdade que fosse considerada politicamente inconveniente pela ortodoxia neo-cristã dos seguidores de Besant.  O que dizer, então, dos teosofistas que não eram presidentes nacionais?  Desde 1977, não se pode dizer que tenha havido uma melhora substancial.

O Campo Magnético das Ilusões Funciona Sutilmente.    

A crise enfrentada por Murillo Nunes de Azevedo em 1977 foi apenas uma, entre uma série de eventos semelhantes.  Ao longo do tempo, uma boa parte dos teosofistas que descobriram a camada de ilusões burocrático-ritualísticas conseguiu romper, no plano das idéias, com a lógica besantiana.  Alguns optaram com conviver com as falsidades.  Outros abandonaram a ST de Adyar e criaram  grupos independentes.  Esta ruptura, porém, parece ter sido mais política e formal do que substancial.  Em geral, os teosofistas dotados de espírito crítico não conseguiram romper com os elementais do campo magnético sutil das ilusões.  O magnetismo mayávico vai muito além das meras idéias e inclui fatores inconscientes e semi-conscientes como:

1) O estilo personalista de liderança e tomada de decisão;

2) O hábito de acreditar “com fé” ao invés de pensar e estudar por si mesmo;

3)  A ambição pessoal disfarçada sob uma camada de altruísmo aparente; 

4)  Inúmeros equívocos conceituais e outros fatores que seria inadequado enumerar aqui.

Até o final do século vinte, foi mantido o monopólio da Sociedade de Adyar no Brasil e em Portugal. Os “hereges” tiveram sempre que acomodar-se e submeter-se a um contexto ilegítimo, ou saíram do movimento e foram obrigados a pagar o preço do isolamento. Adyar, a pequena contrapartida esotérica do grande Vaticano em Roma - detinha, aparentemente, a exclusividade da Teosofia em língua portuguesa. Até recentemente, nenhum “herege” brasileiro teve a sorte de entrar em contato real com o núcleo internacionalmente organizado que preserva a pedagogia viva de HPB e dos Mestres e a atmosfera sutil do seu trabalho original.   

Esta situação, porém, não existe mais.  Na primeira década do século 21, quebra-se o “monopólio” de Adyar sobre o movimento teosófico brasileiro e se abre espaço para o nascimento em nosso idioma da proposta original do movimento.  A nova situação inaugura uma fase mais madura da história do movimento, mas seu começo não poderia ser mais modesto.  Quem seria capaz de imaginar algo menor, ou aparentemente menos importante, que uma semente de árvore a germinar em silêncio?

Surge Uma Alternativa Saudável de Longo Prazo. 

O fato objetivo é que - graças ao website www.FilosofiaEsoterica.com , ao blog www.vislumbresdaoutramargem , ao blog www.TeosofiaOriginal.com  e ao boletim eletrônico “O Teosofista” -  um número crescente de  teosofistas brasileiros e portugueses  começa a perceber com clareza  o esquema de “ilusões teosóficas” construído por Annie  Besant e seus colaboradores. Cada vez mais pessoas, teosofistas e não teosofistas,  entram em contato direto com a literatura esotérica clássica e com os setores autênticos do movimento. A ação da Loja Unida de Teosofistas, LUT, passa a ser crescentemente conhecida.  Em novembro de 2009, foi registrada em Los Angeles a criação da pequena loja luso-brasileira da LUT.  

A teosofia original está ativa e vêm resgatando gradualmente os melhores momentos e as lições mais importantes da história do movimento teosófico nos países de língua portuguesa.

Temos agora em nosso idioma diversos âmbitos autênticos de estudo e vivência de teosofia.  O movimento teosófico está mais perto da sua fonte de inspiração. Identificadas as falsidades e fantasias da etapa infantil do movimento, um número crescente de estudantes descobre a importância  multidimensional dos ensinamentos originais dados pelos Mestres e por H. P. Blavatsky.   

Aos poucos, o movimento absorve a realidade de que não existe um “monopólio” da Teosofia. 

