29 de maio de 2012

A EDUCAÇÃO DO AUTOCONHECIMENTO



O Saber Mais Útil é Aquele Que
Ensina a Viver de Modo Correto

Joaquim Soares




A vida é sempre pródiga em oferecer oportunidades para aquele que se dispõe a aprender. Inesgotável é o aprendizado de quem vê os outros como seus instrutores.

Portanto, importa ponderar sobre o que se quer aprender, afinal.

O mundo está cheio de conhecimentos sobre um número quase infindável de coisas; sobre mil e um pormenores e especificidades.

Os meios de informação transbordam de conhecimentos sobre quase tudo e, às vezes, sobre quase nada. Nossas escolas e universidades “enchem” a cabeça das crianças e dos jovens com conhecimentos que, segundo dizem ou crêem, irão torná-los cidadãos preparados para a vida.

E para que tipo de vida são os seres humanos preparados pela educação moderna?

O diagnóstico feito há mais de um século por Helena P. Blavatsky descreve com exatidão o estado da educação atual.

Escreveu ela:

“Qual é o objetivo real da educação moderna? Cultivar e desenvolver a mente na direção correta? Ensinar os deserdados e desamparados a suportar com coragem o fardo da vida (destinado a eles pelo carma)? Fortalecer a vontade deles, inculcar-lhes o amor pelo próximo e o sentimento de interdependência mútua e de fraternidade? Formar e treinar dessa forma o seu caráter para a vida prática? Nem um pouco disto! E no entanto esses são os objetivos inegáveis de toda a verdadeira educação. Ninguém o nega; todos os educadores o admitem e fazem muito alarde sobre o assunto. Mas qual é o resultado prático da sua ação? Todos os jovens e crianças, ou ainda, toda a geração mais jovem de professores responderá: ‘O objetivo da educação moderna é passar nos exames’. Não se trata de um sistema para desenvolver a competição justa, mas para gerar e alimentar o ciúme, a inveja e quase o ódio entre os jovens, treinando-os assim para uma vida de egoísmo feroz e de luta por honras e lucros, ao invés de sentimentos fraternos.” [1]

De que vale a um marinheiro saber todos os detalhes sobre os materiais que compõem a sua embarcação, se não sabe qual a sua própria origem como ser humano, o que faz no meio do grande oceano, qual o seu destino final, nem muito menos sabe como interpretar e aproveitar as condições naturais que o rodeiam?

Não é o acumular do conhecimento das incontáveis faces que compõem o mundo ilusório das formas, que poderá conduzir o homem a compreender o porquê da vida e assim alcançar a  felicidade.

Temos uma civilização aparentemente cheia de conhecimento, mas que, ao mesmo tempo, demonstra uma ignorância ou cegueira sobre o rumo a seguir.

A Teosofia está no mundo exatamente para trazer uma visão ampla sobre o destino da humanidade.  Escreveu Robert Crosbie, o principal fundador da Loja Unida de Teosofistas:

“Onde iremos encontrar o verdadeiro alicerce para uma civilização renovada, que todos os homens e mulheres possam ver e na qual possam viver? Não é de mais filosofias, novas religiões ou panacéias políticas que precisamos, mas de Conhecimento, e de uma visão que vá além dos altos e baixos de uma curta vida física. O conhecimento que supera todas as formas inventadas de religião é o conhecimento da natureza do próprio homem, um conhecimento obtido por ele mesmo e dentro de si mesmo.” [2]

E cabe recordar as palavras intemporais proferidas pelo oráculo de Delfos:

“Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás todos os segredos do Universo”.

O movimento teosófico tem como seu dharma sagrado ajudar a humanidade a compreender o grande propósito da Vida, a origem comum de todos os seres e relembrar as potencialidades divinas que habitam em cada um.  Como afirma a educadora Regina Pimentel, “as sementes da teosofia estão sendo plantadas”, e “a intenção pode mudar o mundo”. [3]

A atmosfera mental do planeta é preenchida por uma determinada massa de pensamentos/sentimentos e de intencionalidades de todo o tipo, que partem de cada ser humano. Nos pratos da balança cármica temos de um lado as intenções altruístas harmonizadas com o propósito das inteligências que conduzem ocultamente o processo evolutivo planetário;  e de outro as intenções contrárias ao bem geral e voltadas para a satisfação de interesses egoístas.

Qualquer indivíduo que possua uma intenção nobre e contemple o bem maior está aumentando a força do prato positivo da balança cármica.

Cada um deve decidir como conduzir a sua própria vida para que ela seja a concretização das suas melhores intenções. A tarefa não é fácil, nem pode ser alcançada de forma instantânea. É feita de aproximações e tentativas sucessivas, enquanto se aprende com os fracassos e se exercita a vontade.

Nossa disposição de avançar está diretamente ligada ao campo de visão amplo que temos diante de nós. A contemplação dos horizontes da vida, que vão muito além dos limites de uma única encarnação, leva-nos a compreender que o conhecimento fundamental é aquele que nos permite ir ganhando mestria na arte de viver corretamente.

Cabe a nós manter em nossa consciência esse vasto panorama, através do qual nossas pequenas vidas pessoais se transformam em instrumentos do despertar da humanidade, enquanto seguimos o ensinamento daqueles que vêem mais longe.


NOTAS:

[1] “A Chave para a Teosofia”, H.P. Blavatsky, Editora Teosófica, Brasília, 1991, ver p. 229.

[2] “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Co., Los Angeles, 1945, ver p. 307. 

[3] “A Decisão de Avançar”,  texto de Regina Maria Pimentel de Caux. O artigo pode ser encontrado através da Lista de Textos por Ordem Alfabética, no website www.FilosofiaEsoterica.com .


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Joaquim Soares é professor, e vive em Portugal.


Para ter acesso a um estudo diário da teosofia original, escreva a lutbr@terra.com.br  e pergunte como é possível acompanhar o trabalho do e-grupo SerAtento.

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