Com Discernimento, a
Boa Intenção Produz Bons
Frutos
The Theosophical Movement
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O valor do artigo “A Ação
Humanitária Eficaz”
vai
muito além do chamado movimento teosófico
ou esotérico. Seu enfoque é de grande utilidade
para qualquer pessoa ou grupo
de pessoas
que, ao olhar para a atual
situação humana,
tenha vontade de ajudar de algum
modo.
Como o texto cita trechos da Declaração da
Loja Unida de Teosofistas (LUT),
reproduzimos
ao final, na íntegra, este
documento histórico.
Anônimo, o artigo a seguir é
traduzido
da revista mensal internacional “The
Theosophical Movement”, de
Mumbai,
Índia, onde foi publicado sob o título
de “True Service of Humanity”,
na edição de dezembro de 2006.
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Há
um item na Declaração da Loja Unida de Teosofistas que afirma o seguinte:
“Ela vê como teosofistas todos os que estão engajados no verdadeiro
serviço pela Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, condição pessoal
ou organização.”
Que tarefas, entre as que podemos realizar em benefício dos outros, devem
ser consideradas como “verdadeiro serviço altruísta”?
Um dos critérios do “verdadeiro” serviço altruísta é mencionado no
próprio item citado acima como aquele
que é feito sem distinções de raça, credo e fatores semelhantes.
Há também outros princípios muito vitais, que devemos levar em
consideração e colocar em prática, se quisermos que os nossos esforços pelo bem
dos outros sejam realmente benéficos.
Os trabalhos filantrópicos que são realizados seletivamente, com a meta
de beneficiar os que pertencem à nossa própria seita, credo ou comunidade, são um fenômeno bastante comum. Em tais casos as idéias e as motivações do
filantropo, sendo estreitas e egoístas, podem anular o bem que ele busca fazer,
resultando em prejuízo geral, porque a ação egoísta – seja de um indivíduo ou
de uma comunidade, ou mesmo de uma nação – só pode ser injusta, neste universo
feito essencialmente de unidade e de absoluta justiça.
Os esforços de natureza humanitária, ou
as doações feitas para uma causa
ou para indivíduos e organizações com a motivação de obter mérito
religioso, ou com o objetivo de obter prestígio público, recompensas e
reconhecimento, contaminam o benefício
que flui dele por causa do seu desejo impuro e reduzem o seu valor e sua
eficácia. Para que as obras solidárias sejam benéficas, elas devem estar livres
da mancha da intenção egoísta, e não devem ser motivadas por um impulso apenas
emocional, mas necessitam ser inegoístas e guiadas pela sabedoria. Muitos filantropos sinceros e dedicados compreenderam
esta verdade graças a uma longa experiência própria. Não são poucos os que estiveram engajados
durante anos a fio em esforços por levar alívio a indivíduos, ou mesmo a setores
da sociedade que vivem em condições moral e fisicamente sub-humanas, e confessaram que muitos a quem
eles levaram ajuda bem intencionada não tiraram proveito. A ajuda e o alívio dados estimularam em alguns a ingratidão, e, em outros, vícios latentes, como se a situação miserável
em que estavam, e que os mantinha com um baixo nível de atividade, fosse o melhor
para eles. Não é uma experiência incomum, entre trabalhadores de ações filantrópicas,
ver que os beneficiários da sua
ação não podem ser ajudados, e parecem
gostar das próprias condições de vício e miséria dos quais se busca
libertá-los.
Os verdadeiros benfeitores da humanidade nos dizem que a mera mudança
das condições externas de miséria e pobreza não produz qualquer bem durável,
porque estas são apenas manifestações externas do estado mental e do caráter interior das pessoas, que deveriam ser bem
compreendidos e levados em conta. Isso torna necessário, de um lado, um conhecimento
profundo do que o homem é na verdade, e
uma percepção espiritual da herança Cármica daqueles que buscamos ajudar, e das
necessidades das suas almas; e, de outro lado,
pureza de motivações, inteligência e sabedoria da parte do filantropo.
