29 de agosto de 2011

O SERATENTO COMO SALA DE AULA


Reflexões Sobre a Aprendizagem de Teosofia


Arnalene Passos




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Fundado em 29 de agosto de 2005, o e-grupo
SerAtento funciona em YahooGrupos. O texto a
seguir é resultado de um diálogo online realizado em agosto
de 2011 entre associados da Loja Unida de Teosofistas, LUT.

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Se fôssemos escrever sobre nossa primeira experiência escolar, a criança que chora para não se soltar das mãos dos pais no primeiro dia de aula seria uma cena comum. O mesmo medo se apresenta sempre que estamos frente ao desconhecido.

Conduzidos pelas mãos da Grande Lei, chegamos a uma escola para infância espiritual. Aqui  os critérios de seleção são afinidade e não idade; mente aberta e não conhecimento adquirido; humildade diante da grandeza do conhecimento, e outros.  

Repetimos então a mesma cena da criança que chora.  Nos agarramos a conceitos e crenças, gastando um tempo precioso, até soltarmos paradigmas que limitam e embaçam nossa visão. Isto não acontece sem dor, e nem todos dão conta de esvaziar a mochila.

Diante do mundo de informações que se descortina, sem roteiro curricular, custamos a entender que:

*“...Cada estudante deve construir com independência sua própria trajetória para chegar ao conhecimento. ” 

* “A busca da verdade deve estruturar-se de dentro para fora na mente e no coração de cada estudante. ”

* “A teosofia mostra a falsidade da figura do ‘intermediário’. O impulso em busca do conhecimento filosófico deve ser individual, porque a responsabilidade cármica diante da vida pertence a cada um e não pode ser transferida para alguma organização ou líder.” [1]

Com a pedagogia compreendida, começamos a escrever a nossa história de busca pela verdade através dos ensinamentos teosóficos. A fase bem conhecida por todos é a dos porquês. O ritmo depende apenas da motivação interna  e a visão do dever de cada indivíduo para com sua própria consciência e sua alma imortal.

Aqui estamos, aprendizes nesta escola em que o diploma é o discernimento, e a clareza do dever. Aprender e transmitir são simultâneos, e o teste do conhecimento é a vivência em nosso dia-a-dia. 

Alguns parágrafos selecionados para reflexão:

* O SerAtento surge em 29 de agosto de 2005 como instrumento para realizar um curso online de dois meses sobre a primeira parte do livro “Três Caminhos Para a Paz Interior”, de Carlos Cardoso Aveline. O nome do grupo é “O Caminho do Guerreiro” e reproduz o título da primeira parte da obra. 

* O SerAtento constitui um laboratório de pesquisa teórica e prática  situado no centro de um pequeno sistema dinâmico de produção, publicação e distribuição de textos sobre filosofia esotérica clássica e a arte de viver corretamente. Sua referência central é a vasta obra escrita - e também o exemplo de vida - da pensadora russa Helena Petrovna Blavatsky (1831-1891). 

* A ênfase maior dos estudos e diálogos do SerAtento é dada, pois, ao autoconhecimento, ao estudo filosófico, à auto-responsabilidade e ao esforço por viver com ética e sabedoria. [2]

* O e-grupo SerAtento pode ser visto como uma egrégora ou campo energético que rodeia um ideal e um saber filosófico de caráter planetário.  Enxergando o SerAtento como um processo vivo,  é possível investigar em que plano da realidade ele existe, já que sua atividade não ocorre exatamente no plano físico. 

O SerAtento não é apenas intelectual. Não é feito só de palavras. Seu processo dinâmico ocorre na luz astral, mas se desdobra em sete níveis de consciência. Ele é como um templo sutil. Ele funciona como uma sala de reuniões teosóficas. Ele é um exercício constante da Prática da Presença Sagrada. O SerAtento é um lugar real, mas não é físico. Ele é mais real, talvez, do que uma sala de quatro paredes feitas de tijolos. O SerAtento é um prédio construído com pensamentos. [3]

Pontos de Vista Sobre o SerAtento

Nosso esforço em pontuar a vida pelos princípios teosóficos é a força que une e  fortalece o trabalho focado, pioneiro e corajoso que esta recém criada loja luso-brasileira da Loja Unida de Teosofistas, LUT, vem desenvolvendo no campo internacional,  visando renovar o movimento teosófico.

