8 de fevereiro de 2017

Cinco Estágios da Aprendizagem

Para Avançar Com
Segurança no Caminho da Sabedoria    

Carlos Cardoso Aveline





No contexto teosófico, o processo probatório é aquele tipo de caminhada em que enfrentamos conscientemente desconforto, sabendo que este é o preço a pagar pelo alargamento de horizontes e pelo progresso na direção da sabedoria.

Ninguém alcança uma quantidade importante de conhecimento sem antes lidar com dificuldades pelo caminho. Até o processo pelo qual somos alfabetizados, na infância, implica esforço e sacrifício.

Em qualquer esfera da vida, através da provação passamos a merecer a bênção. A bem-aventurança do conhecimento vem por estágios: cada processo de testes prepara a chegada a um determinado patamar de compreensão.

Os testes fortalecem e consolidam gradualmente o saber, até torná-lo definitivo. A provação nunca é um fato isolado: é uma onda de aparentes armadilhas e verdadeiras lições, na qual podemos ver cinco etapas. 

1) O primeiro patamar começa com a decisão de buscar a sabedoria. Nele reconhecemos o significado do sofrimento. Os obstáculos não surgem por acaso: são as linhas aparentemente imperfeitas pelas quais a Lei do Carma redige o ensinamento sagrado para a leitura da nossa alma. O carma escreve certo por linhas tortas. É preciso ver o que está escrito nas entrelinhas. Neste estágio percebemos que a tarefa diante de nós é aprender: Tomamos a decisão de olhar para tudo o que nos rodeia como lições.

2) Na segunda etapa, a inteligência expandiu-se e está a serviço do coração. As ideias ganham sempre mais clareza. Paradoxalmente, os obstáculos se multiplicam. A mente iluminada vê a escuridão do mundo e sofre com ela. “Quanto mais eu rezo, mais assombrações aparecem”, diz o ditado popular.

À medida que compreendemos melhor a vida, multiplicam-se as coisas na aparência incompreensíveis. Os obstáculos atacam os nossos pontos mais fracos. Uma e outra vez, a intensidade do desconforto ameaça afastar o foco da mente para longe do nosso ideal. Lutamos com nós mesmos. Estamos divididos entre o sacrifício e o apego. E mesmo assim avançamos.

3) Quando há um contato contínuo com a voz sem palavras da nossa consciência, uma grande batalha está ganha e abre-se a terceira etapa. A consciência ainda está numa posição defensiva: a provação prossegue na sua intensidade máxima, embora o maior perigo tenha passado.

No terceiro estágio o indivíduo adquire uma vontade inquebrantável e sabe que o tempo corre a seu favor. As dificuldades parecem imensas: quando ele processa e compreende todos os desafios, passa a reunir força interna e magnetismo para a etapa seguinte.

4) No quarto patamar de aprendizagem, ele constrói a sua libertação enquanto partilha com os outros o que possui de valioso no que diz respeito à compreensão da arte de viver. Agora o peregrino trabalha criativamente. Enfrenta ameaças e armadilhas com naturalidade. Os perigos perderam força no seu mundo interno. Ele os conhece de longe. Já não dá importância ao desconforto da caminhada. O sentimento de felicidade ganha força, porque o centro da sua alma vive mais no plano da bondade e menos no plano da dor. O processo de provação abre espaço pouco a pouco para a bem-aventurança. 

5) O quinto estágio é a parte da libertação. Nele, o peregrino domina o conhecimento e dispõe do grau correspondente de felicidade.

As cinco parcelas estão contidas em cada momento. De certo modo, os estágios coexistem entre si o tempo todo. O peregrino deve olhá-los como um conjunto integrado. Quando os conhece bem e tira o melhor de cada um, ele está pronto para abordar outro patamar ainda mais amplo de aprendizado.

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Uma primeira versão do artigo acima foi publicada sem indicação do nome do autor na edição de julho de 2015 de “O Teosofista”, páginas 3-4.  

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Veja também o texto “Quatro Etapas Quase Simultâneas”, do mesmo autor, que está disponível em nossos websites associados.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 

  
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