Portanto, para fazer boas obras
que produzam real benefício a todos é necessário ter conhecimento
espiritual. Apenas boa intenção não será
suficiente. Um velho ditado diz que o caminho do inferno está frequentemente
pavimentado com boas intenções. A motivação
pura deve andar junto com a sabedoria, para que as tarefas que
enpreendemos produzam benefícios reais e duradouros. O conhecimento, a sabedoria e a pureza de motivação são fatores
vitais, sem os quais as doações que podemos fazer, a caridade que podemos
praticar, e a ajuda ou serviço que podemos prestar frequentemente resultam mais
nocivas do que benéficas, como é claramente colocado no décimo-sétimo capítulo
do “Bhagavad-Gita”, livro que é uma obra-prima da psicologia espiritual:
“Aquelas doações que são feitas para a pessoa certa na ocasião certa, e
por homens que não desejam recompensa, são da qualidade sattwa, são boas, e têm a natureza da verdade.”
A pureza de motivações resulta do conhecimento espiritual, e graças a
ela sabemos a quem devemos ajudar, quando e como fazer isso, e quem deve ser deixado na situação em que está devido, ao fato de que esta
situação é o seu melhor mestre. Porque a vida é uma
escola, e as experiências de vida que vêm para nós como efeitos cármicos de
nossas ações no passado têm lições implícitas para nosso aprendizado e nosso
progresso.
“Mas aquela doação que é feita com a expectativa de um retorno por parte do beneficiado, ou com vistas a um ganho espiritual que
resulte da boa ação, ou com hesitação,
tem a qualidade Rajas, é ruim e
compartilha do que não é verdadeiro.
Doações feitas em lugar e tempo inadequados e para pessoas que não as
merecem, ou sem a devida atenção e com desdém, são da qualidade Tamas, são inteiramente ruins e têm a
natureza da escuridão.” (Bhagavad Gita, cap. XVII)
A atitude mental, a intenção e a pureza interior de uma pessoa têm um
poderoso efeito, para o bem ou para o mal, em tudo o que a pessoa faz. Quando há um desejo egoísta por recompensa ou
reconhecimento, quando há a expectativa
de um benefício a ser obtido de quem recebe a doação ou quando o aparente bem é feito com
relutância, indiferença e desatenção,
mesmo que isso seja inconsciente para o
benfeitor, o resultado é grande prejuízo
para o beneficiário e para o benfeitor, e também para a sociedade em geral.
Sábia é aquela pessoa que não entra impulsivamente em obras de caridade,
para não causar prejuízo maior que os males que pretende eliminar, mas que se
esforça para adquirir o conhecimento correto, e para preparar-se “através do
estudo e de outros modos, para ser mais capaz de ajudar e ensinar outras pessoas” [1] . Isto não significa que nós devemos
esperar até que tenhamos conhecimento espiritual para participar de boas obras.
Não é possível fazer qualquer progresso espiritual sem trabalho altruísta em
função de outros seres. Apenas estudo e
contemplação seriam fúteis, sem que se tivesse uma vida de altruísmo. O livro devocional “A Voz do Silêncio” ensina:
“Viver para beneficiar a humanidade é o primeiro passo. Praticar as seis
virtudes gloriosas é o segundo.”
À medida que o indivíduo aprende as Verdades Eternas da vida e
adquire uma convicção mais profunda a
respeito da natureza verdadeira do Eu Superior e da Fraternidade Universal, ele
começa a ver com clareza cada vez maior que o único caminho para a felicidade e
o progresso humanos passa pela iluminação espiritual da humanidade. Ele é
tomado por um desejo de que este conhecimento da alma chegue a tantas
pessoas quanto for possível, e começa, ainda que imperfeitamente, o seu
primeiro esforço de amor e em benefício da humanidade.