Um membro da coordenação do e-grupo escreveu:

“O  SerAtento é um processo em que aprendemos uns com os outros e com o ensinamento, fazendo isso na proporção adequada para cada um, conforme o processo natural de cada indivíduo.”

Desde Santa Catarina um estudante esclareceu o seguinte:

“Mesmo não conseguindo penetrar profundamente nas verdades da Teosofia Autêntica, percebemos a grandeza e a precisão dos ensinamentos ofertados altruisticamente pelos Mestres, por HPB, W. Q. Judge, Crosbie, J. Garrigues, e tantos outros ao longo destes anos, desde 1875. Com um coração de gratidão pela obra, dadas as nossas limitações individuais cármicas, só nos resta divulgar o mais amplamente possível estas verdades, na esperança de que tenham sobre os outros caminhantes, os mesmos efeitos transformadores que tiveram sobre nós.”

Recebemos o seguinte testemunho desde o estado do Espírito Santo:  

“Eu vejo um doar diário aqui no Atento... de diversas maneiras e isso é tão belo, mostra nossa diversidade na unidade! Nem sei dizer do tanto que já aprendi com vocês,  meus Companheiros de Caminhada! E divulgar os Ensinamentos, repassar TEOSOFIA,  é nossa forma de retribuição ! Nossa pequena grande forma de retribuir.”

E uma estudante escreveu de Goiânia:

“O SerAtento é uma verdadeira  escola de Teosofia, sem dúvida, creio que todos nos sentimos aqui numa sala de aula. E muito, muito mesmo, essa escola tem contribuído com as boas mudanças em minha vida. Hoje meu pensamento não está no aqui, no agora; está mais além, no longo prazo. E a Teosofia e o SerAtento têm uma participação real nisso.”

O seguinte testemunho veio do interior de Minas Gerais:

 “Os estudos e diálogos promovidos pelo Ser Atento, o autoconhecimento e a auto-responsabilidade nos permite caminhar em solo firme, fortalece o nosso interesse pela Teosofia, sua compreensão e sua prática. Muitos desdobramentos, dimensões, vastidões surgem a partir de nossa existência, das nossas reflexões. A mente vai despertando e o campo das possibilidades avança como um impulso determinador de futuras vivências e realidades. Assim vamos enfrentando nossa existência e aos poucos descobrindo o seu sentido e a sua grandeza.”

E da região Centro-Oeste:

“Penso que a força real do Atento é a força da veracidade que há em nosso trabalho e em nossas vidas. Qual é a relação entre o que pensamos e o que dizemos? Qual a relação entre o que pensamos, sentimos, dizemos e fazemos? Qual é nosso compromisso  com nossas próprias (boas) intenções? Somos realistas em nossas metas? Estes pontos são fundamentais para que possamos calcular de fato e conhecer a força real do SerAtento - e do nosso trabalho como um todo.”

Finalizo com palavras de um teosofista que vive no sul do país. Ele escreveu: 

“Atentos no dia-a-dia, poderemos olhar para trás e verificar o quanto este processo foi verdadeiramente alquímico na nossa vida, e veremos com clareza as mudanças, e principalmente o quanto ainda precisamos caminhar. Só com o apoio solidário e cooperativo dos corações e mentes de todos os atentos, poderemos nos tornar mais úteis a todos os seres.”

NOTAS:

[1] Fragmentos de A Arte de Estudar Teosofia”, de Carlos Cardoso Aveline, link direto - http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1157 .

[2] Veja “O SerAtento Como Comunicação Soacial”, texto assinado por Carlos Cardoso Aveline.