Há três organismos teosóficos ativos internacionalmente.   O maior, a S.T. de Adyar, abandonou quase por completo os ensinamentos originais, mas isso não ocorre com os outros dois.  Um deles, a Sociedade Teosófica de Pasadena (Point Loma)  está presente em cerca de dez países e preserva uma posição bem mais próxima do ensinamento autêntico. O outro, a Loja Unida de Teosofistas, LUT, organizada em cerca de 15 países, é o segmento que preserva diretamente e sem alterações a literatura e a atmosfera originais do movimento. 

A quebra da ilusão de monopólio em língua portuguesa é benéfica para todos.  Ela renova o horizonte.  O futuro do movimento passa a ser mais do que uma mera repetição do passado. Mas, se observarmos com calma a situação atual, surgirá a pergunta:

“Que alternativas há para os membros da velha Sociedade de Adyar quando percebem que uma literatura autêntica deve ser resgatada, já que ela leva o estudante a uma sabedoria profunda, capaz de libertá-lo do tédio e da crença cega?”

Uma resposta possível é a seguinte.

“De fato, há um caminho, estreito e difícil - mas ainda assim um caminho. O estudante que perseverar irá além dos muros atuais da Sociedade de Adyar e transcenderá os seus principais ícones - Annie Besant, Charles Leadbeater e Jiddu Krishnamurti.  Ele descobrirá  então, pouco a pouco,  o núcleo internacional de estudo e vivência da Teosofia autêntica,  tal como foi ensinada diretamente por H. P. B. e pelos Mestres de Sabedoria.  Tal núcleo internacional existe e  trabalha para o movimento como um todo e  para a humanidade;  e os estudantes brasileiros que estiverem livres do apego à rotina poderão verificar isso por si mesmos.”

Respondida pelo menos em parte a primeira questão, surgem outras perguntas:

“Como melhor percorrer, então, o caminho que vai da amarga decepção com as ilusões de Adyar até a construção, em nosso país, de algo novo e autêntico? Que testes e dificuldades esta transição apresenta?  A que se chegará, depois de vencer os diversos obstáculos?”

E uma resposta possível seria:

“A tarefa de transitar com êxito em direção a algo novo não é exatamente simples e fácil, mas tampouco será necessário redescobrir a roda, ou a pólvora. A teosofia de H. P. Blavatsky,  William Judge e Damodar Mavalankar  está mais viva do que nunca. Ao mesmo tempo, o núcleo de fraternidade universal que a vivencia e que a mantém conseguiu sobreviver  bastante bem, porque priorizou a qualidade interior e não a quantidade externa; optou pelo fundamental e não pelo secundário; preferiu vivenciar o essencial que é imperceptível no mundo físico; e procurou  o poder que nos faz parecer nada aos olhos dos outros, como ensina o livro Luz no Caminho.   Este é um exemplo a ser seguido.”   

De fato, a experiência dos que trilharam o caminho ensina que é preciso não só coragem, mas também paciência. As dificuldades principais não são as visíveis. Os obstáculos visíveis são apenas a ponta de um iceberg  cuja maior parte está submersa. Mas a bênção oculta é bem maior que a soma total dos obstáculos. 
   
A verdade é que as ilusões e sementes de maus hábitos presentes na atmosfera sutil ou egrégora  da ST de Adyar  (como ocorre com qualquer grupo que esteja desorientado)  são absorvidos  inconscientemente pelos seus estudantes.  É por este motivo que, até o início do século 21, grande parte  dos membros da Sociedade, quando  confrontados com os fatos inquestionáveis da falsificação autoritária do ensinamento, não conseguia  reagir racionalmente, pelo menos no primeiro momento. O problema ainda existe e não deve ser subestimado.  Só gradualmente os estudantes de Adyar podem transferir sua devoção e seu compromisso da burocracia e das personalidades para os princípios universais da filosofia teosófica.    

Como Funciona a Proposta Original de Trabalho.

O esquema pedagógico da teosofia autêntica, transmitida por H.P.B.,  coincide com a idéia básica do método educacional do brasileiro Paulo Freire – o princípio da autonomia do aprendiz – e é muito diferente da prática pedagógica desenvolvida nos movimentos “esotéricos” convencionais, que apelam para a memorização, o ritual  e a obediência.     