“Porque é um desejo puro, este que surge nele; ele não pode obter
crédito, nem glória, nem recompensa pessoal por reealizá-lo. E assim ele obtém
o poder de realizá-lo.” (“Light on the Path” – “Luz no Caminho” – p. 68 da
edição da Theosophy Company, Los Angeles).
O desejo puro é aquele que está livre de motivações pessoais, que surge
de uma visão da unidade universal e do desenvolvimento de uma perspectiva
universal através de longo estudo, de reflexão e de assimilação da ciência do
progresso e perfeição humanos, tal como descritos em Teosofia. De modo natural
e espontâneo, a pessoa traz esta perspectiva universal para cada pensamento e
ação, com a motivação e a intenção iluminadas que visam o benefício universal; e portanto está
livre até da mais remota expectativa de recompensa ou reconhecimento. Na escala de valores da sua vida, o bem dos
outros vem antes do seu próprio bem pessoal. Quando a mente e o coração estão livres de motivações
pessoais para agir, um fluxo interior de
poder e de luz energiza o indivíduo, queimando
gradualmente as impurezas dos seus erros passados e transformando a sua
natureza em uma força espiritual dinâmica que regenera seus semelhantes. Pouco a pouco, ele passa a ser uma força
benéfica no mundo. Seu coração e sua
mente gradualmente sintonizam com a Mente e o Coração maiores de toda a
humanidade. O Ser supremo é visto e
reconhecido como algo que está presente tanto nele mesmo como nos outros, e também
tudo está presente no Ser supremo. Ajudar os outros até esta grande meta, na
qual está a única grande panacéia para os males do mundo, torna-se o objetivo
principal da sua vida. Preocupações com o ser individual e os seus interesses
são transmutadas em amor impessoal por todos os seres. O bem do mundo – Loka sangraha – torna-se o princípio diretor de todas as suas
ações.
“Ao ajudar o desenvolvimento dos outros, o teosofista acredita que não
está apenas ajudando-os a cumprir o Carma que é deles, mas que também está, no sentido mais estrito,
cumprindo o seu próprio Carma como
indivíduo. O que ele tem sempre em vista
é o desenvolvimento da humanidade,
do qual tanto ele como os outros são partes integrantes. E ele sabe que
qualquer fracasso da sua parte em responder ao que há de mais elevado em si
causa um atraso não só para si mesmo,
mas para todos, no avanço evolutivo. Por suas ações, ele pode tornar mais
difícil ou mais fácil, para a humanidade, alcançar o próximo nível, mais
elevado, de existência. (“A Chave Para a Teosofia”, H. P. Blavatsky, capítulo
12; página 234 na edição da Theosophy
Co., India.)
Deste modo, é através do cumprimento correto dos deveres da vida, como
um Sacrifício (Yajna) oferecido ao Eu
Superior, o Eu de Todos, que o verdadeiro devoto ingressa no caminho do serviço
mais elevado a seus semelhantes e a todos os seres, o caminho que produz
harmonia, iluminação e progresso espiritual para todos. À luz do conhecimento espiritual que surge em
nós através da devoção pelo Ser de todos os seres e do cumprimento do nosso
dever, começamos a identificar cada vez
mais claramente as maneiras, as motivações e os métodos de serviço altruísta
que produzem o maior bem para todos.
“Nós acreditamos na tarefa de aliviar a fome da alma, tanto quanto,
se não mais do que a fome do estômago”,
escreveu H.P.Blavatsky. Os
sofrimentos e as dores do homem surgem de pensamentos e ações baseados em
idéias equivocadas da vida, porque ele tem que colher o que plantou. O homem sábio, portanto, ao mesmo tempo que
alivia a aflição dos outros, sempre que as condições o permitem, também os
ajuda, até onde é possível, a alcançar uma perspectiva mais elevada da vida; a
obter uma base mais verdadeira de pensamento e ação e uma compreensão da sua
responsabilidade e do seu dever em relação aos seus semelhantes. Portanto, o estudante que aspira a um verdadeiro serviço altruísta pela humanidade
estará sempre esforçando-se para
preparar-se, através do estudo, da exemplificação e do serviço, para ser mais
capaz de ajudar e ensinar outras pessoas;
e colocando em prática, todo o tempo, as idéias teosóficas de compaixão,
ensinadas e exemplificadas pelos grandes professores e benfeitores da
humanidade:
“Aja individualmente e não coletivamente; siga os preceitos do Budismo
do Norte: ‘Nunca ponha comida na boca de um faminto através das mãos de outra
pessoa’; ‘Nunca deixe que a sombra do
teu próximo (uma terceira pessoa) se
coloque entre você e o objeto da sua generosidade’; ‘Nunca dê tempo para que o
sol seque uma lágrima antes que você o faça’.