[3] Artigo “A Egrégora do E-grupo SerAtento”, em “O Teosofista” de Fevereiro de 2011,  link direto http://www.filosofiaesoterica.com/ler.php?id=1105 .


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23 de agosto de 2011

A TAREFA À NOSSA FRENTE


O Propósito Essencial do Movimento
Teosófico Vai Muito Além do Curto Prazo


Carlos Cardoso Aveline




“A alma do ser humano é imortal,
e o seu futuro é o futuro de algo cujo
crescimento e esplendor não têm limites.”

(“The Idyll of the White Lotus”, M. Collins,
Cap.  8, p. 114,  Quest Books, 1974. Há uma
tradução menos precisa da frase na edição brasileira,
“O Idílio do Lótus Branco”, Ed. Pensamento, p. 83)


“….. Digam-me se sou demasiado otimista
quando afirmo que se ... [o Movimento Teosófico]
sobreviver e permanecer leal à sua missão e aos seus
impulsos originais ao longo dos próximos cem anos,
digam-me, repito,  se vou demasiado longe ao
asseverar que, então,  a Terra será um paraíso no
século vinte e um, se comparada com o que é agora!

(Frase final de H.P. Blavatsky na obra  
“A Chave da Teosofia”, publicada em 1889.)



No último parágrafo de “A Chave da Teosofia”, Helena P. Blavatsky vê uma relação direta entre a situação do movimento teosófico, de um lado, e a situação do carma humano e da civilização da nossa humanidade, de outro.  O movimento é para ela um fator causal. O estado da civilização pertence ao mundo dos efeitos.

A importância oculta da afirmação de H. P. B. é grande. Ela revela a natureza magnética do vínculo entre o movimento teosófico e a humanidade.  O movimento é um processo coletivo, dinâmico, não-burocrático, que possui sementes ativas de atividade buddhi-manásica, isto é, de consciência universal, impessoal, transcendente, eterna.[1]  A humanidade é a terra na qual as sementes são lançadas.  Se o tipo correto de grão é semeado de modo eficiente, no tempo devido começará a colheita.

A frase de H. P. B. menciona a responsabilidade oculta do movimento em relação à humanidade.  O dever é invisível para o mundo convencional, mas a tarefa para a qual ele aponta é inevitável, porque faz parte do processo da evolução humana. Está, portanto, na própria essência do movimento, na sua substância na luz astral, na sua aura.

O fato de que ajudar a humanidade em seu conjunto é uma vocação central do movimento teosófico é claramente colocado em várias passagens de “Cartas dos Mahatmas” e de “Cartas dos Mestres de Sabedoria”.[2]  A ideia também está registrada no primeiro objetivo do movimento, que é “criar um núcleo da fraternidade universal”.

É verdade que um número variável de indivíduos poderá negar - mais em suas ações práticas do que em palavras - que este é o propósito central do movimento. Há aqueles que se comportam como se este dever sagrado fosse apenas um slogan de propaganda e uma frase bonita a ser repetida para impressionar o público.

No entanto, o movimento só pode ter vida interna real na medida em que se mantiver em harmonia com sua própria natureza magnética, cuja substância é feita de ética e sabedoria.   

A vitalidade do movimento é independente do seu poder material ou do número maior ou menor de seus associados. 

Se em uma ocasião qualquer o movimento tem menos vitalidade do que deveria e alguém busca identificar a fonte do problema, bastará examinar a quantidade de motivação altruísta que há em seus membros. Neste exame, porém, o observador deve começar verificando o seu próprio grau de altruísmo.

Quando na balança das motivações a intenção altruísta é fraca, a meta de longo prazo é esquecida e o movimento passa a ter uma sub-existência. Então ele cai numa vida vegetativa, e seus membros se refugiam na rotina, nos rituais, na tradição cega, ou na busca de “novidades” instantâneas.  