Contra fatos não há argumentos, e os teosofistas têm cada vez mais elementos a seu dispor  para perceber por si mesmos que os Mestres de Sabedoria e seus discípulos podem inspirar diretamente os estudantes que tenham vida limpa, mente aberta e coração puro.  Também é  fácil perceber que nem os Mahatmas, nem os seus discípulos ou os candidatos ao discipulado necessitam  de burocracias ritualísticas como “instâncias intermediárias”. Ao contrário: estas últimas só dificultam a busca da sabedoria e o trabalho altruísta pela humanidade. 

Quem são, então, aqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir?

Nem todos percebem o joio e o trigo.  E isso não é tudo. Mesmo entre os que chegam ao ponto de identificar mentalmente joio e trigo,  nem todos têm a coragem de optar pelo trigo.  Alguns, pragmaticamente,   ainda preferem o joio.  Eles alegam que “uma pomba na mão é preferível a duas pombas voando”.  

O argumento é, naturalmente, falso.  Na verdade, o correto é manter os dois pássaros livres e voando; mas pretender aprisionar um deles, isto sim é um erro.    
  
Para aqueles que têm a coragem de escolher a verdade e optam por duas pombas voando ao invés de uma pomba presa na mão, o trabalho de  libertação pessoal apenas começa. É necessário desenvolver uma autoconfiança interior que os capacite a pensar por si mesmos em todas as situações, a dizer o que pensam, e a agir conforme sua consciência.  O discernimento e o altruísmo são igualmente importantes. Outras armas úteis são a paciência, a perseverança e a capacidade de renunciar e esquecer de si mesmo.   Os pássaros, no exemplo acima, simbolizam a Alma e a Verdade.

É afastando-se da ilusão pseudo-teosófica e evitando ao mesmo tempo cair na armadilha do orgulho pessoal que os estudantes poderão trilhar o caminho do meio e romper adequadamente não só com uma corporação ou com a lógica visível de uma corporação pseudo-teosófica,  mas também com o magnetismo oculto e sutil  que há por trás dela, e que é mais difícil de identificar  Só assim, e gradualmente,  eles se verão livres do clima sutil alimentado por pretensões pessoais, fantasias de importância e devoção a personalidades,  que caracteriza a herança do período de Besant e Leadbeater (1895-1934).

Como vimos, a tarefa de criar em língua portuguesa um esquema referencial e um ambiente de estudo e vivência autênticos da teosofia original já começou e avança com tranquilidade. Porém, é preciso ter uma visão de longo prazo para que o processo de germinação se desdobre com eficácia.    

Fraternidade universal implica altruísmo, e teosofia autêntica é renúncia. Não se trata de renunciar à verdade, nem à independência, nem à responsabilidade individual. Ao contrário. Estes três elementos da caminhada são reforçados na vida de quem busca ser aprendiz dos verdadeiros Mahatmas.   Para vivenciar a teosofia  é preciso renunciar, isto sim, à ignorância espiritual. Esta  é uma tarefa de auto-recuperação. Ela requer a obtenção gradual de auto-conhecimento, auto-respeito, autoconfiança e auto-controle;  e também uma postura sinceramente solidária em relação à vida como um todo.     

Há certas condições práticas que tornam possível esquecer o pequeno “eu” e ser solidário de coração. Estas condições se concretizam quando o indivíduo entra em contato com coisas que são mais interessantes do que o seu próprio mundo pessoal, porque são eternas e infinitas. Quando o seu eu interno busca só o caminho mais elevado,  a “lei da gravitação por afinidade”  faz com que o estudante de teosofia se aproxime naturalmente do núcleo interno e autêntico do movimento teosófico.

Este núcleo não está em alguma corporação física ou “sociedade”. Ele está, sobretudo, em um modo mais atento e mais profundo de viver. É neste estado de atenção interior para o que é elevado que o estudante esotérico encontrará os seus verdadeiros co-discípulos e colegas de caminhada.  Quando ele estiver pronto, eles aparecerão. O verdadeiro ashram é um padrão altruísta de vibração,  e por isso não depende de localizações físicas.   Ele pode ser encontrado no interior de cada um, quando o estudante tem acesso à pedagogia correta e, além disso, decide que irá tomar providências práticas para aproveitar a oportunidade.   

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br.  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.   Em Portugal, escreva para lutportugal@gmail.com .

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