E também, ‘Nunca dê dinheiro aos necessitados, ou comida para o
sacerdote que a pede à sua porta, através
dos seus empregados, para que o seu dinheiro não diminua a gratidão, e sua
comida não se transforme em bílis.’ (“A
Chave Para a Teosofia”, H.P.B., capítulo 12, pp. 241-242 da edição da Theosophy
Company, Índia)
As idéias teosóficas sobre caridade significam um esforço pessoal pelos outros; uma compaixão e
amabilidade pessoais; um interesse pessoal no bem-estar dos que sofrem; uma
simpatia, uma previsão e uma assistência pessoais
em seus problemas ou necessidades.
Nós, teosofistas, não acreditamos em dar dinheiro ... através das mãos
de outras pessoas ou organizações. Acreditamos em dar ao dinheiro mil vezes
mais poder e eficácia através do nosso contato pessoal e nossa simpatia com
aqueles que o necessitam... porque a gratidão faz mais bem à pessoa que a
sente, do que à pessoa por quem ela é sentida.” (Ibid., p. 242 da edição
indiana da Theosophy Co.)
NOTA:
[1] Estas palavras
entre aspas constam da frase final da Declaração da LUT. (Nota do tradutor)
ANEXO:
A Declaração da Loja Unida de
Teosofistas
O programa de ação dessa Loja
consiste em devoção independente à causa da Teosofia, sem vinculação oficial a
nenhuma organização teosófica. Ela é
leal aos grandes fundadores do movimento teosófico, mas não se ocupa com desavenças ou diferenças de opiniões individuais.
O trabalho a que ela se dedica
e a meta que ela mantém em vista são demasiado importantes e demasiado elevados
para que haja tempo ou disposição para participar de questões laterais. O
trabalho e a meta são a disseminação dos princípios fundamentais da filosofia
teosófica, e a exemplificação prática desses princípios através de uma
compreensão do EU SUPERIOR; uma convicção mais profunda da Fraternidade
Universal.
Essa Loja considera que a base inatacável para a união entre os teosofistas,
independentemente de como e onde eles se situem, está na “similaridade da meta, do propósito e do ensinamento”, e portanto
não possui nem Estatuto, nem Regimento Interno, nem Dirigentes. O único laço entre os seus associados é a base
mencionada acima. Essa Loja tem por objetivo disseminar essa idéia entre os
teosofistas, promovendo a Unidade.
Ela vê como teosofistas todos
os que estão engajados no verdadeiro serviço pela Humanidade, sem distinção de
raça, credo, sexo, situação pessoal ou organização; e –
Ela dá as boas vindas como
associados a todos aqueles que estão de acordo com os seus propósitos
declarados e desejam preparar-se, através do estudo e de outros modos, para
serem mais capazes de ajudar e ensinar outras pessoas.
[ A Loja Unida de Teosofistas,
LUT, foi fundada na Califórnia em fevereiro
de 1909. Atualmente existe em cerca de 15 países. ]
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Visite sempre www.Filosofiaesoterica.com ,
www.TeosofiaOriginal.com e www.VislumbresdaOutraMargem.com
.
Para ter acesso a um estudo diário da
teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br
e pergunte como é possível acompanhar o
trabalho do e-grupo SerAtento.
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