Para o cumprimento da sua tarefa de longo prazo, o movimento necessita de indivíduos que tomem medidas práticas para expandir os seus Antahkaranas, ampliando o contato com os seus eus superiores ou almas espirituais. Isso requer auto-disciplina. Mas é  deste modo que eles se capacitam para assumir de fato sua co-responsabilidade pelo futuro humano. 

O número aritmético de tais indivíduos é de importância secundária. Em geral, um único cidadão decidido ajuda mais do que milhares de cidadãos indecisos. No entanto, a decisão da alma não pode ser apressada.  Tudo tem o seu ritmo natural. Uma caminhada de dez mil quilômetros começa com o primeiro passo.

Os  Poucos que trabalham pela humanidade podem estimular o despertar interior de muitos outros.  Este processo está ocorrendo em escala mundial, mas sua rapidez depende do Carma. O progresso humano se dá por milênios. Embora o despertar tenha começado a tomar impulso e ganhar velocidade em 1875, os seus resultados não são necessariamente visíveis, ainda.

Para os estudantes de teosofia original, é um privilégio estimular o processo pelo qual um número crescente de indivíduos se harmoniza com os novos tempos, marcados pela necessidade de auto-responsabilidade e de cooperação sem fronteiras, em escala planetária.  Há desafios, é claro.  Para alcançar sua meta, o movimento esotérico deverá superar o apego à rotina. Isso não ocorre da noite para o dia. Visto coletivamente e a longo prazo, este esforço  vai abrindo espaço para o surgimento do sexto tipo ou etapa evolutiva da atual humanidade. 

Na obra “A Doutrina Secreta”, este tipo humano é chamado de “sexta-sub-raça da quinta raça-raiz”.  

A palavra “raça”, aqui, abrange pessoas de diferentes cores de pele, povos, classes sociais, culturas e etnias, e se refere a características de muito longo prazo.  O novo “tipo” ou “sub-raça” da atual raça-raiz estará apto para viver conscientemente a fraternidade universal.   O respeito à vida é uma chave para chegar a esta consciência.   Os cidadãos pioneiros do futuro reconhecem a fraternidade universal como uma lei e um fato, e trabalham para que a prática do fratricídio seja abandonada no momento certo.   
  
O dharma dos teosofistas não é fazer um esforço para impedir mudanças geológicas graves através de ativismo ou militância social.

É verdade que os efeitos das mudanças climáticas e ambientais serão menos dramáticos se a consciência planetária e ecológica expandir-se mais rapidamente. Esta é uma meta nobre a ser apoiada. Mas os ciclos geológicos são inevitáveis. Eles fazem parte da evolução humana e planetária e constituem uma necessidade.  O dever teosófico é alcançar uma compreensão dos desafios geológicos atuais desde o ponto de vista da filosofia esotérica, e partilhar esta compreensão de modo a acelerar o despertar interno da humanidade.

O planeta é setenário. Os sete níveis da sua consciência estão inevitavelmente interligados, e na primeira metade do século 21 já é possível perceber que está ocorrendo uma transição multidimensional. 

Graças à sua filosofia universalista, o movimento esotérico opera, ou deveria operar, em níveis superiores da mente da humanidade. No entanto, as suas velhas estruturas e formas de ação estão se tornando disfuncionais. Os novos métodos de agir ainda não apareceram, ou estão na primeira fase do seu surgimento. 

A perda de vitalidade das formas antigas do trabalho teosófico se expande simultaneamente com a crise externa da civilização materialista. Estes dois processos ocorrem ao lado da aceleração dos eventos geológicos por toda parte.   

Está tudo sincronizado no processo da vida planetária. O desafio é agir construtivamente, de dentro para fora, de modo pioneiro. Cada estudante deve decidir por si, enquanto ajuda e é ajudado pelos seus colegas de caminhada.    

Ao refletir sobre o princípio estabelecido por H. P. B. no parágrafo final de “A Chave da Teosofia”, podemos escolher duas questões para meditação e contemplação:

* Há mesmo uma relação de causa e efeito entre, A) o processo de preservação e expansão do movimento teosófico de acordo com o seu Impulso Original, e B) a necessária auto-renovação da civilização atual em direção à ética universal e ao altruísmo?

* Qual é a melhor maneira pela qual cada um de nós, e todos nós, podemos TENTAR ser úteis neste processo unificado e permanente de criação, preservação e renovação, que ocorre a longo prazo e principalmente no plano causal?


NOTAS:

[1] No sentido essencial, o movimento teosófico abrange todas as pessoas de boa vontade que transcendem os sectarismos religiosos, nacionais, políticos ou filosóficos, percebendo a sabedoria universal e procurando vivenciá-la.  Há teosofistas que não pertencem a qualquer associação teosófica, e há membros das sociedades teosóficas que não são teosofistas.

[2] As duas obras estão publicadas pela Editora Teosófica, de Brasília.  No website  www.FilosofiaEsoterica.com , pode-se ler  “A Carta do Grande Mestre”, que tem como nome de autor “Um Mahatma dos Himalaias” e é facilmente encontrada ali pela Lista de Textos por Autor, ou pela Lista de Textos por Ordem Alfabética.


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21 de agosto de 2011

UMA VERDADE INCONVENIENTE IGNORADA PELO DARWINISMO



Neste pequeno vídeo, Noam Chomsky fala sobre os prejuízos do darwinismo social, sobre o qual a civilização moderna está estabelecida. Herbert Spencer foi o primeiro a cunhar a expressão “a sobrevivência dos mais aptos”. Contrapondo a esta concepção errada da sociedade, Chomsky lembra as convenientemente ignoradas formulações de Piotr Kropotkin, que apontam para o papel fundamental que a cooperação desempenha na evolução.

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As civilizações começam no pensamento. As bases do futuro não são físicas, mas mentais. 

O que é que necessita ser mudado exatamente? O que há de errado com a sociedade atual?

A árvore se mede pelos frutos.  A visão Igrejista de mundo –  como podemos ver pela história dos últimos 15 séculos –  contraria o ideal do Jesus do Novo Testamento e  produz guerras, injustiça, intolerância e, paradoxalmente, um materialismo destituído de alma.  

“Por outro lado, a visão darwinista da vida encerra um longo ciclo histórico com um materialismo consumista baseado na ideia da competição pura e simples.  O darwinismo  compete com o Igrejismo para dar a base filosófica da civilização atual, e busca legitimar-se com base na ideia 'cientifica' da competição.  Mas para afirmar-se o darwinismo necessitou e ainda necessita  ignorar uma verdade inconveniente. O fato incômodo  é que a ajuda mútua constitui  o grande fator da evolução em todos os reinos da natureza. A competição é um fator menor e complementar.  Como demonstrou Piotr Kropotkin, a regra geral é o apoio mútuo e a complementariedade entre os indivíduos e entre as espécies.  


No plano social, uma civilização mais conscientemente solidária pode emergir de uma filosofia e de uma visão de mundo universais.  A filosofia teosófica não supera apenas os dogmas irracionais impostos pelas Igrejas.  Ela resgata parte do pensamento de Kropotkin a respeito da evolução humana, e faz isso  a partir  de uma proposta abrangente da vida no planeta e no cosmo.  A teosofia supera a visão fragmentária do darwinismo,  e ensina a lei da fraternidade entre todos os seres. Esta lei é uma consequência da lei do carma.  A vida entre irmãos nem sempre é fácil, como se sabe. Mas isso não nega o fato da fraternidade, nem elimina o fato de que a solidariedade é a regra. A competição –  quando deixa de ser um fator secundário e passa a ser visto como principal – leva à destruição mútua.  E isso não é bom.”

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Excerto do texto “Nem Darwin, Nem Igrejas”, publicado no website www.FilosofiaEsoterica.com .

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Ler:
Ciência Materialista e Dogma Religioso
São Os Dois Lados De Uma Moeda Falsa



16 de agosto de 2011

O GRANDE PARADOXO

Viver no Eterno e Vigiar o que é Momentâneo

 

Helena P. Blavatsky

 

 


A Hidra de sete cabeças, da mitologia grega, 
é um símbolo  do egoísmo espiritual. Ela tem que
ser derrotada  por Hércules, o candidato à Iniciação.


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O texto acima foi publicado pela primeira vez
em 1887.  É traduzido de “Collected Writings of
H.P. Blavatsky”, TPH, India/USA, volume VIII,
pp. 125-129.  Título original: “The Great Paradox”.

Alguns estudantes consideram “O Grande Paradoxo”
um dos textos mais importantes da filosofia esotérica.

(CCA)

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O paradoxo parece ser a linguagem natural do Ocultismo.  Mais do que isso, ele parece penetrar profundamente no coração das coisas, e assim parece ser inseparável de qualquer tentativa de colocar em palavras a verdade, a realidade que está na base das aparências externas da vida.

E o paradoxo acontece não somente nas palavras, mas na ação, na própria conduta da vida. Os paradoxos do ocultismo devem ser vividos, não falados apenas. Aqui reside um grande perigo, porque é muito fácil perder-se na contemplação intelectual do caminho, e assim esquecer-se de que a estrada só pode ser conhecida quando se caminha por ela.

Um paradoxo assustador se apresenta ao estudante já no início e o confronta assumindo novas e estranhas formas em cada curva do caminho. Talvez esse estudante tenha procurado o caminho desejando uma orientação, uma regra sobre o que é certo para a conduta em sua vida.

Ele aprende que o alfa e o ômega, o começo e o final da vida é altruísmo; e ele sente a verdade da afirmação de que somente na profunda inconsciência do autoesquecimento a verdade e a realidade do ser podem revelar-se ao seu coração sedento.

O estudante aprende que esta é a lei única do ocultismo, ao mesmo tempo a ciência e a arte do viver, o guia para a meta que ele deseja alcançar. Ele está cheio de entusiasmo e entra bravamente na trilha da montanha. Então ele descobre que seus instrutores não encorajam seus voos ardentes de sentimento, seu anseio pelo Infinito que o faz esquecer de  tudo - no plano externo e factual de sua vida e sua consciência. Pelo menos, se não eliminam seu entusiasmo, eles lhe apontam, como primeira e indispensável tarefa, vencer e controlar seu corpo. O estudante descobre que, longe de ser encorajado a viver nos pensamentos sublimes de seu cérebro e fantasiar que alcançou o éter onde está a verdadeira liberdade - com o  esquecimento de seu corpo, suas ações exteriores e sua personalidade - a ele são atribuídas tarefas muito mais terrenas. Toda a sua atenção e vigilância são requeridas no plano exterior; ele não deve nunca se esquecer de si mesmo, nunca descuidar de seu corpo, sua mente, seu cérebro. Ele deve aprender a controlar a expressão de cada detalhe, verificar a ação de cada músculo, dominar o mais leve movimento involuntário. A vida diária à sua volta e dentro dele mesmo é assinalada como objeto do seu estudo e da sua observação. Em vez de esquecer o que geralmente é chamado de banalidades, pequenos descuidos e erros acidentais da língua e da memória, ele é forçado a tornar-se, a cada dia, mais consciente desses lapsos até que, finalmente, eles parecem envenenar o ar que ele  respira e sufocá-lo;  até que ele parece perder a visão,  e o contato,  com o grande mundo de liberdade pelo qual está lutando;  até que cada hora e cada dia parecem cheios do amargo sabor do eu,  e seu coração sente-se doente com a dor e a luta do desespero.  E a escuridão fica ainda mais profunda porque a voz interior grita incessantemente: “Esqueça de si mesmo. Cuidado, do contrário você se torna autocentrado -  e a erva gigante do egoísmo espiritual firmemente se enraizará em seu coração; cuidado, cuidado, cuidado!”

A voz leva seu coração até suas profundezas, porque ele sente que as palavras são verdadeiras. Sua batalha diária e contínua o ensina que estar autocentrado é a fonte do sofrimento, a causa da dor, e sua alma está cheia de desejo de liberdade.

Assim, o discípulo é tomado pela dúvida. Ele confia em seus instrutores, porque sabe que através deles fala a mesma voz que ele ouve em seu coração. Mas agora eles dizem palavras contraditórias; a voz interna, a única, recomenda esquecer de si mesmo totalmente, em prol da humanidade; a outra, a palavra falada por aqueles de quem ele busca orientação, recomenda primeiro dominar seu corpo, seu eu exterior.  E a cada hora ele vê mais claramente como é difícil aquela batalha com a Hidra, e vê sete cabeças crescerem novamente no lugar de cada uma que ele decepou.

No começo ele oscila entre as duas coisas, ora obedecendo a uma, ora obedecendo à outra. Mas logo ele aprende que isso é infrutífero. Porque o sentido de liberdade e leveza que no princípio vem quando ele deixa seu eu externo sem vigilância para que possa procurar internamente ar puro, logo perde sua intensidade e um choque repentino lhe revela que ele escorregou, e caiu, no caminho que vai montanha acima. Então, em desespero, ele se lança sobre a traiçoeira serpente do eu e luta para sufocá-la até a morte; mas seus anéis espiralados, sempre fugidios, evitam suas mãos; as tentações insidiosas de suas escamas brilhantes cegam sua visão e, novamente, ele se envolve no turbilhão da batalha que o vence dia a dia e que, finalmente, parece preencher o mundo inteiro e apaga tudo o mais, exceto sua consciência.

Ele está cara a cara com um paradoxo esmagador, cuja solução deve ser vivida antes que possa ser realmente entendida.

Em suas horas de meditação silenciosa, o estudante descobrirá que há um espaço de silêncio dentro de si, em que ele pode se refugiar dos pensamentos e desejos, do turbilhão dos sentidos, e das ilusões da mente. Mergulhando sua consciência profundamente em seu coração, ele pode alcançar este lugar - a princípio, somente quando ele está sozinho em silêncio e na escuridão. Mas quando a necessidade de silêncio cresce, ele o procurará mesmo no meio da batalha com o eu, e o encontrará. Ele apenas não deve abandonar seu eu exterior nem seu corpo. Deve aprender a retirar-se em sua cidadela quando a batalha se torna árdua; mas precisa fazê-lo sem perder de vista a batalha; sem se permitir fantasiar que assim ele vencerá. Essa vitória só se conquista quando tudo é silêncio fora e dentro da cidadela interior. Lutando desse modo, de dentro do silêncio, o estudante descobrirá que resolveu o primeiro grande paradoxo.

Mas o paradoxo ainda o segue. Quando ele consegue retirar-se para dentro de si mesmo, ele busca lá apenas refugiar-se da tempestade em seu coração. E quanto mais ele luta para controlar as ondas de paixão e desejo, mais ele compreende que gigantescos poderes ele jurou vencer. Ele ainda se sente, quando não está em silêncio, muito parecido com as forças da tempestade. Como sua força insignificante pode competir com esses tiranos de natureza animal?

Esta pergunta é difícil de responder em palavras diretas - caso haja uma resposta para ela. Mas a analogia pode apontar o caminho onde a solução será procurada.

Ao respirar, colocamos uma certa quantidade de ar nos pulmões e, com isto, podemos imitar em pequena escala o poderoso vento do céu. Podemos produzir uma fraca imagem da natureza: uma tempestade em copo d’água, uma brisa para soprar ou mesmo afundar um barco de papel. E podemos dizer: “Eu faço isso, isso é minha respiração”. Mas não podemos soprar nossa respiração contra um furacão, menos ainda prender o vento em nossos pulmões. No entanto, os poderes do céu estão dentro de nós; a natureza das inteligências que guiam a força  do mundo estão unidas à nossa natureza, e se entendermos isso e nos esquecermos de nosso eu exterior, esses ventos poderão ser nossos instrumentos.

Assim é na vida. Enquanto o homem apegar-se ao seu eu exterior - e apegar-se a cada forma que ele assume quando sua “pele mortal” é deixada de lado - ele estará tentando afastar um furacão com o sopro de seus pulmões. Tal esforço é inútil e vão; porque os grandes ventos da vida, cedo ou tarde, o dominarão. Mas se ele mudar sua atitude [1]  dentro de si mesmo, se ele agir sabendo que seu corpo, seus desejos, suas paixões e seu cérebro não são ele mesmo - embora ele esteja a cargo deles e seja responsável por eles -;  se tentar lidar com eles como partes da natureza, então poderá ter a esperança de tornar-se uno com as grandes marés do ser,  e de alcançar, finalmente,  o lugar pacífico do autoesquecimento.


NOTA:

[1] No original do artigo publicado em 1887 e em subsequentes edições em inglês, temos “altitude” ao invés de “attitude”. Este deve ser um erro de revisão de 1887. Também é possível que se trate de um erro ao ler o original manuscrito de H.P. B., em que o primeiro “t” de “attitude”  tenha sido lido como “l”.  (CCA)

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.


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13 de agosto de 2011

UM CONFRONTO DIÁRIO NO TEMPLO



O Verdadeiro Santuário Não é Feito de Tijolos


Carlos Cardoso Aveline



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O texto a seguir foi publicado
inicialmente na edição de julho de
2011 do boletim eletrônico “O Teosofista”.

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“A Divindade está perto de ti,
está contigo, está dentro de ti!”

(Sêneca, ‘Cartas a Lucílio’,
Fundação Gulbenkian, Lisboa, 2004, p. 141)

“Não sabeis que sois santuário de Deus
e que o Espírito de Deus habita em vós?  (...)
Porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado.”

(I Coríntios 3: 16-17)


Para o estudante de filosofia esotérica, templos e capelas feitos de cimento e tijolo são, na melhor das hipóteses, elementos de importância secundária.   O verdadeiro templo está no centro da consciência do indivíduo. O estudante sabe que pode visitar a cada dia esse santuário, e que para isso deve deixar do lado de fora da porta de entrada os sapatos das preocupações materiais. 

Não basta recolher-se 30 minutos diariamente, usando este tempo para estudar filosofia, para ouvir a voz silenciosa da sua própria consciência, e pesquisar sobre aquilo que é inspirador para si. A lembrança do templo e a interação com ele devem ocorrer ao longo das 24 horas do dia. Deste modo o indivíduo amplia o contato com a sua consciência essencial.

O confronto com as verdades universais nem sempre é cômodo, e por isso muitos fogem dele. O encontro consigo mesmo é uma lição diária de modéstia. Ele mostra inevitavelmente os erros do aprendiz, e também o seu potencial positivo. A ocasião é propícia para renovar o compromisso com a arte de viver de modo correto. A humildade permite o confronto, mas a coragem é igualmente necessária. 

As três perguntas pitagóricas exigem honestidade: “Onde foi que eu errei? No que agi corretamente?  Como posso melhorar?”

Aqueles que se reúnem diariamente com suas consciências constroem a única base firme para a busca da felicidade. A verdadeira bem-aventurança é incondicional: ela independe de fatos externos de curto prazo.  Nela está o alicerce durável do movimento esotérico autêntico.

O movimento teosófico é como a árvore Ashwatta da mitologia hindu, ou a árvore Yggdrasil da mitologia nórdica. Ele tem suas raízes invisíveis no céu, na consciência celestial, na alma imortal de cada estudante.  As suas folhas e galhos - ações e estruturas visíveis - estão no chão da vida diária. Desta árvore intuitiva surgem os fatores básicos do futuro da humanidade.  Eles se desenvolvem no templo da consciência de quem estuda a ciência do altruísmo.

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Para ter acesso a um estudo diário da teosofia clássica, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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